CANAL DO PANAMÁ - UM MAR DE DINHEIRO

29/05/2019

Mesmo considerando o calor, dormi bem, peguei no sono no horário daqui, após publicar o relato de ontem, às 1h40,  e acordei no horário daí, às 7h 30 da manhã daqui.  Dormi pouco mas descansei bem e acordei renovada, pronta para conhecer a 'menina dos olhos' panamenhos, o Canal.

Minha roupa que lavei ontem no banheiro, secou toda. Já deixei a muda de roupa para hoje separada. O café continental é fica a disposição na varanda. Peguei um chá de maçã com mel e tentei me servir de água quente. O aquecedor de água estava vazio, de modo que o recepcionista abriu a torneira de abastecimento. Notei falta de água logo cedo, além de reclamar do chuveiro frio. Ele disse que é nornal cortarem o abastecimento a noite e de manhã vai chegando aos poucos devido ao grande número de prédios a serem abastecidos. Ele mesmo colocou água em minha xícara, mas como não encheu, repeti a dose e.... vazou. Só um pouquinho, mas a xícara ficou pelo topo, tentei dar uma pequena sorvida e sapequei minha boca. Passei o conteúdo para um copo maior. Servi-me de um pouco de café, peguei duas fatias de pão de forma e notei dois vidros grandes, um com algo vermelho, que comprovei ser geleia, talvez de morango, e outro com uma pasta bege escura, que achei ser doce de leite, repetindo os hábitos argentinos e chilenos, mas quando fui me servir já notei pela consistência tratar-se de pasta de amendoim, padrão mais americano de café. Abaixo, fotos da hospedagem, que estou considerando bastante satisfatória.

Ao terminar, solicitei um UBER para levar-me à Miraflores Locks, uma das eclusas dos quase 80 km da travessia do Canal do Panamá. Quando ele chegou para me pegar, notei pela primeira vez, a inexistência de plas frontais nos veículos, o que dificulta a confirmação do veículo chamado. Mas passei por trás e confirmei antes de entrar no mesmo.

É um pouco longe, o motorista era bem quieto e deixou-me na porta do Centro de Visitantes por US$ 6,00. No caminho pude observar onde vive a maior parte da população local, um tanto diferente do grande centro, como em toda grande cidade.

 Um ônibus de turistas após outro encostavam para descida dos passageiros, e subimos todos pelas escadas rolantes até a área de entrada. Eles com seus guias e ingressos já pagos, eu para a bilheteria, observando que havia uma promoção para compra de ingresso conjunto com o Biomuseu por US$ 30. Decidi neste momento incluir este passeio em minha programação, pois assim o custo foi reduzido em 8 dolares, pois só o Canal fica por $20 para adultos estrangeiros, e o museu por $18.

Quando entrei, como estava sozinha, fui orientada a ir direto ao quarto andar, de onde se tem uma vista aérea e panorâmica a partir de um grande terraço cercado por grades de vidro. Como um grupo de visitantes da melhor idade junto ao elevador estava alvoroçado, decidi subir pelas escadas. Cheguei junto com eles e ouvi parte da explicação de sua guia. Uma das senhoras se revoltou porque não iriam ver a travessia de nenhum barco, dizendo que era o ponto principal entre seus desejos de visita ao Panamá. A moça explicou que os barcos entram no Canal, na outra extremidade, por volta de 2h, e passaram por lá até umas 8h15 da manhã. Como a senhora ainda se mostrava brava, ela desviou a atenção atendendo ao questionamento de uma moça se aproximou. Ouvi a guia perguntar se ela estava no grupo e depois orientá-la a procurar o simulador no terceiro andar.

Continuei por ali tirando algumas fotos, sem acreditar na informação que não passariam mais barcos. Como assim??? Ainda era pouco mais de 9h da manhã, no auto-falante disseram que o tráfego diário é entre 35 e 40 embarcações. De repente avistei a moça que perguntara do simulador. Como estava próxima a mim, quis saber se ela já tinha ido. Começamos a conversar em espanhol até que ela perguntou-me de onde eu era.

_" Brasil!" com ênfase.

_" Ah. Eu também sou." 

Ela me disse que já estava há uns dias na Cidade do Panamá, final de sua viagem pela América Central, já tendo passado por Cuba, Costa Rica e Guatemala. Eu quis saber o que ela já tinha feiro aqui para recomendar, perguntei sobre as prais e ela disse que foi a San Blas. Falei-lhe sobre meu receio de enjoo por causa da estrada e do barco. Ela não tem este problema, disse que a estrada não é nada pior do que a estrada velha de Santos (ela também é paulistana e residente na Vila Mariana), mas disse que o barqueiro é muito estúpido no manejo do barco e no cuidado com os turistas, a não ser que você seja jovem e bonita. Contou-me que chegou toda molhada ao destino , inclusive sua mochila, pois o barco é simples e eles não ofereceram acomodação para a bagagem. Ela contratou um pacote de 3 dias e duas noites, acabou ficando dois dias e uma noite, pois foi instalada numa cabana com estrangeiros que só falavam inglês, e ninguém, nem o guia, tinha a preocupação de incluí-la na conversa. Isso só reforçou minha ideia de não visitar o lugar, pois estava receosa de me indispor e prejudicar uns dias da viagem desnecessariamente só para apreciar uma praia, sendo que posso visitar o Caribe em outra ocasião.

Conversa vai, conversa vem, fomos seguindo juntas pra ver o Museu dentro do complexo turístico de Miraflores, ver o simulador, e terminar tudo antes da sessão das 10h20 do filme sobre o Canal. Apesar de apresentarmos os ingressos na entrada do complexo, em cada atração ele é exigido novamente, acho que como forma de controle de visitação de cada espaço, já que o foco principal dos turistas é o terraço no piso superior, onde não é necessária a apresentação do ticket.

O filme iniciou às 10h30 como previsto, e já estávamos sentadas em nossos lugares, de livre escolha. Gostei muito do pequeno filme de 20 minutos, que mostra a história do Panamá desde a invasão espanhola em Namá, habitada pelos índios, passando pela construção do Canal, a separação da Colombia, o domínio americano do território do Canal, o período de repatriação do mesmo e todo o estresse e medo gerado durante a história deste país, até a modernidade e liberdade de hoje, mas apresentado sempre pelos olhos de personagens infantis, com uma sutileza amável para não afugentar os turistas opressores.

O Panamá obteve a independência em 1903. Logo depois pactua com os Estados Unidos a construção do frustrado projeto francês do Canal. Ele é inaugurado em 1914 (nome do Hostel em que estou). Daí em diante os americanos mantém o domínio por 85 anos só liberando-o em dezembro de 1999. Essa é uma fonte de riqueza inigualável. O processo consiste em elevar, através da eclusas, o nível do mar até 27m, altura do grande lago Gatún, para as embarcações passarem, e depois baixar novamente ao nível do mar do outro lado, no oceano oposto. Isso é feito ao longo dos 80 km e diversas eclusas. A de Miraflores, onde fica o Centro de Visitantes é bem próxima ao Oceano Pacífico e junto à Capital panamenha.

Antes de sairmos, resolvi perguntar no balcão de informações se tinham previsão de horário de passagem de mais alguma embarcação, ao que obtivemos uma resposta POSITIVA. Mas isso só se daria por volta de 13h45.  

_"Tem algum lugar onde podemos almoçar por aqui? peguntou a Sueli, o nome da minha companheira do dia.

_" Temos um restaurante, no terceiro andar, e uma cafeteria na parte de trás."

_ " Mas o restaurante é caro? perguntou ela.

E eu sugeri irmos a Albrook, o shopping onde ficam os antigos ônibus Diablos Hojos. Pelo horário, daria tempo de almoçarmos tranquilamente e voltarmos para a travessia. Ambas tínhamos o cartão para embarque no Metrobus, porém o meu sem crédito, porque a máquina só aceita cédulas e eu só tinha moedas pequenas. A Sueli tinha 3 dólares em notas, troquei um com ela. Mas a máquina ali disponível estava indisponível. 

Uns taxistas no pé das escadas rolantes nos ofereceram o serviço, queriam US$ 15, reduziram para US$10 e desistiram de nós quando informei nossa predisposição em gastar só os 25 centavos do ônibus. Percebi já que quando perguntamos onde fica algo, eles indicam com o braço adiante e respondem:

_" Allá."

Mas é muito indefinido este lugar, lá... lá aonde. Assim que avançamos além do necessário procurando o ponto de ônibus, e só pela percepção da Sueli, decidimos voltar e eis que um ônibus já estava chegando com passageiros. Era uma condutora, ou chofer. E indicou-nos para afastar-nos que já ia encostar o veículo mais a frente.

Meu cartão só tinha 5 centavos, mas passou. Descobri, ao recarregar, que ficara com saldo negativo. Ou seja, pode. Acho que, desde que tenha algum saldo positivo no mesmo. O ônibus foi se enchendo no caminho, muitos estudantes. Nosso destino era o ponto final.

Lá chegando, primeiro fizemos a recarga do cartão, com um dólar cada uma, depois fomos ao banheiro. Quero fazer menção ao papel higiênico na Cidade do Panamá. Até agora não houve uma lugar que o papel não fosse quase igual a um tecido, de tão macio, suave e espesso que é. Nenhuma possibilidade de furar durante o uso ;)

Antes tínhamos sido abordadas por uma moça num destes quiosques centrais dos corredores do shopping. Eu não entendia o que ela explicava até que compreendi que faziam uma avaliação da pisada da pessoa e vendiam palmilhas. Quis fazer o teste dada minha facite plantar e porque um amigo disse que passou num médico especialista que lhe recomendou o uso de palmilha e esta ajudou muito a reduzir diversas dores resultantes de pisada incorreta. A Sueli fez o teste e só apareceram uns pontos vermelhos que indicavam inflamação. Podia até ser pelo excesso de caminhada durante a viagem. O meu ficou um vermelhão só. Comprei as palmilhas por US$ 50 e ganhei outro para só para o calcanhar.

No segundo e último piso se encontra a Praça de Alimentação. Optamos por um a quilo por US$ 16 o quilo. Gastei US$ 12,36 na comida mais um copo de meio litro de chá. Cortei uma panqueca de ricota com ervas para me servir. A moça da balança disse que não podia pois ninguém iria querer o pedaço restante.  Fui lá e o peguei. Paguei e não comi, porque era muito pra mim e porque o recheio era muito picante para meu gosto.

Finalizado o almoço, passamos numa loja da Crocs e da Columbia, que são produtos do interessa da minha acompanhante, mas antes encontramos o King-Kong e não pudemos evitar o ressurgimento da criança interior, sem se importar com qualquer olhar reprovador para aquela cinquentonas (59 e 55). Eu fui encostar-me na mão do bicho e ela escorregou. Quase cai o que poderia ter gerado uma ótima foto de pânico. kkkk

Voltando para o terminal rodoviário, avistei o estacionamento de ônibus onde ficam também os Diablos Hojos. São poucos agora em circulação, por questão de segurança veicular e organização. Muitos estão se transformando em pequenos Pubs ou boates na região do Amador Caseway. Carregam consigo a cultura e tradição dos povos da América Central.

Chegamos ao Miraflores de volta exatamente às 13h45. Um navio acabara de passar, no sentido contrário ao da manhã. Mas outro se aproximava. E um veleiro, e mais um e mais outro. De modo que ficamos aguardando e vimos as duas linhas de comportas trabalhando em conjunto. Para quem conhece a eclusa de Barra Bonita em São Paulo, já terá uma ideia, mas amplie para mega dimensões.

Era do interesse de ambas visitar o Panamá Viejo, e um ônibus partia do terminal de Albrook, então retornamos a ele. Atravessamos a cidade já em horário de encerramento de expediente, e o trânsito já estava mais carregado. No caminho de ida vi novamente este imponente edifício em espiral, , o F&F Tower, ou popularmente, El Tomillo.

Chegamos após as 16h e já estava fechado. Atravessamos a via e pegamos o ônibus de volta, ela descendo antes, próximo a sua hospedagem, e já levando meu contato. Eu descendo na Avenida Balboa, bem perto do Hostel e já passando no mercado para comprar outro iogurte com abacaxi, desta vez, muito abacaxi mesmo. Comprei um abacate maduro para o café da manhã, uma espécie de Toddynho, um litro de suco e um pouco de presunto. Este foi meu jantar após o banho, frio novamente. Ninguém está se preocupando em ver o que ocorre. 

Dei um tempinho na varanda olhando minhas mensagens e salvando as fotos, terminei de arrumar-me e chamei o UBER para ir ao Hard Rock conceito da Cidade do Panamá. Entendi que eles ocupam vários andares de um prédio de 62 andares que também possui um luxuoso hotel, que não sei se tem ligação com o grupo, mas tem um mirante no último andar de onde se avista toda a cidade iluminada, ja que lá cheguei já eram mais de 20h. Tem um café no andar M1, tem um espaço de compras do Rock e vários andares com espaços e decoração ligadas ao mundo rock and roll.  Até os pisos brilham.

Depois de ficar maravilhada com a vista e tirar algumas fotos, pedi um Mojito de frutas e tomei sentada num cômodo sofá, apreciando a cidade lá embaixo, nervosa e iluminada. Desci fazendo fotos do local, inclusive da limusine diferente estacionada à porta. Pedi para o camareiro da entrada informação sobre o WiFi e ele informou-me ser livre e sem contra senha. O UBER da volta era dirigido por uma mulher, e tanto o da ida como da volta ficaram em US$ 2,50 cada.

Já estou cansada e ainda faltam colocar as fotos no diário. Mas vamos lá, já passa de meia noite.