Cidade do Panamá - contraste entre o velho e o novo

28/05/2019

Depois de muitas deliciosas despedidas, digo deliciosas porque foram muitos abraços amorosos, lágrimas sinceras e votos de felicidades, pessoalmente e a distância. Tias queridas, primas e primos, amigos, quase irmãos, e as pérolas de meu coração, minhas pequena família, constituída de mãe, filhas e genro.

O voo da Copa Airlines saiu às 3 horas da manhã de hoje de Guarulhos (SP), aqui estamos com dois fusos a menos de modo que este dia está se prolongando bastante, podendo aproveitá-lo mais intensamente ainda. Minha mais difícil despedida foi no portão de embarque do Terminal 2. Fortuitamente, o aplicativo Waze levou-nos até o portão, permitindo somente a descarga de bagagem e um abraço apertado e choroso em minha filha mais nova, que vivia comigo, por isso o mais complicado. Se assim não fosse, acho que nosso sofrimento se prolongaria desnecessariamente. Deixo um pouco de mim com cada um de vocês, e os levo comigo em mente, coração e toda minha maneira de ser.

Fazia tempo que eu não fazia uma viagem internacional de avião, mas todo o processo foi muito rápido, com pouca gente no aeroporto devido ao horário. E o embarque internacional é até bem pequeno. Os assentos do voo estavam todos preenchidos pois o Panamá é ponto de conexão para muitos destinos na América.

Foram 5136 km em 6h26, em um voo que faz lembrar noite de hospital. Você tenta dormir, mal-acomodado, mas toda hora vem o serviço de bordo acendendo a luz e interrompendo seu sono. Aliás, obrigada Ana Lúcia pelo apoio de cabeça, não me permitiu babar e nem despencar no ombro de meu vizinho de assento. Gostei do café da manhã servido a bordo, tomei café com leite, em pó, comi um crepe doce, uma porção de frutas (melão, abacaxi e uvas), um crepe doce de castanhas, maçã e chocolate, uma barra de cereal e um pão com manteiga. Aprovado.

A entrada no país foi tranquila, passei pela alfândega e fui direcionada ás esteira para retirada de bagagem. Como ainda não tinham sido liberadas, corri ao banheiro com a bexiga já explodindo, e quando retornei, um funcionário do aeroporto ja retirara as malas que vinham aparecendo, de modo que a minha já se encontrava devidamente acomodada, o que me facilitou a vida, poupando minhas costas deste desconforto. Agradecida pela excelência em servir.

Na saída do aeroporto, antes de ser acometida pelo pânico, o Walter já ofereceu o serviço de táxi que aceitei prontamente. Seus companheiros trataram de avisar-me que era seu aniversário e já o felicitei. Mostrei o voucher, que trouxe impresso, e já foi útil pela segunda vez, no serviço de entrada e agora, e ele precificou a corrida em US$ 30.  Um carro branco, moderno e espaçoso da Hiunday me trouxe ao meu destino.

O horário de chegada permitiu-me observar o trânsito intenso da manhã, onde trabalhadores se deslocam de suas casas em distritos próximos ao centro financeiro e comercial da Grande Panamá. Logo de cara impressionantes arranha-céus despontam no horizonte, o dia nublado e, em certos trechos, até chuvoso. Espantoso até para uma paulistana como eu. A frota de veículos, em sua maioria, atualizada e de carrões. O Walter me fez observar que quase não existem motos. Disse-me que pode se comprar um carro de segunda mão, em muito boas condições, por US$ 3000. Aqui não tem nenhuma montadora automobilística, porém tem um fluxo de toda a mercadoria que circula por via marítima de todo o mundo, gerando uma receita enorme em impostos e taxas, e fácil acesso aos produtos. Em meio a tantos recursos, a cidade do Panamá já é considerada a Dubai das Américas, pois tem investido em sua modernização.

Assim como no Brasil, as escolas públicas ensinam o inglês básico e a maioria da população só fala a língua oficial, o espanhol.

Chegamos ao Hostel Posada 1914, na Calle 44, pertinho de uma sinagoga, e já me foi esclarecido que a comunidade judia aqui é grande, aliás, não somente esta. Dos 4 milhões de habitantes no Panamá, só 3 milhões são de panamenhos. Riqueza e desenvolvimento é atraente.

O Hostel mesmo é um oásis em meio ao altos edifícios. E observo o contraste entre o velho e o novo desde meus primeiros contatos com a arquitetura local. Depois de atravessar um jardim de convivência muito agradável, e ser muito bem atendida pelo Erin na recepção, sou conduzida ao meu pequeno e solitário quarto. O preço era adequado às minhas necessidades. Será uma de minhas hospedagens mais baratas em toda esta viagem, US$ 27,50 a diária, com café continental incluso. Oferecem ainda como comodidade a tolha de banho e um sabonete. Vocês já sabem que, em alguns lugares, estes são cobrados a parte. Meu check-in é feito antes do horário, já que o quarto estava desocupado, também por cortesia da administração e eu só coloquei minhas coisas lá dentro, despi-me da roupa quente, vestindo-me com roupa mais apropriada ao calor relativamente úmido que se apresenta e resolvi iniciar a exploração desta magnífica cidade.

Descendo a Calle 44 já tenho acesso as passagens de pedestres sobra a Avenida Balboa e chego à Cinta Costera. Serão mais de 3 quilômetros de caminhada por um lindo calçadão, com diversos pontos para apreciar a Skyline e o Casco Antíguo. É possível observar a limpeza e o cuidado com os espaços públicos, que, são mais utilizados pela população durante a noite, devido ao calor e ao trabalho diurno. Tem quadras poliesportivas, parquinhos infantis, cestos de lixo e bancos por toda parte.

Um pássaro preto de nome Talingo, segundo uma comerciante ambulante que encontrei pelo caminho, povoa árvores e gramados.

Mas a cidade é mesmo dos pelicanos, fiquei maravilhada, mas tive dificuldade em registrá-los.

Fui seguindo e fotografando, só não encontrava onde comprar água para minha sede, que já estava grande.

 Depois de passar por um um jardim aromático, com seu relógio de flores, suas esculturas e monumentos de fabricação da não muito bem quista 'Odebretch', que segundo um taxista, cobrou 400 milhões por obras na Cinta Costera, encontrei o Mercado de Mariscos. 

No mar, os barcos chegando com seus pescados, junto à Costa, uma faixa com restaurantes que servem estes produtos com diversos preparos, sendo o mais característico, o Ceviche. Ao fundo o mercado de mariscos, molhado pelo gelo derretido, e com muitos peixes.

Na passagem a Jane me ofereceu o almoço, já era quase meio dia, e para quem tinha tomado o café antes das 6h da manhã, já me convinha. Mas fui dar uma espreitada no local antes de acomodar-me para a refeição. Pedi o Ceviche combinado, que vem peixe, camarão, polvo,,,com muita cebola, e um molho ácido e picante. Queria comer algo ao molho de coco, mas fiquei receosa de soltar-me o intestino, por causa do calor. Acolhi a sugestão da Jane e pedi uma corvina à milanesa, acompanhada de salada e mandioca frita, que mais pareciam bolinhos de mandioca, mas tinha a opção de batatas fritas também, mais tradicionais. Uma água purificada de 600 ml, um suco de abacaxi pérola e de cortesia, uma sopa de mariscos, mas acho que eles chamam mariscos os frutos do mar, porque só o que não havia na sopa eram mariscos, foi o que menos gostei. Gastei US$ 23. 

Conversando com a Jane, disse-me que é venezuelana, que seus dois filhos estão com ela no Panamá e, agora sua mãe a está visitando. Mas não entendi bem porque não consegue trazer também seu pai, pois queria que estes ficassem po aqui. Me parece que os trâmites no Panamá não são muito fáceis.  Ela gostou tanto da foto que tirei dela que me fez transmitir para ela, usando sua conexão no WiFi, por Bluetooth.

De barriguinha cheia e hidratada, pude seguir adiante feliz e acalorada, sob o sol que agora, não dava mais trégua. Não é possível atravessar a Avenida em linha, então existem acessos por cima, ou por baixo, como em Brasília, nossa Capital Federal. Após o Mercado, me informei com um pedestre que me indicou só seguir em frente, de modo que passei sob um viaduto, onde tinham alguns balanços para adultos e crianças e uma viste diferente do Oceano Pacífico. As praias que banham a região central da capital panamenha não são adequadas para banho, e são cinzentas, mas a vista ainda assim, é bonita. O Casco Antíguo ou Viejo estava logo ali a diante. Antes de lá chegar ainda passei por uma calçada com todas as bandeira nacionais do mundo. Achei a nossa. 

Subi por uma pracinha e tive acesso a uma parte do Passeio Estevan Huertas, com suas pérgolas de flores. 

Na primeira tentativa de acesso a uma rua, que vi uma placa com impedimento, mas imaginei que era uma restrição aos veículos, fui impedida por um soldado das Forças Armadas Panamenhas, aliás, muito presentes nesta região. Um outro soldado logo adiante me informou onde encontraria a Iglesia de la Merced, que com suas portas fechadas, só me possibilitou foto externa.

Logo em frente um dos muitos cafés, e dado o sol intenso me dissecando, tinha novamente a boca seca. Me encantei com um suco rosado. Descobri que era de remolacha, com maçã e limão. Pedi um torta de limão como sobremesa, apesar de ter me alimentado muitíssimo bem no Restaurante Delícias da Neli. Fui servida numa mesinha junto à janela de vidro. Abri ansiosa o suco e descobri que remolacha é beterraba, por isso a linda cor, o gosto, nem tão rico assim. Gastei $8. A moeda panamenha é equiparada com o dólar americano e aceita normalmente em todos os estabelecimentos.

A Plaza Herrera estava logo ali atrás, e descobri quando fui ao lindo banheiro, passando por um elegante salão de chá. Sai pela porta dos fundos do que descobri se o American Trade Hotel & Hall, após o uso do sanitário.

Um ônibus verde com o escrito 100% elétrico também roubou minha atenção. São características do desenvolvimento.

Cada ponto histórico e turístico tem uma placa com um mapa de localizações, o que me possibilitou alcançar todos os pontos desejados.

Passei pelas ruínas da Companhia de Jesus...

Segui para a Plaza de la Independencia ( ou praça de armas)... Desculpem-me o dedinho na foto e a falta de edição.

Avistei a Basílica Metropolitana de Santa Maria, a Antiga. Entrei para fazer o meu habitual agradecimento, pois estou ainda num país católico e adoro ver igrejas. Já percebi pela programação que nos E.U.A. não será bem assim. Mas deve haver igrejas anglicanas ou outras ainda. Achei o máximo os bancos. O lugar para ajoelhar é almofadado, tem uma ângulo adequado com relação ao encosto do banco à frente, e uma altura perfeita para ajoelhar-se e levantar-se com facilidade. 

A imagem da Santa também é muito bonita, e outras imagens mais próximas à porta de entrada.

O Museu do Canal estava fechado pois hoje é segunda feira, tradição na maior parte dos lugares do mundo. Teriam um evento particular.

Muitas das construções históricas estão em reforma, muitos prédios já foram reformados. A Casa Gongora é uma delas, mas fiz o registro fotográfico externo por tratar-se do sobrenome de uma amiga de minha mãe.

As atrações ficam relativamente próximas umas das outras, mas as casas pelo caminho, com suas varandas floridas, para mim, são atrações a parte. Lembram um pouco a encantadora  Colônia de Sacramento no Uruguai ou a igualmente encantadora Paraty no Brasil. Acho que é uma característica das cidades velhas junto ao mar.

Logo adiante está a Praça Simon Bolívar, o Palácio de mesmo nome e a moderna igreja de São Francisco. O Teatro Nacional, branco e impontente, em frente à Igreja, também encontra-se em manutenção.

Seguindo pela rua da igreja cheguei ao Arco Chato, interessante construção em arcos, mas que me fez parecer que, numa distância maior entre pilares, sem alterar o pé direito da construção, o jeito foi achatar o arco, deixando-o quase reto.

Duas construções gêmeas chamaram-me a atenção, uma reformada e bonita, a outra ainda abandonada em sua aparência, mas cheia de conteúdo e história, representando muito bem seu país e sua cultura, abrigando uma loja de produtos conhecidos como os chapéus do Panamá, que, diga-se de passagem, eram confeccionados no Equador mas muito utilizados por aqui, e tocando música regional, com pessoas simples em seu interior.

Ajudei um senhor a levantar-se de um murinho próximo ao Museu de Arte Religiosa. Ele chamava por seu filho ou neto, que já tinham se afastado e não ouviram o clamor, assim que estendi-lhe a mão que ele aceitou e agradeceu com um sonoro: Thank you. Ao qual respondi com um, de nada. Seus familiares então se aproximaram com agradecimentos em espanhol. Acho que eram germânicos. Seguimos todos para a Praça Carlos V. E me afastei do grupo.

Já me aproximava da extremidade junto ao mar, passei em frente à embaixada francesa, subi uma escadaria junto à Praça de França, e encontrei um baiano que ja está há dois anos no Panamá, junto às barraquinhas de artesanato que se espalham pelo Passeio Estevan Huertas, que agora pego pelo outro lado. Tirei novas fotos panorâmicas, inclusive, e procurei um táxi na rua. 

Se não são, deviam ser instituídos, o pelicano como ave nacional e o flamboyant como árvore. Vocês repararam nas fotos?

Como já havia me informado, eles não usam taxímetro, assim o valor das corridas devem ser combinados antecipadamente. O simpático e belo motorista cobrou-me US$ 5,00. Foi ele que falou-me a respeito das obras da Odebretch. Falou-me ainda que a subsistência no Panamá é muito cara, dificultando a vida do povo. Perguntou-me se tenho netos, após saber que tenho duas filhas, e à minha negativa, disse que ele já tem, um, pequeno, de sua filha de dezenove anos. Ele deve ter pouco mais de 40.

De volta ao hostel, tomo um banho, FRIO, contra minha vontade, apesar do calor. E tiro uma soneca, para compensar as últimas noites mal dormidas.

Ia sair, mas achei melhor descansar um pouco e escrever o blog. Só fui comprar umas tranqueirinhas no mercadinho aqui próximo, Trouxe um iogurte com gelatina durinha por baixo. Faz tempo que procuro novidade no ramo de laticínios, já estou enjoada do que nos oferecem no Brasil. Gastei US$ 5,35 e este será meu jantar. Comprei também chá em lata, cookies, batatas chips com bem pouco sal e amendoins. Sobrou todo o amendoim, um pouco de batatas e um pouco de cookies para amanhã.  Já é quase meia noite e eu ainda tenho que colocar as fotos neste relato. 

Cansaram??? De ler ou de andar comigo??? E este foi só o primeiro dia, com duas horas a mais...