Chegando a ILHA DA MADEIRA

19/12/2019

Iniciei minha nova aventura em Lisboa, depois de uma noite de chuva forte em Beja, coisa que ainda não tinha visto, forte e com ventos. Mas parou na hora certa, na hora de eu colocar o lixo fora e aguardar a chegada do táxi, abrindo o portão eletrônico.

Durante a viagem de ônibus até Lisboa pegamos trachos com chuva em várias intensidades, e alguma estiagem.

Tinha a intenção de olhar a decoração natalina em Lisboa, se o tempo ajudasse. Comi uma quiche e um pastel de nata e café com leite, quando cheguei às 13h30. Cheguei no hotel, depois de pegar o metro da Estação Jardim Zoológico até a Marques de Pombal e caminhar um quilômetro sem chuvas. Mas iniciou assim que cheguei, desanimando-me. Estava cansada depois de uma noite mal dormida com direito, inclusive, a pesadelos. E só sai, debaixo de uma chuva fraca, para ir ao mercado comprar água, castanhas e chocolates. No caminho vi uma cafeteria e resolvi comer qualquer bobagem para não ter que jantar. Arrependimento, escolhi um salgado e outro pastel de nata, além de um suco de pêssego. Além de estar frio e ruim, meu estômago que já estava estranho, se revoltou, creio que com o salgado. E, por fim, mais uma noite mal dormida.

Ansiosa que sou, às 8 horas já saia em direção ao aeroporto, para um voo que partia às 11 horas. Esperei quase duas horas. Mas vi um moço que chegou desesperado, correndo com suas malas, e não pode embarcar. O avião já havia fechado as portas. Esse estresse eu não gosto de ter.

Por volta de 10h10 resolvi comer algo, preocupada pois só chegaria à Madeira às 12h45 e estava programado um passeio antes do transfer. E num voo de só 1h25 o serviço de bordo é pago. Aliás, eles vendem até perfumes e outros artigos de free shopping. Depois de ter comido uma torrada com café e leite no café da manhã, comi um pastel de nata com um suco de pera. Não queria abusar do meu organismo.

E acabei sendo uma das últimas a entrar no avião, e mesmo tendo comprado uma passagem que dava direito a uma mochila além da mala de mão, já não havia local próximo para minha bagagem. Paciência! Não tenho pressa de descer. Ficarei 20 dias na Ilha e terei tempo, creio eu, de ver e rever muitas coisas.

Eu esperava uma condição de tempo ruim após ter visto as previsões, sendo surpreendida por um sol gostoso e até quentinho, com poucas nuvens. O Antonio já me aguardava, foi só mandar uma mensagem pelo What'sApp para ele encostar e, como eu previa, saímos para o Miradouro do Cristo Rei do Garajau. Segundo ele, este Cristo foi construído antes dos de Lisboa e Brasil. O diferencial deste é a localização, junto a uma ponta de terra que avança no mar, e onde podemos chegar por uma escadaria de pedra com corrimão de madeira que me fez questionar:

_ " Vale a pena ir até lá embaixo?"

O Antonio afirmou que sim, pois eu poderia apreciar a escarpa. E lá fomos nós. Ele na frente, e eu... bem atrás, fui tirando fotos e descendo na calma, para evitar acidentes.

E sim. Valeu a pena. É uma visão muito interessante, tanto a da escadaria e do Cristo, como observar as duas baías que se formam nas laterais da península. De um dos lados é possível observar até uma pequena caverna. E o colorido do mar. O sol prateando suas águas ao longe... E mais próximo do olhar, ele indo do azul profundo ao verde.

Agora, se na subida o Antonio estava a frente, na subida ele tinha tempo de esquecer-me, de tanto que me atrasava com falta de ar e nariz entupido. Não por gripe, mas pela rinite. No final da subida, uma lanchonete me salvou. Ali pude comprar um chá gelado e assuar o nariz.

A parte inicial do passeio programado para hoje foram os miradouros no caminho entre o aeroporto e a capital do Arquipélago da Madeira (região autônoma de Portugal), a cidade de Funchal.

Paramos ainda nos miradouros das Neves...

Do Padre Pita Ferreira...

Do Pináculo...

E da vila Guida.

Cada um apresentando um olhar diferente sobre a região costeira que abriga a cidade de Funchal, que, por se formou na baía acompanhando seu formato, e de cima ou do mar, parece um anfiteatro. A cada mirada mais vontade eu fui tendo de chegar e conhecer a cidade.

Fomos até o Stay Inn Funchal, onde iria me hospedar só no primeiro dia. Tinha reservado uma cama em um quarto com quatro pessoas. Seguindo conselho de minha prima, até comprei 3 protetores auriculares para distribuir aos colegas de quarto. Mas cheguei determinada a pedir um Up Grade. Já que estava muito cansada por duas noites mal dormidas e com um mal estar estomacal, queria me sentir mais à vontade. A hospitalidade da recepção foi admirável. Consegui um quarto com banheiro privativo por mais 11 euros. Valeu a pena! E o recepcionista ainda levou minha mala para o segundo andar. Meu quarto era numa espécie de sótão, muito legal. Um banheiro pequeno, mas funcional.

Acomodei minhas coisas e desci com a intenção de comer antes de iniciar o city tour. Ali pertinho tinha um supermercado Pingo Doce com restaurante, onde pude fazer uma refeição rápida no quilo enquanto o Antonio me aguardava.

E iniciamos nossa jornada pela bela Funchal toda enfeitada para o Natal.

Começamos pelo Mercado dos Lavradores que me fez pensar e comentar com ele sobre o Mercado de Aracaju. Eles têm o mesmo formato, com as lojas em torno de uma praça Central. No de Aracaju o andar superior é destinado a restaurantes. Aqui também tem lojas com artesanato e outros produtos locais. Na hora em que passamos, o mercado de peixes já estava vazio, sendo higienizado. Meu guia informou-me que ali acontecem apresentações de corais de Natal e outros, na tradicional noite do Mercado, que ocorre no dia 23 de dezembro.

O Natal e o Ano Novo são as festas mais tradicionais e importantes da Ilha da Madeira. E isso fica muito evidente ao andar pelas ruas, decoradas, onde todos transpiram o clima natalino. Até as pombas. Ancoradas junto à ponte elas se posicionam alinhadas, como que a imitar o festão com lampadinhas que estão logo acima.

Passamos pela principal rua de comércio e pela rua da Sé, onde, segundo ele, de hora em hora, durante a noite, as luzes piscam ao ritmo de músicas natalinas. Terei que voltar outro dia, no horário correto, para apreciar esta evolução. E explorar com cuidado cada local.

Nosso tour foi mais para localizar-me e oferecer algumas informações históricas sobre os lugares, os fundadores, os filhos da terra, então minha apreciação foi superficial e externa.

Uma coisa que me chamou a atenção nos prédios mais antigos foi uma pedra porosa e de cor escura que aparece em colunas e portais. O Antonio me confirmou que se trata de pedra de origem vulcânica, o que é natural. A utilização de materiais disponíveis na natureza. Isso acontece em todos os lugares, e torna as edificações únicas, caracterizando o lugar.

A Vila de Natal não é grande, mas é adornada com muito carinho e rende belas fotos e diversão garantida para crianças e adultos, com seu trenzinho e outros enfeites.

E o jardim Municipal é muito atraente, com fontes, árvores e flores,  E também tem uma parte enfeitada.

E mais além, no Parque Santa Catarina, a estátua do ilustre Cristóvão Colombo, que adotou estas terras ao casar-se com dona Filipa Perestrelo, filha de um dos primeiros capitães donatários da ilha.

E fomos achegando-nos à Marina, onde eu soube de uma aluvião que ocorreu em 2010, trazendo abaixo um grande volume de terra e destruindo a parte mais baixa do Funchal, desabrigando muitos e matando alguns. A terra que se alojou junto ao mar foi utilizada em forma de aterro e hoje é uma grande área de uso popular, um dos principais pontos de apreciação dos famosos fogos de artifício de celebração do Ano Novo ( que entrou no livro dos recordes em 2006).

Ainda passamos pelo Portão dos Varadouros, a reconstrução da principal porta de entrada da cidade, da época em que existia uma muralha de proteção aos ataques piratas, entre o Palácio de São Lourenço, e as Fortalezas de São Tiago e San Filipe. A reconstrução se deu para as comemorações dos 500 anos da cidade, bem como um cruzeiro que encontramos mais adiante, junto a um dos teleféricos.

Resquícios da muralha foram descobertos após a ocorrência do aluvião e podem hoje ser apreciados, valorizando a história da ilha que teve um papel crucial na época dos descobrimentos, devido à sua posição estratégica no meio do Oceano Atlântico, servindo até hoje como ponto de apoio para os transatlânticos.

Seguimos até a Fortaleza de São Tiago.

E subimos em direção a Igreja Nossa Senhora do Socorro, lugar de abrigo utilizado na primeira grande catástrofe da ilha, em 1803. Essa igreja, mais simples, me convidou a adentrá-la e seguir o meu ritual de agradecimento. Uma vezes lá dentro e cumprida meu desejo, observei uma similitude com a Igreja de Juquiratiba, local onde morei, no interior de São Paulo, pois nas paredes laterais caiadas de branco pude ver pequenos quadros da via Sacra, e me recordei de segui-la, num ritual religioso da época Pascal, juntamente com vizinhos e amigos praticantes da mesma fé religiosa. Quando sai e comentei com o Antonio sobre esta prática, ele me informou que fazem o mesmo por aqui. E posso dizer que eu já imaginava. Herança colonial, certamente. A mulher em frente a igreja parece estar fazendo pose para eu fotografar, mas não procede, foi só coincidência, ela não pousava para ninguém.

Em frente a ela tem outro Miradouro, e não fossem as nuvens, poderia ter apreciado um lindo por do sol. Só pude vê-lo a espiar por trás destas.

E descemos de volta para a região central passando pela parte velha da cidade e em frente aos restaurantes reservados pelo Antonio para que eu celebre as festas de Natal e Ano Novo.

Agora as luzes estão acesas, e o clima de festividades fica ainda mais tocante. São muitas luzinhas coloridas a iluminar as árvores, cordões de luzes sobre a Ribeira, enfeites pelas ruas. Acho que será um grande prazer caminhar por estas ruas nos próximos dias.

E enfim chegamos ao hotel, onde nos despedimos. Eu fui ao banho. E voltei ao 'Pingo Doce" para compra de shampoo e condicionador, além de jantar uma gostosa sopa de cenoura. Pensei até em ir ver e ouvir as músicas de Natal ali na Sé, perto. Mas estava tão cansada, desejosa mesmo de esticar meu nada delgado corpo numa cama aconchegante. Não quis nem conversa com o blog, nem com as redes sociais. Só um pouquinho de TV e soninho que amanhã tem mais.