ARQUIPÉLAGO DAS BERLENGAS - RESERVA NATURAL

13/08/2019

O café da manhã no hostel é a partir de 9 horas. Mas às 9h eu preciso estar no porto, então me levanto às 7h30 porque, vai que dou o azar de encontrar todos os banheiros fechados... Mas não dei. Queria achar um lugar no caminho para tomar café. Entrei em um aqui bem perto, não gostei do que tinha na vitrine.

Um pouco adiante uma cafeteria bem bonita. Sentei-me uma mesa alta numa das pontas do estabelecimento e pedi um croissant com queijo, um chocolate quente e uma palmier grande, que vinha coberta com algo doce.

O tempo foi certinho para tomar o café e terminar a caminhada até o porto. No quiosque onde reservei minha passagem para o Arquipélago das Berlengas havia uma pequena fila de, principalmente, franceses. A mesma moça que me atendeu ontem cobrou os 16 euros dos 26 da passagem e emitiu um bilhete. Pediu que eu aguardasse então que dentro de uns 15 a 20 minutos eu seria chamada por meu nome. Pediu que eu ficasse atenta, pois certamente ela erraria a pronuncia. Já viu? Até os portugueses não conseguem falar meu nome direito.

Algumas pessoas que ainda não tinham comprado passagens não conseguiram ali, pois já não havia mais vagas. Um rapaz que estava com a mulher e dois filhos pequenos pediu então para o período da tarde, a moça explicou que provavelmente não haveria passeio na parte da tarde em virtude dos ventos fortes. Ele insistiu então para a manhã seguinte. Ela novamente negou dizendo que era menos provável ainda.

Eu queria muito fazer este passeio e tinha conhecimento da possibilidade de não conseguir, e pedi, e fui atendida. Agora só basta rezar para que corra tudo bem...

Saíram dois barcos pequenos com 8 a 10 pessoas cada. E o Amor à Vida, um pouco maior, com capacidade para 12 pessoas, mas viajamos com 11 mais os dois tripulantes. O assistente do capitão ajudou-nos acomodar e depois explicou que o início e o final da viagem seriam tranquilos, mas o meio seria um pouco complicado porque o mar estava agitado e íamos contra as ondas. Pediu se poderíamos estar às 14h20 no Porto para o retorno.

Fiquei do lado esquerdo da embarcação, e ao meu lado uma família de casal com um filho de uns 8 anos. O pai, que estava mais próximo de mim, travou o corpo entre o assento e o casco com a perna. Achei conveniente fazer o mesmo. E manter o foco da visão no horizonte distante. Guardei o celular na pochete. Ali não conseguiria tirar fotos, e nem haveria do que, era só mar e mais mar. O tempo de duração previsto era de 40 minutos. Se haviam coletes, não recebi nenhuma informação sobre eles e sobre nenhuma medida de segurança. O jeito foi mesmo apelar para Deus e todos os Santos.

Estava tudo até bem tranquilo, e de repente... As ondas ficaram mais constantes e maiores. O barco corta-as e sacode. Algumas vezes, ao atravessar a onda, jogou água para dentro, respingando-nos água gelada. Eu estava de camiseta, short, tênis e uma blusa de meia estação, que a moça sugeriu, hoje. O certo era ter falado qual o melhor traje ontem, quando reservei.

Um rapaz começou a passar mal no fundo do barco. E eu rezando para não ter problemas, pois tinha trazido o Vonal especificamente para esta ocasião, e esqueci de tomar. Já com uns dois terços da viagem transcorridos, percebi que a pressão do short jeans na barriga, somada a posição das pernas, que estavam ambas travadas contra o casco e também comprimindo o estômago, começou a me dar um pouco de azia. Desci uma das pernas para aliviar. Sugestão: se alguém tiver náuseas no mar e fizer este passeio, vá com roupas confortáveis. O tênis também foi muito bem vindo.

Quando o barco foi se aproximando, eu só via um monte de pessoinhas, ao longe, subindo íngremes trilhas ou escadas. E ao mesmo tempo aquele mar verde, próximo à praia.

Desci e fui seguindo a multidão. Sempre tem um anjo bom que fala algo perto de mim que me serve. Dessa vez uma moça falou ao seu companheiro que ia primeiro ao banheiro. "Boa ideia", pensei.

Muitos avisos para seguir exclusivamente pelas trilhas. Fui subindo devagar, teria 4 horas para passear por aquela pequena ilha de granito e mármore rosa, cheia de um líquen amarelo e gaivotas, muitas gaivotas. O arquipélago é formado de 3 ilhas principais, Berlenga Grande, Estelas e Farilhões. A Berlenga grande é a que possui alguma estrutura de apoio, com campismo inclusive. Tem o Farol Duque de Bragança e o Forte de São João Batista das Berlengas.

Primeira parada, Farol Duque de Bragança.

As gaivotas tem ninhos para todos os lados e se comportam como galinhas, ficando bem à vontade com nossa presença, e às vezes até se aproximando na esperança de conseguir uma guloseima.

É bem bonito observar o entorno lá de cima.

É bem interessante chegar perto do que se viu, depois, lá embaixo.

A descida para o Forte exige bastante das pernas e joelhos. Cruzei com algumas pessoas arfantes, fazendo o caminho de volta.

Pedi para um casal fazer uma foto minha e comuniquei minhas angústias quanto ao retorno. A moça comentou que seria possível pegar um barco a partir do Forte para o porto, evitando a subida, por módicos 5 euros.

_ " Já gostei desta conversa." E ela riu e adiantou-se.

Bem pertinho do forte tem umas formações de grutas na ilha, onde o mar penetra e muda de cor. 

Tudo muito lindo. Pedi novas fotos para duas orientais. Elas tiraram uma meia duzia.

O forte propriamente não tem nada de especial, mas funciona como hospedagem e tem um bar, mas que dizia numa placa só atender associados.

E por onde foi que eu entrei mesmo?

Depois de uns dois erros, finalmente me achei e consegui sair.

Agora basta procurar o barco, o primeiro já estava lotado, assim entrei no segundo barco e nem perguntei o preço. Mas ele não estava fazendo só transporte de modo que ganhei uma viagem pelas grutas, que não havia programado. A maior parte delas uma escavação na grande muralha de granito.

Algumas fendas pequenas, onde só se avista uma pequena luminosidade do outro lado.

Outras grandes suficientemente para seguir com nosso barco.

E uma em forma de U mas que só cabiam caiaques.

O fundo do barco e envidraçado e por vezes o capitão nos convidava a olhar por ali, observando a fauna e a flora marinha.

Neste barco estávamos todos de colete. O Capitão falava em português e inglês e íamos 6 passageiros, metade falando português e metade não, o filho do Capitão, Martinho, e o capitão, que aprendeu sua arte com outros mestres da ilha, e hoje já estão todos mortos.

Durante todo o meu trajeto, encontrei com um casal de noivos que foram fazer seu álbum na ilha. Muito corajosos!

Quando cheguei ao Porto da ilha, fui para a pequenina praia, queria tomar um banho. Estava bem cheia. E olha que a ilha só recebe 550 pessoas ao dia. Em dois horários, sendo obrigatório o retorno às 14 e pouco de quem veio pela manhã.

Tirei minha roupa e com a roupa de banho que estava por baixo, me dirigi à praia. Sem condições, que água gelada. Mas dava para ver peixinhos nadando até ali onde o mar se agitava com pernas de adultos e crianças. Algumas pessoas nadavam ou mergulhavam mais a frente... Entrei até ficar com água pelas coxas. E voltei.

Vou comer umas batatas fritas que comprei ontem, beber água e comer a metade da palmier que sobrou do café. As gaivotas rondando para lá e para cá. Uma delas ficou secando minha palmier até que um pedaço caiu e ela rapidamente o pegou e voou.

Tirei um saco que estava semicoberto de areia e descartei no lixo, pois uma gaivota estava tentando tirar um pedaço dele.

Depois vi duas menininhas na praia que me fizeram pensar na Eliane, minha falecida irmã, e em mim, quando pequenas. As duas deveriam ter uma diferença de idade de um ano aproximadamente. A mais velha tinha até o cabelo parecido com o meu com a idade dela. Só que a mais jovem era loirinha também. Minha irmã tinha o cabelo castanho e a pele um pouco mais morena que a minha. Mas eram dois lindos bebês se divertindo com os pais ali naquela areia.

Ainda faltava uma hora para o horário marcado. Por isso não gosto de excursões. Mas nesse caso, não tem outra maneira. A não ser que eu fosse rica o suficiente para alugar um barco só para mim e determinar os horários. Enquanto aguardava vi um catamarã da Berlengastur, bem maior que todos os demais barcos. Deve ter balançado menos.

Para passar o tempo, subi até a lanchonete, pedi uma cerveja preta mini, da Sagres, e comi o restante da batatinha frita. Fui ao banheiro e desci para o Porto.

Outro catamarã de uma companhia diferente.

Mas antes que ele encostasse, o Amor a Vida nos recolheu.

A volta foi mesmo bem mais fácil e rápida, ainda assim, o mesmo moço enjoou.

Sentei-me no mesmo lugar, mas os outros 3 assentos ao meu lado foram ocupados por pessoas diferentes. Agora a gente subia e descia com a onda. Me senti uma surfista. Num dado momento um corte de onda jogou como que um balde de água fria e as 3 moças gritaram, eu era uma delas (posso me auto intitular moça?).

O assistente de bordo nos reposicionou, e assim fui parar no fundo do barco. Completamente diferente a sensação ali. A onda chegando por trás, parecendo que vai entrar no barco ou quebrar ali mesmo. E o barco flutua sobre ela mais uma vez. Confesso que meu estômago estava bem bom, pois naquela posição, se não estivesse, seríamos dois a passar mal.

Voltei de chinelos e saída de praia, pois meu biquíni estava ainda um pouco molhado, e a saída ficou molhada também pelo balde de água fria, e ventava. Os 650 metros até o hostel foram bem longos. Precisava de um banho quente. Meu companheiro de quarto já não mais estava. Fizemos uma boa parceria na primeira noite. Fica claro porque sempre gostei mais de homem, kkkkk

Tomei meu banho quente, deitei e dormi por uma hora ou um pouco mais. Levantei, me ajeitei e saí para jantar, já que não tive almoço. Aliás é que faço todo dia, café da manhã, uma refeição, e lanche e outras bobagens. Queria algo quentinho e próximo ao hostel.

Achei um Kebab. As fotos das ofertas pareciam resultar em tudo igual. Questionei a atendente e confirmei minhas suspeitas, recheios iguais em massas diferentes. Um era um pão tipo pita dobrado, o outro uma massa de wrap, enrolado e o último uma massa de pizza turca, com o mesmo recheio e coberta por outro disco de massa. Variavam os tamanhos. Escolhi o combo com o wrap, acompanhando um suco de maçã e uma porção de batatas fritas. E depois vou a outra cafeteria e compro um doce de massa folhada recheado de chantilly, tomo um café e já sei que este, mais o cochilo de uma hora que tirei após o banho, iriam me atrapalhar o horário de dormir.

Consegui carregar durante a tarde as fotos do Cabo Carvoeiro, então fiz o texto e consegui editar. E, dito e feito, só consegui pegar no sono já eram 2 horas da madrugada.