BADAJOZ, na divisa geopolítica, mas na mistura cultural entre Espanha e Portugal.

27/11/2019

Amanheceu chovendo e isso me convenceu que não deveria ir ao Circo Romano. Por tudo que pude ver até agora, me parece que ia pisar um pouco de barro e me molhar. Se não é para ser...

O caminho até Badajoz leva menos de uma hora. Eu fui direto ao hotel e observei que era uma rua só para pedestres. Procurei um estacionamento a menos de 300 metros de distância. E quando lá cheguei o tempo já estava melhor. Levei minha bagagem 'numa boa'. Cheguei por volta de meio dia e o quarto já estava liberado. Considerando a relação custo/benefício foi o melhor local até então. Um quarto com banheiro privativo, ambos de bom tamanho, com mesinha de trabalho, um excelente box, que deu até gosto de tomar banho. Wi-Fi rápido, boa iluminação, boa localização, e por um custo extra de 3,50 euros, ainda tomei café da manhã. A diária do apartamento foi de 28 euros, eles têm estacionamento, mas já estava lotado.

Deixei as malas e fui aproveitar a tarde, pois a previsão era de chuva a partir de 16 horas.

Fui em direção à Catedral de San Juan Baptista e na praça em frente estavam montando as últimas luzes de Natal, já que está previsto para o dia 29 o acendimento das mesmas por toda a cidade.

E desci em direção à Praça de la Soledad, onde encontrei o edifício La Giralda, vermelho e chamativo na esquina em frente a Igreja de Nossa Senhora da Soledad. Quando ali chegava uns pingos começaram a cair e eu fiquei chateada com a previsão do tempo. Aquilo não estava nos meus planos...

Primeiro entrei na Igreja Nuestra Señora de la Soledad... A Santa me olhava assim, como querendo conversar. Tive uma boa conversa com ela. Estava chovendo forte quando sai, de modo que tive que esperar um pouco à porta . E assim vi esta placa. 'Besame em esta esquina'. Inspirador. 

A chuva diminuiu e eu continuei meu caminho. Um pouco antes da Praça de Espanha eis que surge o sol, mas continua a chover. Lembro-me de uma rima de criança: "Sol e chuva, casamento de viúva. Chuva e sol, casamento de espanhol." Será?

Na caminhada cheguei até a Plaza Alta, onde imaginei que tivesse restaurantes. Não os encontrei ali, em compensação é um local pitoresco. Parte dele com uma construção no padrão das praças maiores, prédios com estabelecimentos comerciais no térreo, e em cima, apartamentos ou escritórios. E no restante a pintura do mesmo tipo de edificação. Chega a parecer real conforme a iluminação.

Por trás dela está a Alcazaba, mas eu ainda não sabia disso. Fui vendo aquelas torres e muros altos e me encaminhando conforme a orientação do Maps. Sai num estacionamento. Circundei-o.

Passei perto de um edifício que parecia um Museu, e vi umas escadas que levavam a um caminho junto ao muro. Quando estava la em cima é que me dei conta que abaixo estava a Plaza Alta. Passeei por ali e achei que ainda não tinha encontrado a entrada da Alcazaba. Mas uma moça surgiu de um estreito que levava à cafeteria e seguiu bordeando o muro. Como eu não queria café, fui no mesmo sentido que ela.

Pois a Alcazaba foi o ponto alto da visita a Badajoz. Continuei andando pela amurada, passando por escadas, observando o rio Guadiana, vendo as pontes romanas, as pontes de carros, e mais muros, mais escadas...

Em alguns trechos pequenos eles fizeram a passarela com grades de ferro, o que dá uma certa agonia em olhar para baixo, mas, no fim, dei a volta inteira e cheguei à cafeteria, passei ainda pela Universidade de Extremadura, pela biblioteca e cheguei finalmente de volta a origem. Sem pagar nada, rodeei aquela imensidão de terreno, só receosa por não ver mais ninguém por ali. Estou ficando velha e penso: "E se eu cair? Escorregar? Até aparecer alguém para me ajudar..." Por uma lado isso é bom porque me torno mais cuidadosa. Por outro é uma neura sem cabimento.

O prédio que identifiquei como Museu é o Palácio dos Condes de la Roca e abriga o Museu Arqueológico Provincial.

Esta é considerada a maior Alcazaba da Europa, com 200 x 400 metros. Foi erguida no século IX em torno da cidade muçulmana.

Devo então ter andado mais de 1 quilômetro pelas muralhas da Alcazaba (em português=Alcáçova).

Depois de toda essas andanças, agora estou com fome. E volto a Praça San Juan onde existem umas cervejarias. Escolhi a que me pareceu mais limpinha e clara. É bem descolada, com banquinhos, e um cardápio imenso. A maior parte de lanches e petiscos. Eu tinha que escolher, anotar num papel e entregar no caixa, onde seria cobrada e aguardaria ser chamada pelo nome para entrega do pedido. Parecido com as redes de 'fast food', com exceção a esse lance de anotar o pedido. E era para por o número. Eu nem enxergava o número. Coloquei o nome do lanche que eu queria, do suco, e um pão de chocolate recheado de doce de leite. O lanche veio com batatas fritas e nem lembro o que tinha dentro, mas foi o melhor pão que comi em toda a Espanha. Mas, notem, eles estão colados em Portugal. O pão de chocolate tinha só uns 5cm de comprimento por 3cm de largura. E pouquinho doce dentro. Ainda assim estava bem gostoso.

Como comprei num mercado express do Carrefour duas barras de chocolate e um pacote de salgadinhos, ainda tinha água e chá no quarto, considerei suficiente para o jantar. E as 15h35 minutos, sob os primeiros pingos de chuva, cheguei ao hotel.

Da mesma forma que em Mérida me propus a ver o restante das atrações se o tempo amanhecesse bom. Estava no quarto e ouvi o barulho de água. Achei que fosse do chuveiro ou da torneira pingando. Mas que estranho, começar a pingar de repente. Quando levantei-me da cama para fechar a torneira do banheiro que percebi que era barulho de chuva.

Mas pela manhã não chovia. Levantei-me às 8h30 e logo fui tomar café. Na mesa, ao lado da minha, uma família com 2 senhoras e um moço conversavam.

Quando eu ia saindo perguntei-lhes:

_"Brasileiros ou portugueses?"

_ " Brasileiros, de Florianopolis. E você?"

_ " Sou de São Paulo."

_ " Chegamos ontem à noite, o que você recomenda aqui."

_ " A Alcazaba. Dá para circular o muro todinho."

_ " Mas é ruim para minha mãe."

Olhei para a mãe dele, pareceu-me mais jovem que eu. Mas disse-lhe:

_ " Vocês podem olhar juntos uma parte, e depois ela fica na cafeteria enquanto você faz o percurso, se lhe apetece assim."

Desejei-lhes bons passeios. Eles vieram de Évora e pegaram chuva. E pretendiam ir a Mérida e depois Sevilha. E ainda queriam fazer o Norte de Portugal. Às vezes programamos lugares demais em pouco tempo e não conhecemos quase nada de tudo. Eu gosto de explorar um pouco mais...

E o dia amanheceu claro e até limpo, então é para ser.

Sai em direção ao BBVA, que foi a única referência que peguei do estacionamento, que não tinha tíquete impresso, já com minha bagagem. De tanto lugar que passei, já me parece tudo igual, e não sabia onde tinha deixado o carro. Imaginei ser no primeiro subterrâneo. Comecei a passear com a mala, pois as vagas não são numeradas. Por sorte, ou proteção, não demorei a achar. E quando achei, vi uma placa luminosa que iria usar como referência, se tivesse me lembrado dela. Kkkkk

Estava na Praça San Antón, muito bonita e florida.

Deixei minhas coisas e fui para o passeio San Francisco, onde também se faziam os ajustes finais para a Feira de Natal.

Ali tem uns bancos com azulejos que contam a história do descobrimento do México. Bonitos e coloridos.

Desci em direção ao Rio Guadiana pois queria conhecer a Puente de las Palmas, a Puerta com o mesmo nome e o Hornabeque, do outro lado. No caminho passei pelo lindo jardim Castelar, mas não entrei.

Acho que a ponte de pedestres tem uns 500 metros de extensão. E no rio é possível avistar aves pescadoras. Nas duas margens tem parques gramados, com parques de diversão infantil, aparelhos de ginástica, trilhas de bicicleta e caminhada.

De lá também avistei a Alcazaba. Enorme, como tinha visto logo ao chegar. 

E fiz um vídeo da minha sombra andando sobre a ponte, vejam lá no Instagram ou no Fazebook (@lessa meyre ou Meyre Lessa).

E cumpri minha programação de modo que já podia voltar e seguir viagem. Mas passei em frente a umas lojas. Se encontrasse meias, pijama e camisetas manga longa...Achei nesta ordem mesmo.

Na loja de pijamas a proprietária começou a conversar comigo, oferecendo pijama quando escolhi uma camisola. Expliquei para ela que não era para dormir, e sim para vestir-me antes de deitar ou quando levanto. Ela admirou, pois disse sentir muito frio e dormir com uma meia calça sob o pijama.

_ " É que estou na fase dos calorões..."

Aí ela perguntou minha idade, mas achou que eu tinha uns 10 anos a menos. Ela disse que tem 61 e entrou na menopausa logo após uma histerectomia com retirada de ovários inclusive, aos 42 anos. E conversamos bastante sobre saúde, ela querendo me indicar um café emagrecedor. Depois falou sobre acreditar na energia das pessoas, na não casualidade, e na relação dos sentimentos com as doenças. É impressionante como nos encontramos com as pessoas que vibram parecido conosco.

Achei tudo que precisava. Dirigi-me ao estacionamento, coloquei o número da placa de meu carro na máquina e pageui 17,10 euros.

E Évora fica só a 70km de Badajoz, mas de estrada, sem pedágio são 120km. Ainda assim cheguei aqui por volta de meio dia e meia. Parei no caminho só para abastecer.

E depois eu conto como está sendo em Évora..