Caminhando pelas ruas de GRANADA

20/11/2019

Depois de comer as sobras de ontem, morangos e mirtilos, pão com presunto serrano e queijo, e meio litro de suco de laranja, tendo levantado quase 10 horas da manhã e com a temperatura tendo atingido 1 grau por volta de 7 da manhã, me agasalho e vou caminhar, muito, mais que ontem.

Meu primeiro destino foi o ponto de Encontro junto a Alhambra, para marcar o horário para a visita ao Palácio amanhã. Esta visita tem limite de pessoas para visitação e é com horário marcado. Graças a minha amiga Cristina, que fez esta viagem no mês passado, comprei com antecedência e poderei visitar o Palácio.

São pouco mais de 1300 metros até o alto. Passo pela 'Puerta de las Granadas" e aí o 'bicho' começa a pegar. O Maps me indicou o caminho da direita, então fui pelas escadas. Por sorte são degraus amplos, e feitos de pedras pequenas, bem desenhados, que não ficam entortando o tornozelo. O caminho é lindo, por dentro de um jardim que parece floresta. Havia a opção de seguir pelo meio e caminhar na parte mais baixa, mas de qualquer forma, uma hora ou outra tem que subir.

Chegando lá me dirigi ao Pavilhão Geral que é onde vendem as entradas. A moça olhou o meu impresso e me disse que eu teria que ir a outro lugar, logo adiante, porque não comprei pelo site oficial, e sim pelo Get Your Guide.

Quando lá cheguei a mocinha olhou meu impresso e disse que eu tinha que voltar amanhã às 8h30.

_ " Mas no e-mail está escrito que tenho que vir um dia antes para marcar o horário do Palácio."

_ " Ah, mas isso mudou. Basta telefonar."

Eu sei que uma opção era telefonar, mas como se entender por telefone numa língua que não tem pleno domínio. Além disso já sondo o lugar. Mas como falei de marcar o horário ela foi olhar uma lista e disse que eu estava agendada para às 9h30.

Resumo da ópera:

Se vierem a Granada, a Alhambra e o Palácio são os destaques imperdíveis. Então comprem antes os ingressos, mas usem o site oficial, assim vocês mesmos poderão ver os horários disponíveis e fazer sua opção.

https://tickets.alhambra-patronato.es/

Terei que levantar às 7 horas da manhã, com uma temperatura prevista de 3 graus para chegar até 8h30 no local, pegar meu ingresso e me dirigir ao Palácio Nazaríes antes das 9h30.

Decidi ir de carro. O valor máximo é de 19 euros. Depois pretendo ir até a La Cartuja, que é no alto também, de carro. Já andei muito hoje.

Resolvi voltar pelo lado contrário e quando percebi, a pista de carros ficou no meio de novo. Ou seja, são 3 caminhos. Mas por este passei por algumas rotas de água. E pela Puerta de la Justicia.

Um Miradouro que não vi ontem estava ali perto, me embrenhei pelas ruelas e fui até o Miradouro de La Churra. Ele é interessante porque fica aos pés de Alhambra, então vê a cidade ao inverso do que a maioria dos Miradouros da cidade.

Confirmei o caminho com um morador, da terceira idade, que arfava ao voltar para casa após a compra do pão.

Muitas das ruelas e escadinhas são só para pedestres.

Daí desci tudo e fui parar quase no hotel, no Corral do Carbón. Trata-se de um dos monumentos andaluzes. Este não tem ingresso. Só podemos ver seu pátio. Mas ele é utilizado para espetáculo e outros eventos. E na parte superior funcionam escritórios oficiais.

Bem ao lado dele tem uma cafeteria Rei Fernando, eu ia passando direto mas o colorido dos lanches e doces me fez retornar. A porta automática não abria, aí chamei a atenção de uma casal que estava tomando seu café junto ao vidro e o senhor, simpático, foi lá e fez a porta abrir. O garçom explicou que o sensor está alto para que não abra com qualquer pedestre que passe pela calçada.

Pedi um bocadillo de Queijo, que nada mais é que um sanduíche de queijo, presunto, folhas e etc. Ele aquece o pão. E um chá vermelho. Você acredita que existe bocadinho de batatas? Pão recheado de batatas cozidas e temperadas, parecia frango. 

Depois pedi para a garçonete me dizer qual era o doce mais gostoso, porque com tantas possibilidades, muito difícil escolher. Ela indicou-me o Rei Fernando de Mirtilos. Leva o nome da casa. Então deve ser bom mesmo. E era. Parece uns pequenos rocamboles cortados e colocados em pé, uma ao lado do outro, sobre eles é jogado uma calda de caramelo e um creme de confeiteiro. E sobre tudo vem uma cobertura tipo cheesecake com mirtilos. Simples. Uau! Pedi outro chá, desta vez Granadino.

E sai feliz rumo ao Bañuelo. 

O segundo dos 4 monumentos que compõe a rota de monumentos andaluzes considerados Patrimônio Mundial da Humanidade. Esta fica na parte mais baixa da cidade, é composto de 3 salas que, a saber, eram para banho frio, cálido e quente.Estima-se que foi construído no sáculo XI por sua tipologia, ou antes ainda. Em seu teto existem elementos vazados cobertos com vidro. Quando saía perguntei à recepcionista se era possível vê-lo desde o alto. Ela disse:

_ " Hay uma teteria arriba de onde se puede ver."

Sim, as teterias são comuns por aqui, e recomenda-se frequentá-las. São casas de chá. E essa, por sinal, com uma decoração belíssima e uma vista privilegiada. Comprei só uma água já que acabara de tomar chás e comidinhas no Rei Fernando.

A Casa Horno de Oro era uma casa morisca consturída no final do século XV. É impressionante observar nas estruturas de madeira, até os caibros são desenhados e pintados. Tudo leva atenção. Como um verdadeiro serviço de artesão.

Também perguntei se era mais curto o caminho para o Palácio era mais curta por dentro ou por fora. Como ela viu que eu estava usando o Google Maps recomendou-me ir por dentro. Imperdível, assim pude caminhar por vielas, escadarias, e observar toda sorte de casas e seus arranjos florais que surgem pelos muros, já que a maioria não tem jardim e nem quintal.

Mas meu primeiro destino era o Miradouro de San Nicolas, onde havia um grupo grande de pessoas, a maioria jovem, conversando e admirando a vista. Foi minha primeira mirada à Serra Nevada desde que cheguei à cidade, que por ficar numa baixada, cercada de altas edificações, não permite a visualização. Mas não a melhor vista da mesma.

O último monumento é o Palácio Dar al-Horra, que foi residência da sultana Aixa, mãe de Baabdil e esposa de Muhammad XI. Nela encontramos algumas informações sobre as técnicas de construção, plantio e irrigação dos árabes, inclusive praticadas na Alhambra. Tem uma torre alta de onde se tem uma bela vista panorâmica. Foi sede também de um monastério até passar às mãos do estado e ser restaurado.

Quando sai dali por uma das estreitas vielas, com passagem de carros permitida, e até estacionamento. Era de mão única e para baixo não sai em lugar nenhum, de modo que, os carros que ali estacionam, obrigatoriamente, tem que sair de ré. E um carrão saiu de sua vaga, entre outros dois carros, e o hábil motorista teve que fazer mil manobras para, primeiro ir adiante no diminuto espaço, ajustar o carro e passar pelo entre o carro de trás e o muro. Sem mentira, sobrava uns 5 centímetros de cada lado. Tanto que, depois de tanta perícia, num descuido ele bateu o espelho retrovisor, de seu lado, no muro. Ainda bem que só rancou a capa. Mas uma pedestre, que o conhecia, puxou com o cabo de um guarda-chuva a peça, senão ele ia passaer por cima. Dirigir por aqui tem que conhecer bem as dimensões de seu carro, senão fica todo ralado.

Hora de conhecer o Miradouro mais famoso de Granada. E por um bom motivo: - dele se avista perfeitamente toda a Alhambra assim como a Serra vizinha à cidade, e a cidade aos seus pés. O Miradouro de San Cristóbal, junto a Igreja e passeio de mesmo nome. Ali pude sentar-me na amurada e balançar um pouco as pernas para relaxar.(vídeo no Facebook - Meyre Lessa)

Eu tinha outros miradores para ver, mas cansei e resolvi pular direto para a Puerta de Elvira, já na parte baixa. E de lá do Paseo San Cristóbal nascia uma escadinha, que ora era larga, de degraus suaves, ora era estreita e cheia de grafites. Tinha até poltrona estragada no caminho. E muito vidro quebrado, principalmente de garrafas. Imagino que durante a noite não deve ser muito bem frequentada. Mas confesso que, apesar da dor nos joelhos e do cuidado que tive para não rolar escada abaixo, é um lugar muito bonito e interessante. Num dado momento eu senti que meu joelho direito começou a falhar. É um problema genético acentuado pela queda e pelo cansaço. Ele simplesmente não trava. Parece que dobra ao contrário.

A Porta de Elvira já é lá embaixo, na planície do vale. E estava a um pouco mais de um quilômetro do hotel. Decidi ir para este em seguida, deixando o jantar para depois. 

Fui ao banheiro, fiz uma pequena carga no celular, descansei um pouquinho e sai novamente, com fome, e sem querer ir muito longe. Na Calle Gran Via del Colón encontrei a Bodega del Toro, com um cardápio do dia por 9,95 euros, e na Europa se volta até 1 centavo de troco.

Pedi como primeiro prato espagueti napolitano, que veio com molho de tomate ao sugo. No segundo prato pedi almôndegas com molho ao sugo também e batas pobres. Bebi uma taça de vinho tinto e ainda tive direito a uma torta de chocolate como sobremesa, tudo incluído neste preço. Os pratos não eram grandes, e nem precisavam. A comida estava gostosa e foi mais que suficiente. Mas eu precisaria comprar algo para o café da manhã, afinal, vou ter que levantar-me às 7 horas. Arghhh!

Não achei nad no caminho, então comprei uns encantadores torrones. A loja, especializada neste artigo, apresenta diversos sabores destes, além daquele conhecido com amendoim ou amêndoa, com a massa branca feita de clara de ovo, mel e açúcar. É a loja da Torrons Vicens, que os fabrica desde 1755. A especialidade da casa é um feito de gema e laranja, e que foi o que mais me chamou a atenção por sua coloração caramelo, Entrei e provei também o de chocolate trufado, feito com chocolate 70%. Resultado, comprei ambos, por um preço individual de 7,95 euros, nas barras de 300 gramas cada.

Tinha água suficiente no quarto. E assim voltei para tentar publicar o post do dia anterior, já que fiquei sem Wi-Fi e dormir cedo.