BEJA - TERCEIRA SEMANA

20/07/2019

Esta semana resolvi dedicar à preparação das próximas viagens, Algarve primeiro e logo depois, Centro-Oeste de Portugal.  Ir de táxi a Beja, à toa, custa caro, nada nada, não sai por menos de 14 euros, uns 60 reais. Melhor economizar para as viagens.

Distribui assim minha semana: segunda, escrever sobre o final de semana em Serpa; terça, fazer o planejamento para visitar Faro e arredores, estendi minha estadia para 5 dias e farei os relatos diários; quarta, comprar ingresso para a Feira Medieval de Óbidos, e fazer planejamento da viagem, de 12 dias, passando também por Foz do Arelho, Nazaré e Peniche, se preparem, acho que serão mais algumas incríveis viagens; quinta, ir a Beja resolver assuntos práticos e aproveitar para conhecer um pouco mais da cidade; sexta, dia de faxina, e comecei a assistir a série, na Netflix, A Casa de Papel, pois já terminei as temporadas de Suits; sábado, visitar os pontos turísticos faltantes em Beja; domingo, fazer mala para viagem e continuar o planejamento do Centro-Oeste.

Então, só vale a pena relatar a quinta-feira e hoje.

Na quinta chamei o Sr. Jorge do táxi, estava ocupado. Chamei o Sr. Jacinto, esqueceu o fone em casa, disse sua mulher. Chamei então o Sr. Agostinho, o que cobra mais caro. Mas quem veio foi o Sr. Antonio Crispim, cunhado dos outros 6 taxistas, inclusive do senhor Jacinto.  Ele fez o mesmo preço do cunhado, dando um desconto no total do taxímetro, ficou por 10 euros. Mas ele entrou por um caminho diferente na cidade, o que fez-me observar outros pontos de meu interesse. Deixou-me em frente ao Banco. Descobri que só posso sacar 200 euros nos ATMs, mesmo dentro do Banco, podendo fazer dois saques deste valor por dia. Fora isso, tenho que ir ao caixa, sem nenhuma fila, mas com muito rigor no pagamento. Eles possuem um cofre ao lado, que recolhe o dinheiro de depósito e também libera-o para pagamento. Tive que colocar a senha, usando meu cartão, apresentar passaporte e assinar. 

Precisava imprimir um documento a partir de um e-mail (meu ingresso para a Feira Medieval, uhuuu) e só a biblioteca faz este serviço, mas estavam em horário de almoço. Assim, mesmo sendo ao lado do Banco, fui fazer outras obrigações para depois voltar ali.

Fui primeiro no Terminal Rodoviário, trocar a passagem de retorno de Faro, que havia comprado para o dia 25. Troquei para o dia 27, que foi a data que consegui postergar no Hostel em Faro. Ao contrário do homem que me atendeu no dia da venda, o rapaz que lá estava já queria empurrar o serviço para outro, dizendo que eu podia trocar em Faro. 

_ " Mas por que? Não pode ser aqui? Afinal, eu comprei aqui."

Ele começo a mexer no sistema e só confirmou a data e se queria retornar no mesmo horário, emitindo a nova passagem. Estranhei que ele não destruiu a anterior, simplesmente grampeou-a junto com a nova passagem.

Como tinha passado em frente ao Restaurante Sabores do Campo, vendo que vendem comida a quilo, resolvi voltar até lá, mas no caminho fui registrando as fachadas das casas, que notei, também são todas brancas, mas aqui, diferentemente de Serpa, eles já fazer alguns requadros em tons mais fortes, mais evidenciados, em azul, verde, laranja...

O restaurante serve comida vegetariana. Servi meu prato, requisitando também um suco e uma sobremesa.  Gastei 8 euros. Eles usam massa folhada em quase tudo aqui, e a torta que comi era dessa massa.

Ainda eram 13 horas e a biblioteca só abre às 14h. 

A caminho de uma loja de calçados, na Praça do Carmo, vi a fonte do Centrinho em funcionamento. E não me canso de apreciar as paredes azulejadas.

Achei a sandália que precisava, sem salto, para andar por estas calçadas pedregosas das cidades portuguesas. Passei na Maltesinhas na volta para tomar um delicioso café e comer um pastel de nata, pois o almoço será só quando eu voltar para casa. 

Em frente à loja, fui pesquisar algo no celular e ele não me obedecia. Reiniciei. E precisava do PIN do chip. E quem disse que eu lembrei. Bloqueei meu celular. Mas ainda bem que isso aconteceu agora, e na cidade, pois assim pude ir até a MEO, que está bem ao lado da biblioteca, e desbloquear. Lá estando, ainda lembrei de pedir o débito em conta da fatura de serviço, e perguntar sobre empréstimo de TV, pois minha maestra, Lilian, da Fatec, disse-me que às vezes eles têm alguma promoção assim. Explico para a atendente que esqueci o número, se é possível alterá-lo. Ela pergunta:

 _ " Por favor, qual o número de seu telefone?" de Portugal.

_ " Está na minha agenda de contatos, dentro do celular."

_ "  E o seu NIF?

_ " Está salvo no álbum de documentos. Está tudo aí dentro, só tenho o passaporte fora."

Ai meu Deus, tenho tudo isso impresso também, mas não estão comigo, e de que adianta?

Ela aconselha-me a ter os números escritos em um papel. Estou mesmo ficando velha, definitivamente. 

Pede autorização para olhar o chip e lá consegue ver seu número, minúsculo, e obter meus dados no computador. Troco a senha do PIN para algo que me soe familiar. Ela inclue a conta no débito automático, e outro parto, porque não serve simplesmente o número da conta, tem que ser o NIB, que recebi por e-mail. Pelo menos agora tenho acesso aos dados, que estão no celular. kkkk

E por último ela instala, com minha autorização, o MEO Go, em que posso assistir a TV no celular ou no Notebook, desde que esteja em casa, usando meu WiFi. Providencial este bloqueio do celular. Vocês notam? 

E a hora passou. A biblioteca era alvo de minhas investidas, assim aproveitei a oportunidade. Logo que entrei na bicha (nome da fila por aqui) vi um cartaz com o endereço de e-mail para enviar arquivos a serem reproduzidos. Já providenciei e enquanto esperava o envio, fiz várias fotos do lugar. Até que a atendente, muito esperta, perguntou-me se a minha impressão era um bilhete para Óbidos. E foi me atendendo junto a mais 3 clientes. Dez centavos pagos e lá vou eu para meu próximo destino.

Quero uma mesinha para computador e me disseram que na Vorten, junto ao Supermercado Continente, tem.  E, olhando no Google Maps, o mais próximo e o mercado velho, que ainda não conheço e está a menos de um quilometro.  Já fico imaginando dada a direção que me encaminhou, que irei para perto da entrada que usei hoje para a cidade.

A gente atrai aquilo em que concentra a energia. E lá estava eu, junto ao Chafariz em formato de barco e acabado em um lindo mosaico, próximo a um grande hotel, para os meus visitantes mais arrojados se instalarem.

E aos grandes potes em meio ao parreiral.

Pelo número de habitantes da cidade, até que tem uns mercados bem grandes. Passei no Inter-Marché. Só não fiz lá minhas compras porque não tinham loja de acessórios de computador. Mas o Continente velho fica logo atrás. Até preços de carros aproveitei para sonda. Vi uns Fiat 500, que adoro, à gasolina, ano 2018, valendo de 12 a 13 mil euros, uns 50 mil reais. Acho que o preço está equivalente, neste carro. Vi um outro ainda, gasolina e gás, na faixa de 5 mil euros, mas ano 2010. Eles dão 1 ano de garantia no usado, o que , pra mim, será exatamente o necessário. Mas ainda não está na hora de comprar. Só quando eu retornar do Algarve e dependendo do que lá me disserem na entrevista.

Achei a mesinha na Vorten, por 29 euros. É do tipo que posso colocar na cama para apoiar o notebook. E deixá-lo mais ventilado, sem aquecer minha perna, e numa altura mais adequada para teclar. Coisa que faço muito, pelo que podem observar.

Depois disso foi só comprar alguns itens poucos como água e um abridor decente de rolhas, porque o que comprei e de puxar a rolha no muque, e não tenho força nem habilidade para isso.

E voltar para casa.

Hoje tive uma nova surpresa. Como o gado já não está, os passarinhos resolveram fazer da cerca a pauta para uma linda música, cantada em seus gorjeios. É ou não encantador? Um privilégio, eu diria.

Sábado

Já estou me acostumando com o tempo por aqui. De manhã é comum ter o céu encoberto até umas 10 horas da manhã, com muito vento, e um pouco mais fresco. Depois o céu fica limpo, na maioria das vezes sem uma nuvem sequer, muito quente. No final da tarde inicia uma ventania, que permanece durante a noite e deve trazer as nuvens durante a madrugada. Me disseram que os caroos na rua acordam serenados. Essa deve ser toda a unidade do verão;

Sendo assim, e considerando que as atrações fecham para o almoço, tendo dormido tarde, não levantei cedo, 10 horas.

Preparo-me e hoje o senhor Jacinto me atenderá, levando-me ao Jardim Municipal por volta de meio dia.

Fico no portão mais próximo ao Seminário. O Jardim de Beja é maior que o de Serpa. Sua característica dominante são as grandes árvores. As ruas entre os canteiros são de terra batida e isso dá o tom de secura da terra nesta parte do país. Sobre este aspecto seria como um micro-habitat. Mas ainda assim oferece uma beleza diferenciada, com seu coreto, fontes, pontes, lago de patos, caramanchões, e estruturas exóticas. É agradável, e mesmo estando no horário teórico do ápice solar, mas não é a hora mais quente do dia por aqui, as sombras são protetoras. 

Atravesso-o saindo na rua paralela, mais próxima ao centro histórico. Ao lado do antigo Banco de Portugal. Não sei qual a ocupação que se faz do prédio atualmente,

Vou caminhando, já pensando em meu próximo destino, o Museu da rua Sembrano. Vejo uma bela estrutura, o fundo de um prédio. Quando me acerco e ganho sua frente, descubro se tratar do Museu Regional ou Museu Rainha Dona Leonor. Mas são somente 13 horas e ainda está fechado para o almoço.

O prédio da Companhia de Água também chama a atenção per seus azulejos. 

Estou com muita sede. Entro em uma pastelaria e pergunto sobre um doce de massa folhada. É doce de gila. Já comi em Lisboa, mas este aqui está muito melhor. A gila é um tipo de abóbora; A proprietária dia que na Espanha o doce é conhecido como cabelinho de anjo. O sabor lembra doce de cidra ou de mamão verde. Pedi um chocolate frio para acompanhar. Estou conversando com ela. Vejo uns doces que parecem bombons recheados e me interesso por uma coxinha de chocolate. Ela disse que são chamados bolotas, pois imitam uma bolotas que dão numa árvore típica do Alentejo. São feitos com amêndoas, outro ingrediente muito comum. Preciso descobrir como é a amendoeira. Daí pergunto os nomes dos demais. São, da esquerda para a direita: Ovinho, Queijinho doce, Bolota e Amêndoa. Compro uma bolota, mas achei doce demais, lembra um pouco o camafeu. Ela diz que são todos de confecção delas. 

Nisso chega sua sócia. Pergunto quanto devo  e entendo que 13,10 euros. A sócia percebe o engano e me corrige, dizendo que são 3,10. A primeira então me pergunta se assustei com o preço?

_ " Não tinha ideia de quanto seria, e ainda não acostumei a fazer a conversão rapidamente. Se fossem 13 reais estaria muito bem."

Elas se desculpam pois a primeira vai sair para o almoço. A outra então começa a falar que tiveram este tipo de problema quando também tinham escudos.  Mas que o escudo valia muito mais. Que na transformação eles perderam poder de compra. Os preços dos produtos a comprar eram equivalentes, algo que custava um escudo passou a custar um euro. Mas os salários passaram a ser metade do que antes. Pelo que entendi, o escudo, na conversão, tinha menor valor, tipo 2 para 1. Então se a pessoa ganhava 600 escudos, passou a receber 300 euros. Só que os preços das coisas não adotaram a mesma proporcionalidade. Então com 600 escudos eles compravam o dobro das coisas que com os 300 euros. Fui clara? kkkk

Uma outra cliente entrou para comprar algo e logo se retirou, após comentarmos sobre as coisas boas e ruins que existem em todos os lugares. Saiu dizendo que já estava na hora de começar a trabalhar, pois o Museu já ia reabrir. 

Conversei mais um pouco com a segunda proprietária da pastelaria e sai para o Museu, com os votos de boa estadia em Portugal e Beja, devendo passar quando eu desejasse.

A parte interna estava aberta, e paguei 2 euros para entrar. Elas me explicaram que na quinzena anterior estava fechado porque uma estava de férias e era a folga de outro funcionário, não havendo pessoal suficiente para manter tudo em funcionamento.

Alguns brasões, lápides e túmulos confirmam uma tradição da Igreja Católica daquela época de enterrar os mortos ilustres em seu território, normalmente em troca forneciam dinheiro ou propriedades para a instalação e manutenção da Igreja. 

As paredes azulejadas são incríveis, mas se sobrepões às pinturas originais, sendo uma intervenção feita pelas freiras para o agrado do rei no poder. E muitos elementos encontrados em toda a região estão ali expostos.

O Joaquim, que acompanhou-me boa parte do tempo, foi passando-me algumas explicações sobre o local, informando-me que conviviam ali duas ordens de freiras que rivalizavam entre si e que algumas modificações feitas nos recintos, deixavam claro este antagonismo. Umas eram adeptas de São João Batista e outras de São João Evangelista.

A  Sala do Capítulo deixou-me boquiaberta. O teto  parece ser de veludo  porém consta que foram pintados à têmpera (forma largamente utilizada nos séculos e XV que consiste em aglutinar os pigmentos usando uma emulsão de ovo inteiro, gemas ou claras de ovo com água), os arcos assim revestidos revelam um ambiente sofisticado, de um colorido ímpar. 

Tem uma sala de pintura flamenga do século XVI.

E outra maior com pinturas portuguesas dos séculos XIV e XV. O material usado como tela foi o que mais me chamou a atenção. Madeira. Alguns em tábua corrida emendada. 

Tem um quadro de São Vicente, que o o padroeiro oficial de Portugal. Mas o povo considera Santo Antonio como tal, segundo o meu guia.

E graças à estas tábuas ou às estruturas de apoio e travamento no verso das obras, foi possível a datação de algumas obras restauradas, consideradas importantes por seus autores ou por suas épocas. 

Ache particularmente interessante, novamente, o poder da câmera captar detalhes que eu não consegui a olhos nus. Em obras de fundo muito escuro, através da máquina eu vejo a obra completa. Então, nem sempre é ruim ver o mundo através de uma câmera.  Mas devemos tomar cuidado com o exagero.

No último corredor, no sentido que tomei de visitação, que aliás, percebi que fiz o fluxo contrário, pois vi as famosas, pelo menos pela Europa, cartas de amor de Mariana Alcoforado. O que mais surpreende é que Mariana era uma freira, que foi iniciada aos 11 anos de idade, e sempre esteve enclausurada.  Conta-se que se apaixonou por um cavaleiro que viu da janela do Convento. As cartas dão a entender, segundo o Joaquim, que ela pode ter encontrado este homem de alguma forma. Até hoje, se fossem encontradas cartas de amor de uma freira para um homem, daria o que falar e, certamente, a faria famosa, imagine naquela época.

Surpreendente também o fato de ela ter vivido 83 anos, o que também não era muito comum. Vou colocar as fotos das reproduções das cartas, traduzidas primeiramente por um francês, e que encontram traduções por vários países europeus. Os documentos originais não mais existem.

O andar superior possui peças encontradas em toda a região, e inclusive pedras com inscrições ainda ininteligíveis que datam da era do Ferro. E a suporta janela por onde Mariana Alcoforado avistou o alvo de seu amor.

Fui finalmente conhecer o Museu da Rua do Sembrano. Fica ao lado do Teatro Pax Julia, e seu terreno foi requerido pelo Estado e depois transformado em Museu justamente por conta de escavações que se iniciavam para uma nova obra e começaram a achar artefatos históricos. Virou um sítio arqueológico. Descobriram fundações de mais de dois mil anos, e mantêm vários artefatos encontrados nas escavações. 

Mas o ponto alto é mesmo a estrutura que se encontrava sob a terra, e hoje está preservada por um piso de vidro, que deu muito medo de caminhar sobre ele mas, munida de minhas meias para calçados, fornecidas na entrada do Museu, e muita coragem, andando sem olhar para o chão, consegui vencer mais este obstáculo de meu imaginário. Este Museu é gratuito, mas fica um pouco escondido, não sendo avistado a não ser que você o esteja procurando, pois eu já passara por ali algumas vezes sem o ter notado.

A Igreja de Santa Maria está novamente fechada. Vou procurar a Janela Manuelina. Me pareceram todas muito parecidas. Mas uma se destaca por seus rebordos. Li depois que é um estilo. E que esta estrutura pertenceu à Igreja do Carmo.

Passo de novo pela Praça da República, onde conheci a brasileira Patricia, e vejo o Pelourinho.

Estou novamente com sede.  Na Praça encontro uma lanchonete e compro uma limonada e um salgado folhado de espinafre e salmão. 2,50 euros. Me delicio sentada a uma mesa externa, um calorão danado.

Agora que ver o interior da Igreja Nossa Senhora dos Prazeres, mas de novo não me foi dado o prazer, apesar de constar na placa que abre aos sábados até 18h30. 

Resolvo fazer outro caminho e vejo a Torre do Castelo. Enquanto estou descendo, masso em frente à entrada da Capela de Nossa Senhora da Piedade. E estava aberta. 

Descobri que aquele altar foi da Igreja de São Francisco, mas que o terremoto de 1755 teria derrubado a abóbada original. Só descobri isso porque notei a abóbada da Capela sem nenhum afresco, o que é incomum. Aí a atendente explicou-me que na construção original  o altar era de outro lado, e a porta era em frente, também deslocada aqui. Ainda tem parte da estrutura original em uma mármore verde, mas já não se podem movimentar as peças frontais pois estão sensíveis e podem ser danificadas. Ainda assim é um acervo muito bonito, e fico feliz por estar sendo preservado.

Dali sigo em direção ao Castelo com a intenção de percorrer suas muralhas externamente, coisa que não fiz na primeira visita. Tem um lindo jardim que acompanha toda a edificação, culminando num arco que, ultrapassado, tem-se uma bela vista da cidade e parte da zona rural.

Já são quase 17 horas e resolvo terminar por ali minha excursão de hoje. O senhor Jorge me atende, trazendo-me de volta ao Monte Januário.

Foi recompensador. Uma linda tarde de sábado.

Amanhã só malas e tranquilidade.