Chegando a SEVILHA – ESPANHA

12/11/2019

Dormi muito bem apesar de sentir o dedão do pé e partes das pernas adormecida. Não era minha intenção fazer uma longa caminhada com o calçado inadequado. Aí, sofro as consequências da flata de pensar...

Tomei o café em frente à vaga onde estacionei o carro. Cheguei lá às 9h08 então tive que pagar 20 centavos de estacionamento, que me rendeu 22 minutos. Às 9h38 eu saia em direção a Sevilha, num trajeto de aproximadamente 170 km e previsão de chegada por volta de 11h30.

Enquanto andando ainda em Portugal, vi que estava na região dos cítricos, e, evitando pedágios, passei por umas estradas bem estreitas.

De repente vi uma estrutura de metal, grande, ao longe. E uma placa dizia que a Espanha estava a 3 km de distância. Uma ponte enorme surgiu na minha frente, passando sobre o rio Guadiana. A pista de vinda estava interrompida para manutenção, então, a pista de ida estava dividida e com a velocidade reduzida para 50km/hora.

Conforme fui passando por ali e entrei na Espanha, de carro, sozinha, me deu uma satisfação muito grande, a sensação de fazer algo difícil, me senti corajosa, ou destemida. E vitoriosa. Pedi a Deus que me acompanhasse e segui com 'minha carrinha' por aquela pista dupla, com velocidade limitada em 120 km/hora. Nunca tinha andado nesta velocidade por terras estrangeiras, e nem passei de 90 km/hora com o meu Aygo. Ele ficou temeroso, a princípio, e balançou com o vento. Tive que colocar mão firme em seu volante para confortá-lo. Depois foi se sentindo mais confiante, e não mais tremeu. Assim também pude relaxar e diminuir a força que as  minhas mãos faziam, na tentativa de encorajá-lo. E quando vi, o pé pesava um pouco e já estávamos a 130... Mas não pode. Você não quer ser multado ou advertido pelas autoridades policiais, não é mesmo?

Foram mais de 130km nesta estrada que ora me fazia lembrar a Castelo Branco, ora a Marechal Rondon, na altura de Tietê, ora a Regis Bitencourt na subida da serra em direção ao Paraná. E o movimento de veículos foi aumentando a medida que nos aproximávamos desta grande cidade que é Sevilha. Mantidas as proporções, lógico. E fui seguindo as indicações do Google Maps que até um veículo quebrado reportou. E por volta de 11h30 eu entrava na cidade.

Coloquei como primeiro destino o Real Alcazar. E fui adentrando, novamente, o centro velho da cidade. Digo novamente porque já passei por dificuldades nestas ruazinhas estreitas destas cidades europeias. Quando vi que se estreitavam demais, com a vantagem de que aqui as ruas são planas, desobedeci as suas instruções.

Fui passando por uma rua e vi uma vaga logo após a faixa de pedestres. Fácil demais não? Desci e perguntei se era permitido parar ali. O dono do estabelecimento de Artesanias em Jamon me disse que não podia, mas que tinha um estacionamento pago logo ali atrás.

_ " E como faço para chegar até lá?"

Notem que estou falando em espanhol agora.

_ " Você pode dar uma ré..."

Gostei da ideia. Agradeci e fui para o carro. Mas o trânsito não parava. E a rua é estreita.

De repente ele aparece ao lado do carro e pergunta:

_ " Quer que eu segure o trânsito para você dar ré?"

_ " Sim, seria um grande favor."

Ele foi até lá, uns 20 passos , creio eu, e uma moça estava travando o trânsito com seu carro atravessado na entrada do estacionamento. Eu dei ré e ele me falou:

_ " Você deu sorte, coloque o carro de ré ali e depois dela já consegue entrar."

Aí ele foi falar com ela, que entrou mal na estreita porta do estacionamento, e estava receosa de ralar a frente ou sua lateral do carro. Ele acabou ajudando-a. E quem interrompeu o trânsito foi ela, não ele.

Ainda assim, depois que coloquei o carro lá, fui questionada quanto ao tempo previsto de permanência e informada que o estacionamento fechava às 21h30, e fui logo dizendo que não tardaria tanto, passei no estabelecimento e voltei a agradecer o homem. Muito gentil. Largar o que estava fazendo para me ajudar.

Coloquei novamente o Alcazar no Google Maps e lá fui eu. Quando estava bem perto vi uma torre enorme e achei que ali fosse. Desliguei o aplicativo e fui para a fila indicada para entradas individuais, toda feliz e serelepe.

A fila não estava muito grande. Quando olhei o relógio, passava de 13 horas. Pensei que tinha demorado demais neste processo final. O ingresso custou 9 euros e vi que, às segundas-feiras, eles fecham às 15h30 horas. Daí que descobri que estava na Catedral de Sevilha, ou Catedral de Santa Maria da Sede. É a terceira maior igreja no mundo, e a maior no estilo gótico. 

Os detalhes em suas colunas e tetos são tão elaborados e delicados que lembram rendas ou tramas em linha.

As naves com as decorações religiosas são grandes e também cheias de detalhes. Observei que, mesmo sendo todas tão maravilhosas, as com maior quantidade de madeira exposta estavam disponíveis para o olhar e a aproximação.

Um trabalho prateado me chamou a atenção, e este tinha uma cerca de corda impedindo a aproximação.

O altar mor, todo banhado em ouro, é cercado por uma grade de madeira, que dificulta a visão e impede o acesso.

Minha conclusão: " Somos atraídos pelos brilhos, e eles valoram as coisas a medida que nos encantam mais ou menos."

Como sempre, o órgão de tubos me encanta.

O túmulo de Cristóvão Colombo, personagem importante na história de Sevilha e do mundo, é digno de sua importância.

E os forros, por vezes trabalhados em madeira, por vezes na pedra ou gesso, de longe não consigo definir os materiais, mas são preciosos.

Acho ostensivas as edificações das igrejas católicas destes períodos históricos, mais do que hoje. Mas, ao inseri-las no período em que foram construídas, elas nos trazem a história e a forma de pensar dos poderes dominantes, realeza, religiosos, nobreza. E como essa forma de construir afetava o povo, já que até hoje nos sentimos maravilhados. Elas queriam transmitir o poder da Igreja, um poder opressor. Até hoje elas também intimidam com sua grandiosidade.

Depois de perambular por entre tantas salas e o saguão principal fui a procura de um banheiro e passei na estrada da Giralda. É ela a torre da Catedral, sua subida é basicamente de passarelas, que possibilitavam inclusive, a subida de cavalos. Só os últimos metros são alcançados por degraus, Ela tem mais de 80 metros de altura e em seu topo há uma figura feminina com 4 metros, mas de lá debaixo parece uma miniatura.

Não queria forçar as pernas, mas quando soube que poderia voltar a qualquer momento da subida, fui, e não foi difícil, nem cansativo. Mas eles não permitem o acesso de carrinhos de bebê e cadeiras de roda.

No alto, junto com os sinos, podemos ver parte da cidade, inclusive do Alcazar, que se situa ao lado da Catedral.

E foi meu próximo destino. Já eram quase 14h30 e eu ainda não tinha comido nem bebido nada. E descobri que estou com uma hora a mais em relação a Portugal. A fila para entrar no Real Alcazar estava bem grande e eu não comprei com antecedência. Expliquei ao casal que estava atrás de mim, na fila, que ia comprar algo para comer. Não sei como eles entenderam porque não falavam nenhuma das línguas que conheço, português, espanhol, francês e inglês.

Sai da fila e comprei um único pedaço de pizza, que foi suficiente para aplacar minha fome e permitir que eu visitasse aquele real local.

O ingresso custou 11,50 e o Alcazar não é menos deslumbrante que a Catedral, seu estilo é uma mistura de árabe com renascentista, têm influência da religião católica e é uma mostra clara das várias culturas que dominaram a região ao longo do tempo. É considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Ele tem muitos azulejos mas que parecem vitrais por suas cores e desenhos. Os trabalhos nas colunas e tetos são tão lindos quanto os da Catedral, porém diferentes. E isso é muito bom porque nos dá a oportunidade de apreciar as diferenças e enxergar o belo mesmo quando não nos sentimos familiarizados.

Ele é muito grande, constituído de uma pavimento térreo, com várias salas e pequenos jardins, que se ligam por corredores dando a impressão de um labirinto. E uma nadar superior onde se encontrava uma expoisução de azulejos.

Depois de passear por seus aposentos, já me dirigia a saída quando vi um pequeno jardim e umas flores grandes que parecem lírios. Mas não conheço.

E saindo dali vi um corredor por onde não tinha passado. E fui parar na parte mais linda do conjunto. Os jardins. Entre les uma galeria, no alto, com várias janelas, de modo que, percorri a galeria e pude avistar ambos os jardins, uma de cada lado. Boa opção para quem não dispõe de muito tempo, ou em dias de chuva.

Quando desci, fui a cada um deles para ver como se enxerga a galeria dali. E uma brasileira fez uma foto minha contra um espelho d'água, a meu pedido.

Descobri também mais alguns recursos do novo celular, e dá para fazer selfie usando a quadrangular. Ficou bem legal. Me coloca longe, junto com o cenário.

Dei muitas voltas no quarteirão da Catedral, em um dos lados está cheio de carruagens que levam os turistas a passear.

Em outra face passa um trem elétrico, cujos trilhos não tem dormentes.

Fui em direção a Praça do Cabildo e a arena de touros, denominada Real Maestranza, mas estava fechada.

Depois fui procurar a Igreja de Santa Maria la Blanca. E quase passei por ela sem vê-la. Descobri depois que ela  fica quase ao lado do lugar onde estou hospedada.

Daí era hora de voltar ao estacionamento pois passava de 18 horas.

Mas quando chegava a ele vi outras torres e me dirigi a elas. Vi que saia gente por trás de uma cortina de plástico grosso e ingressei também. A entrada foi gratuita e a saída foi pelo fundo à esquerda, de modo que tive que fazer toda a volta novamente, passando por 'sei que lá' Adriático, para fotografar sua fachada. E concluo, pelo mapa, que era a Igreja do Divino Salvador.

Muito me impressionaram dois andores que nela vi. Nunca os tinha visto tão luxuosos e grandes.

E feita a volta... 

Não tendo almoçado, cheguei ao hotel exausta e faminta. Tomei um banho e sai para comer algo, por perto. Já eram quase 21h. Achei um bar com 'tapas', que é como chamam os petiscos que acompanham as bebidas. A tradição por aqui é pedir a bebida e ganhar os petiscos, que vão melhorando de qualidade quanto mais você bebe. Mas eu ia beber pouco e queria escolher minha comida. Assim pedi croquetes de rabito de touro e croquetes de queijo com presunto. Uma taça vinho tinto e uma água. Depois pedi mais uma taça de vinho e um salpicão de mariscos. Na verdade recebi uma porção de camarão e polvo ao vinagrete, com bastante cebola e pimentão. Recebi grátis, como 'tapas' de minhas bebidas, tremoço, que não gosto, e pão, que molhei no vinagrete e comi também.

Mas, como já falei antes, não gosto de sair durante a noite. O fato de estar sozinha já atrai olhares, nem sempre desejados, alguns críticos, outros desejosos... Ignorei e continuei comendo e olhando o celular.

E voltei para o hotel ainda para fazer postagem no blog, resolver algumas questões das próximas viagens e decidir se faço o roteiro de amanhã com o ônibus turístico ou não.

Em tempo, vir de carro é ótimo, dá muita liberdade. Mas vou pagar 25 euros por diária no estacionamento. Mais caro que a hospedagem minha.