A Formosa TAVIRA

11/11/2019

Iniciei hoje mais um roteiro. E como estava nos planos conhecer locais com o clima mais ameno durante os meses mais frios, o Sul da Espanha, que está tão próximo de minha morada, foi minha escolha.

Quando olhei o mapa lembrei-me de uma pequena, mas significativa cidade, no Algarve, situada quase na divisa com a Espanha. Cheguei perto dela duas vezes já. Na visita a Olhão, sua vizinha a oeste; e a Alcoutim, mais ao norte. E muitos me falaram muito bem desta cidade e, deste modo, resolvi começar meu roteiro por ela e encerrar minhas expedições para este lado de Portugal.

Sai de casa às 9h13. Optei por um caminho sem pedágios, não tanto pelo dinheiro, mais por receio, pois não sei bem como funcionam ainda. E o caminho seria mais curto, apesar de mais demorado pois, fazendo-o por estradas vicinais, o limite de velocidade, em geral, é 70km por hora. E tem também muitas reduções, por passar por pequenas comunidades. Mas isso acaba sendo um atrativo a mais, e não um inconveniente, já que não tenho pressa. Foram um pouco mais de 150 km e demorei 2 horas e meia, sem paradas.

Fui direto para a Fortaleza do Rato, como é conhecida a ruína da Fortaleza de Santo Antônio de Tavira. Sendo sincera, eu não estava esperando uma ruína e fiquei com a impressão de que o rato comeu a Fortaleza.kkkk Mas, ao observá-la no contexto, é atraente, contra essa vegetação de estepe, colorida pelo outono, e ao fundo lagos da Ria Formosa. Caminhei um pouco por uma estreita estrada com espaço semelhante entre a calçada e a via rodoviária, que tinha espaço só para um carro e meio, sendo de mão dupla, mas com indicação de sentido único de cada vez, prevalecendo o bom senso. Consegui me fazer entender?

Nas laterais deste caminho observei algumas piscinas, a maior parte secas, e achei que fossem para psicultura. Em algumas delas, que continham um volume maior de água, observei várias espécies de pássaros. Quando passava de volta, de carro, arrumei um local para parar pois queria fotografar os pássaros e descobri as salinas de Tavira. No mapa não as achava, e sim, as várias piscinas tem níveis diferentes no solo, e vão exaurindo suas águas de uma para outra, as que ficam secas conservam o sal, mais pesado que a água, em seu fundo. Amei. Principalmente por ver a fauna local em convívio harmonioso.

Quando voltava avistei um shopping, lugar perfeito para suprir minha grande necessidade de ir ao banheiro, após mais de 3 horas sacudindo o corpo, sentada no carro. E, tendo tomado o café da manhã bem cedo, não é que já está me dando uma fominha...

Consegui uma vaga bem junto ao poço dos elevadores, um casal de idosos me informou que a Praça de Alimentação fica no último piso, ou seja, no primeiro andar. Deixei o carro no segundo subsolo. Até que é um shopping grande, considerando o tamanho da cidade. Rodei para olhar as opções de refeição e ia comprar um prato indiano com camarões, gostei do dono, me pareceu simpático, mas quando ia me aproximando, uma família se adiantou e chegou antes que eu, se demorando muito para obter explicações, o que me levou a segui adiante e comprar uma massa oriental, com penne, abacaxi, presunto, camarão e molho agridoce. Foi satisfatório e não gastei muito, só 6,45 já com uma limonada. Mas não parei por aí e fui atrás da sobremesa num local que vi panquecas com sorvete. Mas seria muita gulodice, então optei por duas bolas de sorvete de massa, uma de tiramissu e a outra de passas ao rum, que estava fantástica! E gastei mais 3,90 euros. Fiquei com muita vontade de assistir ao filme 'Coringa', mas ia perder as atrações da cidade, já que só ficarei um dia aqui.

Dali segui para o centro da cidade, estacionando o carro na Av.da Liberdade, bem próxima à Praça da República e ao hotel, que fica nesta última. Por ser domingo, o estacionamento foi gratuito, até às 9h da manhã de segunda-feira. Economizei e pude deixar o carro bem pertinho do Formosa Guesthouse, localizado nos segundo e terceiro andar do prédio 12 da Praça da República.

Mas não fui ainda para o apartamento, pois o check-in é só às 15 horas, e as malas estão tranquilas, no carro.

Passei pela Praça da República que, mesmo sendo outono, está até com bastante movimento. Colado está o Largo da Misericórdia. Nem consegui identificar bem qual é qual. E subi em direção ao Castelo. 

O Castelo está só com parte de suas muralhas intactas. Na parte interna fizeram um lindo jardim. O terremoto de 55 foi cruel com as estruturas das edificações. As igrejas também foram reconstruídas.

Ao lado dele está a Igreja Santa Maria do Castelo. Atrás dela a Igreja de Santiago, mas tive que dar uma volta enorme, conhecer metade da cidade para chegar aqui de volta e descobrir que são duas igrejas. E nenhuma aberta. Nenhuma das mais de meia dúzia que avistei. E hoje é domingo.

No caminho fui encontrando muitas igrejas, subindo e descendo. 

A Ermida de São Sebastião:

A Igreja da Misericórdia:

A Igreja do Hospital do Espírito Santo:

A Capela de Nossa Senhora da Piedade:

Olhando as ruínas distantes do Castelo, entrei por uma viela e alguém miou para mim. Uma simpática gata que me fez lembrar a Frida, gata da minha mãe, só que menor e mais peluda.

Passei em frente ao Batalhão do Exército, à biblioteca municipal, que está num edifício moderno e lindo, por diversas vielas e ruas arborizadas e cheias de flores ainda.

É gostoso andar pela cidade, ainda mais que estas zonas não parecem ser muito turísticas. Ainda assim, fui abordada por dois pedintes. Um na porta do Castelo já com uma garrafa plástica cortada, formando um copo para receber as doações. Parecia o porteiro, e acabei dando uns 70 cêntimos, como dizem por aqui. O outro me abordou duas vezes, uma na Praça da República e a outra quando eu voltava do jantar, em ambas pediu dinheiro para completar o que faltava para comprar um frango para levar para casa. Mas muito incisivo este, já vem perguntando em inglês:

_ " You speak english?"

Como respondi em português, ele contou a história em português, mas imagino que foi o que decorou para falar em inglês também.

Não recebeu minha colaboração para o frango.

Depois de tantas andanças, resolvi procurar o hotel. Peguei só a mala pois sabia que teria de subir escadas. Me arrependi de não ter feito a mochila com as coisas que precisaria para hoje. E cheguei ao hotel às 15h08, acreditam? Parece que fazia uma vida que sai de Beja.

O quarto é uma gracinha, com uma varandinha para a Praça, o que rendeu ótimas fotos. Só que o banheiro, apesar de ser privativo, é no corredor. Recebi uma chave para ele também. Estou no quarto peixe e o banheiro tem um chaveiro de peixe. Tudo muito arrumado e limpo. 

Tive que voltar ao carro para pegar shampoos, que estão na mochila. Aproveitei para comprar soro fisiológico numa farmácia que vi aberta. Meu nariz está tão ressecado com o clima seco do Alentejo e daqui que não consigo respirar. E só o Neosoro resolve. Mas o que trouxe acabou e o que comprei por aqui para este fim, não resolve. Mas até que o soro deu um bom resultado.

Decido tomar meu banho antes de fazer qualquer outro passeio. Queria ir ao Cais das 4 Águas para ver o por do sol.

Arrumei-me, coloquei até brincos, e fui, toda prosa, de alpargatas no pé. Mas o céu estava nublado, e o caminho de 2,2 km foi me parecendo comprido demais. Andei uns 500 metro passando pelo mercado da Ribeira, novo, vi um senhor alimentando as gaivotas, até fiz um vídeo interessante, virando a câmera para selfie, sem querer, pois era a posição do botão de bater fotos enquanto filmava, no celular anterior, mas o resultado até ficou interessante e vocês podem ver no Instagram, @ lessa meyre, ou no Facebook, Meyre Lessa. Fiz também um vídeo das Salinas. Vejam lá.

Retornei para atravessar a Ponte Romana e ter uma visão dela pelo outro lado. Chegando ao final da ponte, virei-me e fiz umas fotos. E segui um casal de velhinhos, aparentemente moradores daqui, e achei um túnel de pedestres que saia exatamente onde eu queria para ver a ponte. Mas daí vir as nuvens rosadas e alaranjadas pelo por do sol. E... quase esqueci da ponte.  Fui seguindo até atravessar por uma ponte mais a frente, e pela mesma margem, mas depois de uma curva do rio, tive o prazer de apreciar a Ponte Romana já iluminada, e suas luzes refletindo nas escuras águas do Rio Gilão.

Uma última Ermida e já chego de volta à Praça da República. O centro histórico é realmente bem pequeno, mas a cidade se estende para lá e para cá do rio.

Penso em tomar um vinho e comer um queijinho bem embaixo do hotel, mas descubro que são uma sorveteria, uma cafeteria, e um bar, que só serve bebidas, alcoólicas ou não. Parece que vai chover. Umas pequenas gotas anunciam isso. Mas então, onde comerei? Volto ao Mercado da Ribeira, pois ao longo do caminho e lá mesmo vi algumas opções. Acabo por comer umas costeletas de porco com salada num restaurante do Mercado. Sempre acho que receberei costelas, e recebo bistecas, que eles chamam de costeletas. Mas estavam deliciosas, me fazendo lembrar porque carne de porco é a minha favorita. Da salada sobraram parte dos tomates e o pimentão. Tomei um suco de laranja e gastei 15 euros, já com a gorjeta.

Voltei para o hotel e a chuva ainda não caiu. A parte ruim deste hotel é que o celular não conectou na internet. Não reconheceu o endereço IP. Do resto, estou super confortável, por 34,90 euros. Baixa estação. 

Amanhã sigo para Sevilha, fazendo minha incursão na Espanha. Desejem-me sorte!