BERGEN - 3 DIAS

09/09/2019

Domingo

A cidade de Bergen é pequena se considerarmos as atrações. Ainda assim, é a segunda maior da Noruega com uma população de 250 mil habitantes, tendo sido capital do país até 1299.

A minha ideia inicial era passar aqui 2 dias inteiros e uma noite, mas quando fui comprar a passagem de retorno, de trem, constou como indisponível para o dia 9, de forma que aqui ficaremos por 3 dias inteiros, o que nos possibilita um pouco de descanso e aproveitar para atualizar o blog já que o WiFi daqui é excelente. Aliás, gostei muito deste hostel também.

O domingo foi bem complicado. Fiquei esperando a Elisabeth conforme o horário combinado no dia anterior, já que ela disse que o ônibus passaria 9h15. No meu hostel não tem café. A Mônica perguntou-me sobre local para tomar café e eu disse que ainda não sabia, esperava minha companheira só para 9h30. Ela se foi sozinha para seu café e eu continuei a escrever até dar o meu horário. Pouco depois recebi uma mensagem da Elisabeth dizendo que desceu de táxi para o novo Hotel e que já tinha tomado café divinamente. Localizei um café a pouco mais de 100 metros do hostel e fui para lá. Continuava sem dados móveis, mas a cafeteria tinha WiFi. Mandei minha localização para que ela me encontrasse ali. Tomei meu café e não tive mais nenhuma notícia. Avisei, tudo pelo What'sApp que eu estava indo então para a igreja que viramos no dia anterior, próxima ao restaurante indiano. 

Na igreja entrei, orei, fotografei, e nada dela. Não tenho muita paciência para esperar e segui adiante a procura do Museu Hanseático. Ao chegar à port de um Mac Donald's vi que tinham WiFi aberto. Entrei, fiz o acesso e perguntei por ela. Estava na igreja, mas em outra. Mandou-me foto da igreja de São João. Nem imagino onde seja. 

Falei que estava no Mac e ia esperar. Fiquei mais de meia hora de bobeira, entrando e saindo da loja porque o sinal de internet caía toda hora. Daqui a pouco ela me manda foto dizendo que estava no Mac, mas descobrimos que em outra unidade. Passei-lhe o endereço do Museu Hanseático e fui para lá. Só que o mesmo estava em reforma. De novo, esperei uns 15 minutos e nada, dessa vez eu não tinha internet para avisá-la. Segui para a Igreja de Santa Maria.

Pelo caminho fui observando vários grafites, principalmente do Troll. Os estilos de construção, a pavimentação das ruas, as montanhas em volta, a grande quantidade de bicicletas para alugar podem dizer muito sobre os hábitos e jeito de viver da gente do lugar.

Passei por umas casinhas de madeira, coloridas, bem bonitinhas. Mas segui em frente aproveitando o percurso já traçado no Google Maps. A igreja estava com um aviso na porta pois se realizavam os serviços dominicais, naquele horário, a santa missa. Pediam para não serem perturbados. Tirei fotos externas e voltei para as casinhas.

Quando passei pelo portão de entrada vi uma placa que dizia Museu Hanseático. Fiquei até brava com o Google pois me encaminhou para um lugar completamente diferente. Entrei e achei o local de venda de bilhetes e informações. Pedi o Wi Fi e comuniquei-me com minha colega. Aí ela me ligou. Falou onde estava e a atendente me deu as dicas, em espanhol. Ela foi se movimentando e disse ter chegado numa igreja católica pois viu uma cruz. Perguntei se tinha uns túmulos em volta e pedi que aguardasse lá que eu iria ao seu encontro.

Enquanto isso, ela que não sabe inglês, não olhou a placa e entrou na missa mesmo. Tirou fotos e saiu, ficando a me esperar. Encontrei-a e voltamos ao  Museu Hanseático, que na verdade não fica naquele local. O Museu está mesmo em reforma pois sua fundação está comprometida, e precisarão suspender 1 metro o nível do chão. Sua instalação provisória está dentro do casario denominado Bryggen que pertencia à Liga de Hanseáticos, comerciantes de origem alemã que aqui se estabeleciam intermediando o trânsito de bacalhau da Noruega para o mundo e trazendo grãos para alimentar os noruegueses. 

Compramos o ingresso para a sessão guiada em espanhol que iniciaria às 13 horas, pagando 160 coroas cada e tendo direito a visitar as instalações da vila, ao guia e ainda o ingresso no Museu do Peixe, em até dois dias, com transporte gratuito até lá. Nosso grupo era composto somente por 4 pessoas. 

A guia explicou quem eram os Hanseáticos, e a importância que tiveram na economia e cultura local. Só homens vinham para Bergen. Tinham um nível hierárquico bem restrito, sendo divididos em   comerciantes, administradores, capitães e aprendizes. Os aprendizes eram garotos entre 13 e 16 anos selecionados com base em indicações que vinham sozinhos para aprender um ofício na esperança de se tornarem comerciantes um dia. Achei interessante ela dizer que os administradores tinham a obrigação de cuidar das finanças, de todo o pessoal, dos documentos e de contar aos comerciantes, que ficavam a maior parte do tempo na Alemanha o que acontecia ali. Eram os contadores então. Ficou mais claro o sentido da função do 'Contador' e porque seu nome assim foi atribuído.

Mostrou-nos o Bacalhau Rei, que tem uma má formação genética no crânio, que forma um pequeno caroço, comparado a uma coroa. Entre os locais tinham o costume de pendurar estes diferenciados, já secos, no teto das casas para trazer sorte. O que ela nos mostrou já foi ressecado há 100 anos. E disse ainda que um bacalhau seco se conserva por 300 anos. Uau! E vi a cabeça do bacalhau, hahaha.

Disse que parte da vila foi consumida por um incêndio no início dos 1700, e parte se conserva como originalmente. O solo é instável por conter muita água e cinzas, o que faz com que as bonitas casinhas coloridas de madeira estejam desalinhadas. Contou-nos sobre a técnica de construção, com as tábuas inclinadas que ajudam tanto para escorrer a neve como facilitam a troca e reposição quando por ação da umidade e do tempo se deterioram. Madeira, como já disse antes, é um item de fartura por aqui. Pedra também, mas de mais difícil utilização.

Mostrou-nos na área externa, umas cabeças que identificavam o comércio para os barcos. O canal chegava até a beira das casas naqueles tempos. Os pescadores do norte vinham com a descrição para entrega, por exemplo, na casa vermelha com a cabeça de cervo dourada, ou do unicórnio.

Apesar de só virem os homens para cá, eles eram proibidos de se relacionarem com as mulheres locais. Mas difícil contê-los, de modo que prostitutas se instalavam ao redor da vila, e vez por outra ainda nascia um filho bastardo de alguma aldeã.

Eu que gosto muito de história fiquei muito agradecida por esta oportunidade, não estava em meus planos. 

Um bacalhau rei entalhado em madeira é alvo das fotografias no pátio interno.

Uma casinha de madeira foi uma sobrevivente no grande incêndio do início do século XVIII, e o chão vermelho mostra até onde chegou o fogo.

Fomos ainda para a parte que foi transposta referente o que chamavam de área comum, a única onde era permitido o uso controlado de fogo, para evitar incêndios. Imagine, neste frio, naquela época, não ter fogo para se aquecer. Nestas salas onde se reuniam para conversar e se aquecer, pelo fogo e pelo calor dos próprios corpos, era certamente um dos poucos lugares agradáveis para se estar. Sua recriação é baseada nos relatos e documentos encontrados, não representando réplicas exatas.

Na rua ainda algumas construções no tijolos vermelhos e algumas casinhas mais novas, posteriores ao grande incêndio mas ainda da época dos hanseáticos abrigam restaurantes e são bem badalados.

Passamos pelo banheiro e fomos para a Fortaleza. Diferente das que estou acostumada, mas com bonitos jardins e uma bela vista do canal e dos grandes navios atracados.

De repente a Elisabeth deu um grito. Até me assustou. Percebeu que não carregava mais a sua blusa de 60 euros que estava no braço por causa do sol, e ela tinha outra por baixo. Fizemos todo o caminho de volta, perguntando em cafés e nos centros de informações se alguém achou. Acho que inconscientemente ela a perdeu para poder comprar outra que, desde Portugal, era a que ela queria de verdade. Assim, como não a achamos, entramos numa loja onde o atendente é brasileiro nascido em Minas e sem nenhum sotaque, o que é verdadeiramente admirável, mas descobrimos depois que saiu de lá com 8 meses, morou no Peru, pois sua mãe é de lá, na Suíça, na França, voltou para o Brasil mas para o Rio Grande do sul e agora esta aqui, e só tem 26 anos. Sua mãe ainda o acompanha, e minha colega disse que ele é casado pois viu uma aliança no dedo dele.

Aliás, ela é detalhista. Já viu várias coisas no chão como um chaveiro, uma chiquinha de cabelo, e detalhes de roupas, lugares, miudezas da vida. Eu sou mais generalista, não sou muito atenta aos detalhes.

Ela comprou uma blusa mais longa, recheada de penas de ganso, em azul marinho, com capuz, muito bonita, por 100 euros. Só tinham duas cores e nesta hora eu avisei que já ficava com fome e irritada. Não sou agradável com fome, quem me conhece bem, sabe.

Ali mesmo em frente ao Bryggen pedimos nossa refeição. Ela uma salada e um suco de laranja. Eu peixe frito com batatas e uma cidra. Estou tomando pouca água e comendo muita batata. Isto não é bom para meu organismo.

Troquei uma parte da programação e seguimos para a Igreja de São João, já que não daria tempo para ir ao funicular. A igreja que ela já tinha conhecido e era próxima ao seu hotel. Para lá chegar passamos por um calçadão cheio de esculturas e jardins.

Uma escadaria de tirar o fôlego e chegamos de novo na hora da missa, mas nessa não tinha nenhum recado e resolvi participar. Sentamo-nos atrás e acompanhamos sem entender uma palavra, mas é uma igreja católica aparentemente russa, pois a única imagem era a do próprio São João e em foto, enquadrada, com o já vi na igreja russa do Bexiga, em São Paulo.

A pequena comunidade que celebrava a missa me fez lembrar de Juquiratiba, onde vivi, no interior de São Paulo. Um número pequeno de pessoas mas feito uma família, que se cumprimentaram um a um na paz de Cristo e depois receberam a comunhão na forma do pão e do vinho (carne e sangue de Jesus para os católicos). Foi uma boa lembrança. Não comungamos, achei que o padre só consagrou a quantidade suficiente para os presentes no início da missa, o que não foi nosso caso.

Já do lado de fora, pensei em fazer o caminho direto para meu hostel, mas precisei ir ao banheiro e o da Elisabeth estava mais próximo. Providência divina como eu diria. Quando chegamos lá a recepção já estava fechada, domingo... Mas havia um recado para ela na porta dizendo que enviaram um e-mail com os procedimentos. Só que no meu e-mail, pois foi no meu aplicativo que reservei o hotel para ela. E por sorte o e-mail tinha sido carregado em algum lugar com WiFi. Consegui abri-lo e obter a senha para abertura da porta, bem como a senha da porta do guarda-chaves logo adentro. A recepcionista teve o cuidado de mandar o e-mail em dois idiomas, português e inglês. No de língua inglesa obtive a senha do WiFi para carregar o meu caminho de volta. 

Deixei-a dentro de seu amplo quarto com cama de casal para que se acomodasse e dormisse sossegada.

No meu caminho de volta ainda passei por uma bela praça...

E um outro lago onde na terça feira visitaremos os museus Kode 1 a 4, antes de nossa partida.

Quase chegando ao Hostel vi um mercadinho onde adquiri marshmallows, chocolate e uma caixa de leite de coco, que espero que não seja o de uso culinário, além de um suco com Aloe Vera. Por que nunca encontrei deste suco no Brasil?

Já no hostel, me dirigi ao quarto, que estava vazio, as outras meninas ainda estavam na rua, mas já estamos em menor número. Sete ao todo. Comecei mexendo no blog e depois fui tomar banho antes que as outras chegassem. 

Continuei trabalhando no blog (vejam o verbo que empreguei, para que ninguém diga que estou aqui só passeando), e quando chegou 22 horas já apagaram a luz, mas muito cedo. Fiquei só com a luz de minha cama, que é bem forte, sentada na poltrona ao lado e escrevi ainda até às 23 horas. Depois, como não consegui carregar as fotos, desliguei a luz e fiquei usando o celular mais uma meia hora, quando resolvi definitivamente dormir. Como andei mais de 5 km durante o dia, consegui dormir muito bem, novamente. O ar-condicionado fica ligado durante todo o dia, o que proporciona uma temperatura agradável para dormir.

Segunda

Depois de tanta confusão para nos encontrarmos ontem, hoje deixamos melhor combinado. Em frente ao Mac Donald's junto ao lago às 9h30. Estimei que no hotel dela teria café e saí mais cedo para tomar café no Starbucks, bem juntinho ao Mac. 

Lá chegando pedi um combinado, pelo menos era o que me parecia, mas a moça do caixa começou a fazer tantas perguntas que eu não entendia que mudei o meu pedido. Apontei um café com leite e chantilly de uma foto, pedi um 'croissant with cheese and jam', e um muffin de blueberry. Estava lá tomando meu café tranquilamente e lendo minhas mensagens quando a Elisabeth apareceu, entrou para comprar um café também, já que o Mac só abriria às 10 horas. Conversamos um pouco enquanto terminávamos nossas refeições matinais e fomos até Bryggen para procurar o Posto de Informações Turísticas. Um comerciante nos mostrou que ficava do outro lado do canal.

No caminho para lá passamos por a feirinha que a minha companheira comentou no dia anterior. Quando eu vi me dei conta que se tratava do Mercado de Peixe, atração que constava de meu programa para hoje. Interessante por observar outras espécies de peixes e crustáceos. Aqui também tem um caranguejo gigante, menos simpático do que o do Chile. Enormes lagostas esperando que alguém as escolha para serem degustadas ali mesmo, em pratos preparados com esmero, ou levadas para casa. Caviar vendido em embalagens com 8 pequenos potes por 35 euros. Barato até!

Nosso destino agora era o Centro de Informações. Queria saber onde tomar a condução gratuita para o Museu do Peixe, para o Monte Utriken (o mais alto da cidade) e como chegar ao Floibanen.

A atendente sugeriu fazer o Monte Uriken ou o Floibanen se fosse só pela vista. E considerando a possibilidade de chuva, foi só pela vista. Inicialmente eu pensei em descer a pé, mas o primeiro seriam mais de 3 horas de caminhada e segundo uma hora.

A Elisabeth sugeriu iniciar pelo Floibanen justamente por causa do tempo. E acreditem, a entrada para o funicular era ali, bem pertinho do Mac. kkkk

São mais de 2 minutos de percurso com o funicular que custou 95 coroas para ida e volta por adulto.

E a vista é deveras interessante, podemos ver as sete montanhas que cercam Bergen e muitas outras além, e uns povoados ou pequenas cidades ainda mais distantes. Além do mar. É muita água. Conseguimos até localizar nossas hospedagens.

Enquanto a Elisabeth foi ao banheiro eu desci um pouco mais e fui tirar fotos de uns bodes e cabras que chamavam a atenção de turistas incautos, que se aproximavam demais para os meus critérios de segurança com estes bichos.

Lá no alto existe também um restaurante e a descida a pé me pareceu interessante, mas com aquela nuvem pesada e a previsão de chuva, tendo já comprado a passagem de retorno, melhor descer de funicular mesmo. E aproveitei para filmar a descida (vide Facebook: Meyre Lessa) ou Instagram (@lessa meyre).

Estando embaixo de  novo, eu queria ver e fotografar a Igreja de Santa Maria. Andei até lá a toa. A Elisabeth viu que precisava pagar para entrar e ficou do lado de fora, já que a viu no dia anterior e de graça. Eu paguei 75 coroas norueguesas e estando lá dentro fiquei sabendo que não poderia tirar fotos. Acho isso um absurdo, sempre. Pois nas celebrações são tiradas fotos. E eu paguei a entrada.  Falei com a moça da entrada, com meu limitado inglês, mas não briguei, só reclamei. E no fim as fotos abaixo são as tiradas pela Elizabeth durante a missa.

A Elisabeth pediu para passar novamente no Bryggen e verificar se a blusa dela foi encontrada, era caminho e assim fizemos. Não a encontraram. Assim, seguimos para o ponto junto ao Centro de Informações e aguardamos a chegada da van. O transporte é grátis mas ela estava sem o ingresso do Museu. Conversei com o motorista e ele disse que ela podia me acompanhar, só não ia poder entrar no Museu.

O Museu da pesca é muito divertido. Tem muitas informações sobre a importância do pescado na história e economia norueguesa. Mas como não leio nos idiomas apresentados, fiquei só olhando as fotos e maquetes e brincando nas mídias interativas. A sequência de salas é informada através de trilhas de peixes coloridos no chão, 5 salas, 5 cores, e alguns vão parando pelo caminho.

Na primeira sala tirei uma foto e ganhei o corpo de um polvo, ficando no centro como a última visitante a fazer a fotografia.

Passando de sala em sala vi a Elisabeth sentada lá fora, me esperando.

Ele é bastante interativo e a gente se diverte facilmente, mesmo sozinho, ali dentro.

Na última sala fiz uma foto e depois escolhi o meu chapéu. Com aquele chapéu eu poderia participar de jogos de perguntas e respostas, e ir pontuando. As maiores pontuações aparecem ranqueadas na sala inicial com as fotos dos campeões. Como eu não entendia as perguntas, só fui passando as etapas em várias máquina e fotografando meus anfitriões.

Quando terminei minha saga, encontrei a Elisabeth na lojinha de souvenirs no andar térreo do museu. A van estava saindo naquele momento e acenei para ver se ele podia nos levar. O motorista encostou e nos conduziu ao ponto inicial.

A última etapa foi o almoço no Mercado de Peixes. Paramos na barraca onde tem muitos uruguaios, e pedimos espetinho de camarão e peixe, acompanhado de salada. Eu estava precisando comer salada. E beber mais água, que estes dias tenho deixado a desejar este quesito. A mocinha foi muito solícita e ofereceu-nos a melhor opção, tendo mandado caprichar na quantidade de alimento no prato. E estava muito gostoso.

Passamos ainda no Starbucks onde comprei um cheesecake de blueberry bem gostoso. Hoje foi dia de a Elisabeth contar o resto de sua história de vida. Todos vivemos dramas, mas pensamos que somos os únicos. E quando entendemos que todos têm sua cruz para carregar e a nossa não é mais leve nem mais pesada que a de ninguém, aceitamos a nossa carga e esperamos que ela nos sirva de lição, nos torne melhores.

Queria chegar um pouco mais cedo no hostel para atualizar o blog, mas quando vi já eram quase 17 horas. Ela ainda me acompanhou pois queria passar no banheiro e depois foi para o Hotel, que agora está a pouco mais de 600 metros, creio eu.

No caminho vimos um lindo e grande gato observando a rua pela janela.

Parte do trabalho eu fiz, mas não consegui terminar o relato do 2. dia, nem transferir as fotos do Google Photos.

E perto de 20 horas fui tomar um bom banho, ler minhas mensagens, assistir um pouco a Netflix e dormir. Amanhã será o dia dos Museus.

Terça

Marquei numa manicure embaixo do prédio onde está instalado o Hostel MarkenGuest (4.andar), para hoje às 10h arrumar minhas unhas pois estavam quebrando todas. O preço é tão abusivo que tenho até receio de escrevê-lo mas vou dizer que faria duas vezes pé e mão em Portugal. E cinco vezes no Brasil. Aqui fiz só a mão, mas muito bem feita.

Quando foi 11 horas a Elisabeth me encontrou na manicure já trazendo sua bagagem. Eu já estava secando as unhas, pois elas usam aquele túnel usado nas unhas de gel no Brasil para secar o esmalte também. E achei interessante o modo de limpar o borrão. Com um pincel bem fino, molhando na acetona. E não tiram a cutícula com alicate, Só a levantam e cortam com uma micro tesourinha. Gostei deste método.

Peguei minha bagagem no quarto e encontrei a Elisabeth na cozinha pegando café na máquina por 20 centavos. Quando conversei com ela em português a Iraildes se manifestou. Trata-se de uma brasileira também moradora de Brasília, como a Elisabeth, que veio fazer um passeio de 3 meses pela Europa e que está voltando mais cedo porque perdeu seu passaporte e seu dinheiro num metrô na Dinamarca. Teve um trabalho danado para tirar outro passaporte e agora vai fazer uns últimos passeios pela Escandinávia e volta para o Brasil dia 18.

Quando perguntei porque ela trazia tanto dinheiro na viagem, me disse porque todos falam que no cartão tem IOF e taxa de conversão... Agora está comprando tudo no cartão, até café, e ficou com um baita prejuízo.

Eu, como bancária, digo: " Tem coisas que não há dinheiro no mundo que pague, segurança e tranquilidade são algumas cdelas." Ela concordou.

Colocamos nossa bagagem no quartinho com senha destinado a isso, devolvi meu cartão/chave na recepção, convidamos a Iraildes para passear, tendo ela recusado porque iria ao Floibanen, e saímos em direção ao lago para os quatro Kodes. Ainda não eram meio dia.

Iniciamos em ordem crescente pelo Kode 1. Uma linda edificação de tijolos noruegueses, com um maravilhoso jardim em frente. O ingresso custou 160- coroas e dá direito ao ingresso nos 4 museus Kode.

Cada um deles apresenta um tipo de arte diferente, sendo os dois últimos mais voltados para a pintura. O terceiro estava com uma exposição do Edward Munch, diferente da que vimos em Oslo. O quarto possuía algumas obras de Pablo Picasso. E muitas outras obras que retratavam o cotidiano do povo norueguês, além de umas esculturas que vimos também no primeiro, de tubos de argila. Vimos até um filme do processo criativo. Isso me fez apreciar mais a obra.

A qualidade e a riqueza de detalhes das obras é tão grande que é posível se transportar a cada momento vivido e retratado. Como a quantidade de obras é muito maior do que eu captei, e ainda coloquei só parte desta seleção no blog, quem quiser ver um pouco mais, deixarei disponível no Facebook, Meyre Lessa.

Passamos 4 horas passeando e explorando estes 4 museus. E ficaríamos mais se não fosse o cansaço dos pés e a fome. E tem gente que acha que aqui não tem muito o que fazer. Pra quem não gosta de museus, até concordo. Rs

Engraçado que até esta hora não senti nenhuma fome mas, de repente... Estavámos a caminho do Mercado de Peixe quando vi um restaurante com pratos de pasta no cardápio. Quero mudanças. Passsstttttaaaaa!!!!

Levei a mão a maçaneta e estava fechado, entendemos que a porta era do outro lado e entramos. Mas acho que era outro restaurante, este mais para café e bar. As opções de pasta neste eram um espaguete na WOK com vegetais e camarão e um macarrão ao curry com frango. A Elisabeth escolheu a primeira e eu a segunda. Acompanhado de pão quente e crocante e molho de maionese. Ambas pedimos suco de laranja, e pela segunda vez, porque junto com um café que tomei num dos museus, recebemos também um copo de água gelada. Então hoje estou me hidratando adequadamente. Dizem que o melhor tempero da comida é a fome. E a comida estava deliciosa. Aproveitei ali para recarregar o celular.

Já tinhamos terminado nosso roteiro e ainda teríamos muito tempo até o horário de nosso trem noturno para Oslo (isso dá quase nome de livro e filme). A Elisabeth queria passar num bazar, que descobri ser um brechó, perto do hotel Basic, onde ela ficou. Lá fomos nós atrás de uns óculos de sol e uma bolsa que ela viu e queria gastar seus últimos NOK. 

Na escada da porta um norueguês, loiro, alto, jovem e bonito. Conversou conosco e foi super atencioso. Então acrescento simpático à lista. Mostrou vários óculos, deu opinião sobre qual ficava mais bonito nela, foi buscar uma bolsa porque ela não achou a que queria, depois levou-nos para outra parte da loja onde havia outras peças muito interessante. E fomos conversando em inglês misturado com italiano e francês. Quando eu falava com ela em português ele queria que eu traduzisse.

Falei:

_" Que linda esta bolsa.", ele:

_" Linda?"

_" Yes, very beautiful. Beautiful is 'bonita'. 'Linda" is very beautiful.

Ele também foi corrigindo meu inglês. Disse a ele que ele é muito bonito. Very Handsome. Ele sentiu-se lisonjeado, mas descobrimos que ele é modelo e anda por aí nas passarelas de Paris, Milão, Londres... Então sabe que é bonito.

Mas se é modelo, deixe-me tirar uma foto com você.

E acho que formamos um belo casal, hahahaha. Esse deus nórdico chama-se Enok.

Na hora que saímos expliquei para ele que ela queria gastar o dinheiro que ainda tinha. E este só dava para comprar meio óculos de sol. Então ela não levaria nada. Mas eu queria levá-lo. 

Ele disse que eu sou engraçada. Eu completei: e louca. Ele disse também ser louco. Pedi desculpas e saímos sem nada comprar mas com uma sensação de quero mais...

Fomos em direção ao Mercado agora, e entramos numa loja de conveniência onde vi um sorvete preto. Será que é daquela flor??? Só brincando. Compramos algumas bobagens para beliscar durante a viagem, se der vontade. O mais provável é dormirmos mesmo durante todo o caminho.

E de volta para o hostel, pegar a bagagem e continuar meu relato mais um pouco, antes de seguir para a Estação de Trem.

Quando chegamos a Elizabeth pediu que eu conferisse as passagens dela para os próximos destinos. Olhei e vi só um orçamento. Ela ligou para a Abreu Turismo e a moça confirmou que não tinha passagem nenhuma. Como nos encontramos com a Iraildes de novo, que contou que foi e voltou a pé para o Floinaben, e achou tudo lindo, ela ajudou a Elisabeth a entrar no site da Norwegian para comprar as passagens. Por sorte ainda tinham lugares. E a Elisabeth conseguiu comprar as duas passagens que ainda faltam. Estou vendo que a louca não sou eu não. Ela saiu de casa só com a inspiração e com dinheiro no bolso. Só tinha a reserva do primeiro hotel e as passagens de ida e volta para Lisboa. Eu que não sairia dessa forma para lugar nenhum, sem saber falar nenhum idioma além do português, e meio desorientada que ainda está com os problemas familiares...

Já são quase 21 horas. Lá vamos nós para a próxima etapa. Até amanhã.