17 DIAS NA BAHIA - FEIRA DE SANTANA

19/10/2020

O fato de a reserva em Salvador ser pelo clube de turismo fez com que nós solicitássemos dois quartos duplos, um em nome de minha mãe, que também tem um título da Bancorbras, e um em meu nome. Isso foi ótimo porque permitiu que minha prima se hospedasse conosco sem custos adicionais. E ela ficou comigo no quarto, e teve que aguentar minhas manias e calores. Mas ela é uma pessoa com alta adaptabilidade, muita alegria e disposição. Alguém que sempre nos ciceroneou em todas as vindas a Salvador. E uma companhia muito agradável. Se não o fosse, eu nada comentaria.

E combinamos de tomar o café às 9 horas, saindo para Feira de Santana um pouco antes das 10 horas. E chegando lá por volta da hora do almoço. Eu tenho um braço familiar por parte de minha vó paterna que criou a família nesta cidade, e ao longo da vida aqui estive muitas vezes, mas sempre para visitar os parentes e nunca para conhecer o lugar. Feira de Santana tem um entroncamento de estradas que vêm de diversas partes do Brasil e se encontram ali rumando para a capital do estado. E sempre foi importante pelo comércio de gêneros diversos, de quem herdou o nome de Feira. Segundo seus moradores, tem uma população volante em torno de um milhão de habitantes, dada a grande quantidade de pessoas que por ali ficam por uma noite, só de passagem, como foi nosso caso. Hospedamo-nos no Classe Apart Hotel, em uma travessa de uma das principais veias rodoviárias da cidade: a Avenida Maria Quitéria. Nas ruas, alguns casarões antigos se misturam ao comércio, trânsito de pessoas e carros, caóticos.

Deixamos as malas no hotel e rumamos para a cidade. Queria conhecer um pouco mais do lugar. E os destinos foram a Catedral Metropolitana e o Mercado Municipal. Porém, chegamos com fome e antes de qualquer coisa, almoçamos no Restaurante do Paulista, dentro de uma galeria na rua que une os dois pontos a serem visitados. Imaginem que saímos de São Paulo para comer no restaurante de um paulista. Mas fato é que a comida estava cheirosa, com boa aparência, o serviço de Buffet era realizado pelas funcionárias enquanto nós, clientes, só apontávamos determinando as opções e quantidades desejadas. O valor do Buffet é de R$ 12,00, podendo comer à vontade. E o melhor deste tipo de serviço é que cada um come o que tem vontade. Eu, por exemplo, comi fígado ensopado. Eu gosto muito. Mas nenhuma de minhas acompanhantes escolheu esta carne.

Agora, na rua, tanto o trânsito de automóveis como de pedestres é muito complicado. A minha filha levou um esbarrão que quase a derruba, o que a deixou profundamente irritada. Mas considero isso uma exceção, já que, de modo geral, os baianos são muito simpáticos e solícitos, e não negam a fama de cordialidade que possuem. Nas ruas não são visíveis as faixas demarcatórias e sinalizadoras de quase nada. Não há divisão das pistas, faixa de pedestre, pintura em lombadas e etc. Mas Salvador não era diferente disso.

Fomos até a Catedral, mas infelizmente só pude tirar fotos externas, incluindo o coreto da praça que rodeia a igreja. Na rua, até chegar lá, vi alguns casarões antigos, não tão bem conservados, em meio aos comércios e toda a poluição visual das grandes cidades. São prédios bonitos que mereceriam algum cuidado através das iniciativas privada ou pública. Mas que, como em muitos outros locais de nosso Brasil sem memória, ficam abandonados como artigos sem relevância, já que cultura não é foco de nossos governantes e, por consequência, de nós os governados.

E paramos para tomar sorvete de massa, a quilo, onde o primeiro passo foi higienizar as mãos e servir-se de máscara. Torço para que essa seja uma obrigação que se incorpore à nossa cultura e ao nosso dia-a-dia. Nem que seja oferecida a máscara descartável em todos os serviços selfie-service, e incluída no preço.

E olhamos algumas lojinhas de roupas. E gostamos dos preços, modelos e estampas das vestimentas.

E nosso último destino foi o Mercado Municipal, como um mini Mercado Modelo, de Salvador. Oferece produtos locais, algum artesanato, e alguns alimentos. Não é um prédio muito grande, mas bem diversificado. E não eram todas as lojas que estavam abertas. Minha filha achou um vestido muito lindo, e fomos atendidos por mais uma simpática e prestativa vendedora.

Voltamos para o hotel e entrei em contato com a prima-irmã de meu pai, uma senhora muito astuta e ativa, em seus quase noventa anos. Tem sido muito prazeroso encontrar estas anciãs, de mente tão alerta, trazendo-nos memórias familiares, através de fotos e histórias que, se não forem compartilhadas, se perderão no esquecimento do tempo. Ela teve o cuidado de fazer a seleção de muitas fotos que continham pessoas da família que tiveram contato e convívio. E foi tão prazerosa essa recordação. Vi até uma foto de meu pai antes de conhecer minha mãe, um verdadeiro galã. E, certamente por isso que a bonitona princesa do interior paulista se encantou com o homem bonito do interior da Bahia, formando um casal estilo hollywoodiano. Tomamos café com ela, vimos a filha e os netos, tivemos notícias da filha mais velha, de Maceió e curtimos os muitos gatos e o lindo quintal florido. Além de participarmos da leitura do Evangelho, com a comunidade que ela orienta.

Voltamos para o hotel não tão tarde, mas de novo fui me deitar depois da meia-noite. E amanhã começamos outra jornada rumo ao Cais de Torrinha, para fazer a travessia de lancha até a Ilha de Boipeba.