BEJA - INSTALAÇÃO E EXPLORAÇÃO

09/07/2019

Estranhei a cama, e acordei com bastante dor. Também por causa das almofadas que usei como travesseiro e são muito volumosas.

Logo após o café da manhã, recebi a visita de dona Rosalita que tinha pensado durante a noite sobre a questão de minha entrevista no SEF, dia 23 de julho, em Faro. Este é o órgão regulador que vai emitir o parecer final sobre minha permanência em solo português como residente. A princípio, só tenho autorização para aqui permanecer até dia 11 de setembro, como acho que já mencionei.

Inicialmente, ela e mais dois portugueses que moram aqui, na mesma região em que estou habitando, iriam a outro órgão denominado Junta de Freguesia e iriam declarar minha moradia. Mas como aqui é um local com poucos moradores, ela viajará na sexta e ficará uma semana fora, com os netos, no Algarve, e eu só tenho praticamente 20 dias até a entrevista, ela achou melhor prevenir. O registro do Contrato de aluguel aumenta o custo do mesmo em 30 %, que é o valor pago às Finanças. Faremos o contrato. Vou pagar 360 Euros por mês. Estando tudo certo, passados 3 meses da locação, ela vai dar baixa nas Finanças. Eu querendo, posso permanecer por aqui mesmo. Que é minha intenção. Mas não existe contrato e eu avisando previamente sobre minhas intenções, posso me realocar. Isso também no SEF. Não posso fazer nenhuma movimentação de habitação sem comunica-los. Sou visita em Portugal. Tenho que proceder como tal. Combinamos para sair às 11h30.

Pontualmente ela estava a minha porta. Ela chamou o táxi, Sr. Jorge, e fomos deixadas bem perto do escritório contábil que gere seus negócios. A Dona Paula (aqui eles também saõ muito formais, pelo que observei até então), contadora, explicou-lhe como faria o contrato e pediu-me o NIF, correspondente ao nosso CPF, que já tenho pois fazia parte de meu contrato com a Ana Paula, corretora. Vou ter que pagar este serviço aqui de novo, pois ele já havia sido pago à corretora, mas como decidimos, na ocasião, não registrar nas Finanças, com solução alternativa, não foi feito. Ainda bem que, pelo serviço, serão somente 20 euros.

Ela não tinha outro assunto a tratar na cidade, assim, fomos a uma loja de 1 euro para comprar itens faltantes como vassoura, saleiro, açucareiro, saboneteira, bacia, inseticida, pregador de roupa (que por aqui chamam de molas), um cesto de lixo, raquetes mata-mosca (não das elétricas), um par de jogo-americano, pilão para socar alho (vixi), e ainda faltaram alguns itens, como travesseiros, que ficarão para depois.

Dali seguimos para o Pingo Doce, um supermercado menor, mais voltados aos itens de higiene e alimentos. Comprei adoçante, que esqueci e mais algumas coisinhas. Não precisei comprar água porque dona Rosalita me arrumou um galão de 6 litros quando perguntei se a água da casa era potável, ontem.

E já chamamos o táxi, que cobrou os mesmos 7 euros, mas que desta feita, paguei eu, ainda insistindo um pouco.

Dona Rosalita aconselhou-me a usar as almofadas da sala, que são menores, enquanto não compro os travesseiros.

Coincidentemente, nesta noite, no Facebook, vi uma publicação de minha amiga Rosemary sobre dor nas costas. Quando a gente tem um problema e não consegue resolver de maneira ortodoxa, melhor buscar fórmulas alternativas. Resolvi testar. Um médico japonês, ou é o que me pareceu, deu quatro dicas para melhorar as dores na coluna. Mostrou os pontos para compressão, nas costas das mãos, que são usados no sistema de acupuntura. No meio do corredor formado pelos dedos mindinho e anular, o ponto para a coluna lombar. Entre os dedos anular e médio, também no meio do corredor, para a coluna dorsal. E finalmente, para a coluna cervical, o corredor entre os dedos médio e indicador. Você entende o que quero dizer com corredor? É que os ossos destes dedos se estendem pela mão, mas estão encobertos pela pele do dorso da mão. Mas entre os ossos existe um vão, um corredor. Procure o ponto médio. Normalmente ele vai doer quando você apertar, se estiver com dor nas costas. Aperte com a ponta do polegar da mão oposto, usando o restante da mão como base de apoio. Se não entendeu, procure na minha linha do tempo do Facebook (Meyre Lessa).

As outras 3 dicas são exercícios. O primeiro é andar 5 minutos de quatro, mas não colocando os joelhos no chão. Gente, não consegui fazer mais que 3 minutos nos dois primeiros dias. E, admito, é uma posição pouco honrosa.kkkk

O segundo é deitar na cama e fazer 50 bicicletas no ar. O terceiro repete a dose, mas o círculo inverso. Este testou minha coordenação motora. Estes 3 exercícios pegaram muito na parte frontal das coxas. Um músculo que eu tenho pouco estimulado. Minhas pernas são bem fortes, as panturrilhas e os músculos externos das coxas, por causa das caminhadas e da dança. Este fortalecimento do músculo dianteiro vai me ajudar até a sentar e subir escadas. E o melhor de tudo, senti alívio imediato nas costas.

Agora, almofadinhas menores, vamos dormir gostoso.

Não quero ficar aqui relatando as peripécias de meu dia a dia, então só vou contar as façanhas relativas à instalação, propriamente dita, e à exploração da cidade.

Na quinta feira acordei com as costas em ordem. Exercícios serão colocados na ordem da noite a partir de então. E os pontos de massagem podem ser usados em qualquer lugar e ocasião, sem constrangimento. O exercício da aranha manca, jamais. Só faça se estiver sozinha(o).

Apesar de termos marcado para ir de novo ao centro de Beja, dona Rosalita seguiu cedo e só. Disse-me que quando estivesse com o contrato em mãos, me ligaria e eu iria ao seu encontro, pois tinha várias outras coisas a fazer e não convinha ficarmos dependentes uma da outra. Concordei. Fiquei esperando sua mensagem. Precisava ir ao Banco e à MEO, operadora de telefonia. O Banco aqui abre às 8h30 e fecha às 15 horas.

De repente ela mandou mensagem dizendo que já tinha dado tudo certo e se eu queria aproveitar o táxi para ir à Beja pois ela já estava voltando. Sim, quero.

Ela chegou já passavam de 14 horas. Explicou-me que conseguira já registrar o contrato nas finanças e me liberou para que o taxista não ficasse aguardando.

O Sr. Jorge é muito simpático. Bom de conversa, vai me orientado sobre os diversos assuntos que tenho dúvidas. Deixou-me em frente ao Banco faltando 5 minutos para fechar.

Dos 4 atendente habituais, só duas estavam em serviço, e tinha uma pequena fila de umas 6 pessoas, o que uma cliente me disse ser incomum. Mas fui atendida pela competente Anna, que atendeu todas as minhas solicitações e pediu-me para retornar na terça-feira, antes do início de suas férias.

Na MEO contratei serviço de telefonia móvel pós-paga, serviço de dados para casa, telefone fixo e a TV, que nem tenho, mas que faz parte do pacote e eu terei que pagar do mesmo jeito. Estes serviços, com 3G de internet no celular, vão me custar 57 euros mensais. Compatível com os preços no Brasil. Acho que vou comprar uma TV. Ou não.

Ainda estou atrás de travesseiros, então bora circular um pouquinho. Estou bem no centrinho da cidade. Saio logo num calçadão com lojas e bares. Bem bonitinho.

Vou andando e vejo algumas esculturas. Um Banco que parece mais uma igreja, também uma gracinha sua fachada. 

E chego na Maltesinhas, doces conventuais, que acho que deve ser o mesmo que convencionais. Hummmm! O que eu estava querendo. Um docinho e um café com leite.

Mas são tantos docinhos, sei que terei tempo de prova-los todos neste próximo ano. Mas são tão pequeninos... Peço uma média. E um pãozinho e um docinho, para comer aqui. E na hora de pagar, mais dois para levar...(mãos na boca, que vergonha, kkkk). A maioria dos docinhos é feita com farinha de amêndoas e gemas de ovos. Deliciosos!!!!

Pergunto à proprietária se sabe onde posso encontrar os travesseiros. Ela me indica a Quebra Padrão, e me ensina o caminho. Ao contrário das cidades americanas e canadenses onde tudo é quadradinho e as ruas numeradas, aqui é o ó do borogodó. Um labirinto. E o nome da rua, às vezes, está no meio do quarteirão, ou nem está. Mas isso é o que estamos mais acostumados. Sei que coloquei no Google para me ajudar. Distanciava 300 metros, virou 400, 450, e eu tentando me achar. Mas foi aí que vi o Jardim Público. Ruas estreitas, casas azulejadas, hotéis e pousadas de uma cidade antiga, com seus mais de 2000 anos de história e, ficar perdida foi um achado.

Situei-me e consegui começar a me aproximar do destino. Quando a encontrei, estava há pouco mais de 2 quarteirões da Maltesinhas. Era virar no final do primeiro quarteirão à direita. Mas ela me disse no fim da rua...

Lá achei os travesseiros e aproveitei para comprar uma manta, que ainda não será necessária, pois estamos no verão. O atendente mostrou-me o que usam por aqui no inverno. É um conjunto de lençol, para cobrir e para o colchão, e fronhas de plush ou algo parecido. Até as fronhas? Valha-me Deus.

Pedi orientações para ir ao ponto de taxi, já que ainda estou sem telefone, e lá encontrei outro irmão daquele grupo de 6, todos taxistas. Perguntei quanto iria cobrar e ele disse que o taxímetro é quem define, mas algo em torno de 9 a 10 euros. Este era o Sr.Jacinto. Mais velho, Mais sóbrio que o irmão que já me atendera. Explicou-me que a bandeirada fica 3,25 normalmente. Durante a noite sobe para 3,90, e começa por este preço aos sábados e finais de semana. Vai aumentando de 10 em 10 centavos mas só quando estamos praticamente saindo da cidade. Final: 10,75, mas ele deixou por 10 euros. Já gostei mais dele. Um absurdo os 14 euros que seu irmão me cobrou, lógico que não falei nada para ele.

Dona Rosalita vem ao meu encontro para acertarmos as contas, de 136 euros de diferença ( mas só tenho 86), e entregar-me o contrato e o recibo de aluguel. Contou-me que chegou lá, sem minha assinatura mesmo, já quase na hora do fechamento, encontrou uma moça que conhece desde menina, e que a moça a reconheceu, fazendo todo o registro na mesma hora, pois não tinha mais ninguém nas finanças naquele momento. Não digo que as portas se abrem quando as coisas têm que ser... Gratidão!

Vou caminhar um pouco antes que esfrie. Aqui venta muito, escurecer demora até quase 22 horas. Como a principal atividade parece mesmo ser a criação de gado, o que vejo de plantação é centeio, e capim, que serão feito forragem e transformados em fardos de feno posteriormente. Mas em meio ao centeio, quando passo, várias revoadas de pequenos e assustados pássaros ocorrem. O capim ao vento parece um mar em ondas verdes (também filmei, veja lá no Insta), e a cada portaria um novo Monte, que não é uma Serra, é só uma porção de terra. E alguns cachorros defendendo suas floridas casas. Quando tempos tempo e disposição, a contemplação nos leva ao êxtase, e o mínimo se torna sublime! (suspiro)

Retorno. Recolho o restante da roupa que ficou secando no varal e estou quase pronta para mais uma tranquila noite de descanso.

Só falta o assunto mais importante do dia, fazer uma ligação de vídeo para minha filha Brenda. É aniversário dela e dada a diferença de fuso e o fato de ser dia de trabalho, ela me pediu que ligasse só às 17h30 do Brasil, 21h30 aqui. Alegria poder vê-la. E desejar que sua vida seja exitosa. Só não consegui fazer ligação de vídeo ainda para minha filha Débora. Até com minha tia Valéria falei num dia em que estava na casa de minha mãe.

Agora sim. Estou pronta para dormir. Boa noite.