Até a Praia Formosa na ILHA DA MADEIRA

25/12/2019

Perdi o café da manhã. O relógio despertou e eu o desliguei e não levantei. Estou de férias. Kkk, não quero levantar cedo todo dia.

Levantei-me já eram 11 horas. E saí pouco antes do meio-dia com a intenção de para numa cafeteria que já vi na Estrada Monumental.

Cheguei, sentei e escolhi alguns artigos dignos de almoço. Suco de laranja, um galão de leite, uma tosta de fiambre e queijo e um bola de Berlim com recheio de chantili.

Queria chegar até o Complexo Balnear da Ponta Gorda, a Doca das Cavacas, a Praia Formosa e, quem sabe, até a Câmara dos Lobos. O Google Maps dizia que seria um caminho de mais de 11 km. E pensei em voltar de táxi.

O Balnear da Ponta gorda fica um pouco além do Cais do Carvão, mas hoje fiz um caminho diferente e fui, primeiramente, pela Estrada Monumental mesmo, só descendo após o Jardim Panorâmico, então conheci uma parte diferente.

E existe um linha para pedestres, construída numa área intermediária entre o mar e a Estrada, plana e bonita, de onde se pode ver os acidentes geográficos, na montanha e nas ilhotas ao longo da praia. E a vegetação vai fazendo o requadro para as belas paisagens. É o passeio público marítimo.

Em dado momento uma placa com uma seta indicava descer as escadas para chegar a Doca das Cavacas. E lá fui eu. Dali se vê a Doca, propriamente dita, se conhece um pouco da história da Praia Formosa, que avistamos mas não conseguimos chegar por ali. 

E tive que subir de volta e continuar subindo um pouco mais, até a avenida novamente. Ali observei uma plantação de bananas, ensacadas, não sei se para proteger de insetos, ou para acelerar o amadurecimento. E canaletas de irrigação. Até chegar ao anjo cansado e a estrada, de novo.

Mas a estrada escalava o morro, e certamente por isso que o Google informava 11 km no total, enquanto que os salva-vidas da Doca me disseram mais uns 3 até a Câmara.

Deve ter alguma alternativa que não estou conseguindo ver daqui. Segui adiante e, depois da curva havia uma ponte, e ao lado dela um acesso para baixo. E lá fui eu.

E passei por um dos caminhos mais instigantes até agora. Além de observar a beleza dos rochedos, vi alguns buracos parecendo janelas e portas. Perguntei-me se alguém mora ali???

E mais adiante vi uns pequenos pedações de terra aproveitados com plantação de bananas. Um portão. E uma casa embutida na caverna. Até cachorro tinha e que começou a latir ao ver a min e um casal mais velho que vinha no sentido contrário. Eles se aproximaram demais e fizeram o cão latir cada vez mais alto. De longe ouvi o proprietário soltar um impropério em inglês, imagino que para o casal de curiosos, porque se fosse para o cachorro, teria falado em português mesmo.

Continuei até o fim da rua e cheguei ao estacionamento de um restaurante. E dali eu observei que podia seguir até o outro restaurante. E vi um banheiro público. Fico tão admirada e feliz com este tipo de preocupação e gentileza. Além de ser um local isolado, o que me deixou bem à vontade, estava limpo e munido de todos os itens necessários.

O caminho para a Câmara do Lobos seguia pela encosta, após o outro restaurante, na sequência. Mas um portão e uma placa impediam de seguir, alertando sobre o perigo. Vi um casal de idosos vindo de lá e pulando o portão. Então perguntei ao garçom quais eram os perigos:

_ " É por causa do mar bravio?"

_ " Sim, e também pelo risco de pedras caindo da encosta."

_ " Mas eu vi um casal pulando o portão.

_ " Mas eles assumem o risco de acidentes."

Foi suficiente para mim. Não vou descumprir a ordem. Não quero ser a vítima. E em mim, esta obediência é tão forte que, se fizer diferente, capaz de dar errado e acontecer algo ruim. Só faria se tivesse plena convicção de que o alerta é exagerado.

Já que estava alki e com sede, aproveitei para pedir uma limonada. Bonita, foooorte, e abundante. Tomei devagar, apreciando o mar.

E voltei. O garçom me indicou voltar pelo mesmo caminho como sendo o mais curto. Mas eu não quero o mais curto, quero o diferente. E segui, agora passando pela frente do segundo restaurante, passando pela orla da Praia Formosa, com seu calhau e sua areia preta.

E a rua que eu subi dá de frente para uma enorme rocha, com os sedimentos em ângulo depositados ao longo de milhões de anos, e cuja força do magma do interior da Terra, fez romper e subir. E sobre ela foram construídos os prédios. Você é Pedra, e sobre ti erguerei a minha Igreja. Dadas as escrituras, me parece que construir sobre rocha é altamente seguro.

É possível observar as várias cores dos diferentes sedimentos que ali foram depositados. E também ver a água brotando e escorrendo pela rocha. E fui assim, andando, maravilhada com as formas das rochas e as construções sobre elas, até que cheguei ao estacionamento de um Grande Hotel. Em sua parede um grafite mostra o fruto delicioso, que o Antonio me disse ser um parente do ananás, nascendo como uma bromélia. De um arbusto de folhas largas. E ainda explicou que não pode ser comida de uma vez, que ela madurece aos poucos, e que devemos comer os gomos maduros, que têm sabor ácido, e aguardar até que amadureçam os próximos.

Vi também que eles plantam as trepadeiras na base, em com ajuda de telas, preparam o local para que elas subam as encostas, tornando a visão bonita. E o local mais seguro.

E tinha um presépio na gruta.

Mas o caminho não era por ali. E até tinha um elevador logo adiante, mas para uso dos clientes do hotel.

E tive que voltar mais um pouco, até encontrar uma escadaria com uns 115 degraus, mais 100 passos na subida de concreto e mais 67 passos na subida de asfalto, até chegar na estrada, um pouco antes da curva que não permitia ver a ponte. Mas do meio da escada também pude ver a baía que abriga a Praia formosa.

Resolvi almoçar ali, pois havia um pequeno centro comercial. Na cafeteria pedi uma sopa de feijão verde. E de sobremesa uma rabanada, passada no açúcar e na canela. Mas não passam nem perto das rabanadas que faz minha tia Isaura. Deu saudade, dos tios e da rabanada, hehe.

E voltando, passei por outro ponto que não tinha visto. Onde está o Shopping Fórum. Gosto de ver as decorações de Natal nos shoppings. Mas não vou entrar. Já caminhei mais de 7 km hoje. Meus pés querem voltar logo para o hotel e descansar. À noite tem a famosa Noite do Mercado no Funchal. Preciso descansar. E já são quase 17 horas.

No final da caminhada resolvi fotografar um casal idoso para mostrar que as pessoas aqui não se acanham de fazer uso de bengalas, ou muletas, o importante é:

_ " Continue a andar, continue a andar..."

E também jovens usam aquelas varas de metal para trekking. Melhor que cair. Não é nenhuma vergonha.

Vou tomar meu banho, massagear meus pés e descansar minha coluna antes de decidir como irei ao Mercado hoje. À pé? Ou de táxi?

21 horas, estou bem disposta. Vou a pé mesmo. E, se estiver cansada demais, volto de táxi.

Na altura do Parque Santa Catarina já começou engrossar o número de pessoas na calçada. E fui seguindo o fluxo. Passei pela Avenida Arriaga, ao lado direito da Catedral da Sé, atravessei a Ribeira, e só aumentando o número de pessoas. E fui indo em direção ao Mercado até que vi o palco montado ao seu lado. E ali foi o local com a maior aglomeração. Foi como dançar atrás do trio elétrico. Ou caminhar entre os passageiros do metrô na passarela entre o trem e o metrô, no Brás. Várias filas de vai e vem, um grudado no outro. Mas senti uma certa segurança com meus pertences e com meu corpo. Se existem aproveitadores, de qualquer tipo, são poucos. E não os vi.

Também, diferentemente dos dias anteriores, as pessoas que ali estavam era, na maioria, portugueses, filhos da ilha. Os estrangeiros estavam dispersos e em muito menor número dessa vez. E as pessoas caminhavam contentes com seus grupos de familiares ou amigos... e encontravam outros, parando para um abraço e um cumprimento. Uma festa bem familiar.

Ouvi na TV, um pouco antes de sair do hotel que esta tradição começou há uns 50 anos quando um grupo de jovens cantantes, se reunia junto ao Mercado, após o término das aulas Universitárias, para confraternizar cantando. E o tempo passou e eles começaram a se reunir nas casas dos participantes. Até que num dia, a participante que ia ceder a casa precisou rever o compromisso. E para não ficarem sem a reunião, os demais resolveram ir novamente ao Mercado, e começaram a cantoria, atraindo outros transeuntes. E as pessoas começaram a pedir que eles fizessem isso mais vezes, e o grupo foi aumentando, até que virou tradição de Natal, assim, sem mais nem menos.

E dado o sucesso, outros conselhos o fazem também, nessa época do ano, mas em datas diferentes.

Aproveitei para comer minha carne de vinho d'alhos, que tradicionalmente se faz com a barriga do porco, marinada numa solução de vinho, vinagre, sal, louro, salsa, pimenta, e outros condimentos, forma esta encontrada para conservar a carne do porco na época em que não havia refrigerador. E no dia de Natal, a carne é cozida. E nos dias seguintes, frita com a própria gordura que fica endurecida após derretida. É servida dentro do pão, que pode ter sido frito na própria gordura, ou levado ao fogo junto com o cozido. De um modo geral, o pão também é amanhecido. Mas ali na feira, atualmente, o pão é fresco, não foi aquecido, e tudo é muito mais comercial do que tradicional. Mas nas casas, ainda se mantêm a tradição.

Fui até o Parque de diversão que está instalado na Orla, porque o povo se espalha para todos os lados onde haja comida e alguma diversão. E registrei em fotos e vídeo a quantidade de gente, muitos com engraçados trajes, ou chapéus e tiaras, com motivos natalinos. Mas o que importa é estar feliz, e sentir-me pertencendo. E isso, lá todos estavam.

Acabei voltando a pé mesmo, o que me leva a crer que andei, no mínimo 13 km hoje. E cheguei no hotel um pouco dpois da meia noite.

Amanhã o dia será mais tranquilo. É só resolver um probleminha com a MEO e o jantar de Natal.