A famosa COSTA AMALFITANA, ITÁLIA.       .                                           .

10/02/2020

É certo que conhecer a Costa Amalfitana como fiz, não dá pra chamar de conhecer. Tive apenas um vislumbre.

Comprei o pacote de excursão que incluiu o transporte com guia em espanhol, traslado para quem não estivesse no Centro ( no meu caso só andei 200 metros até o Hotel Terminus, na Praça Garibaldi, ponto de encontro), almoço.

O horário marcado era 8 horas. Saí sem tomar café da manhã pois começam a distribuir às 8 horas precisamente. E cheguei lá às 7h55. Às 8 horas liguei para o telefone de contato, já que não havia ninguém no ponto de encontro. A atendente me disse que o micro-ônibus já estava a caminho, devia chegar uma 8h20. O condutor era Paulo e a guia Martina, verificado assim que passei o número de meu voucher.

Um pouco depois chegou uma chilena e começamos a conversar, e ficamos ambas tranquilas. Ela disse que recebeu uma mensagem no What'sApp sobre o atraso.

E logo depois um guia chegou falando o nome dela. Mas não o meu. Perguntei-lhe se seu nome era Paulo. Não era. Disse-me que eu devia estar em outro grupo. E enquanto ele procurava as pessoas que iriam com ele, chegou minha guia. Ou seja, a chilena e eu iriamos em grupos separados. Uma pena! Identifiquei-me com ela.

A Martina pediu-me que já fosse para o transporte, e gostei porque, além de estar ventando e frio, uns 3 graus novamente, pude sentar-me num banco solitário, logo atrás dela. Eu lembrei de tomar o Vonal, porque minha amiga, comadre, terapeuta e assessora editorial e de viagem (ela cada vez ganha mais títulos), Cristina, me preveniu que a estrada é tortuosa e estreita. Mas sentar-me na frente e ter ar e visão panorâmica sempre ajuda.

Mas ainda não saímos, e passados uns 10 minutos chegou mais uma moça. E a guia Martina veio dizer-nos que ainda esperávamos outras duas. Perto de 9 horas chegaram as duas últimas. Uma alta e uma oriental, estavam juntas. E chegaram pedindo desculpas. E eu sem café da manhã, teria dado tempo até de dormir mais um pouco. Este é outro motivo pelo qual não gosto de excursões. Mas também há motivos para gostar. Se não fosse por ela, não faria a Costa Amalfitana. Depois de conhecer o caminho, creio que nem de carro eu faria.

Bom, finalmente saímos, com a primeira parada programada para uma loja de Limoncelo, famoso licor italiano, que divide autoria entre Sorrento e Ilha de Capri. Já havíamos passado por uns mirantes bem interessantes, mas o ponto de parada é no Limoncelo, e dali fiz fotos da Baía de Sorrento, fora as que fiz com o ônibus em movimento (acima), que às vezes pega reflexo das janelas por causa da iluminação. Pausa para banheiro, prova do Limoncelo. Provei uma versão com leite, um pouco menos alcoólico, que não conhecia. O teor de álcool é de 22 por cento. Alguém talvez tenha feito alguma compra nos 15 minutos de parada. Na mata, junto ao Mirante, era possível observar alguns focos de incêndio, disse-me a Martina que espontâneos, no inverno é comum.

E vamos rodando naquela estradinha que faz curvas tão fechadas que, às vezes é preciso dar uma ré para acertar o ângulo e terminar a curva. Havia pedaços que o ônibus buzinava para que, quem viesse em sentido contrário, encontrasse um lugar para parar e aguardar a sua passagem.Mais fotos de dentro do ônibus. Achei mágica a mancha da luz do sol projetada no mar. Não me cansava de olhar.

A próxima para foi em Positano. Achei uma gracinha. Mas paramos num mirante onde tinha umas barraquinhas de frutas e outras coisinhas e de lá avistamos a cidade e a praia. Segundo a guia, Positano é uma das 7 cidades verticais do mundo. Ela efetivamente escala a montanha, mas não como outras cidades montanhosas, que vão subindo lentamente. É uma encosta em ângulo de 60 a 70 graus. E isso só aumenta o encanto, para ver, para morar acho que precisa ser um pouco Tarzan, e se locomover de cipó. É certo que o povo ali deve ser muito esbelto, e ter músculos das pernas bem demarcados. A guia contou-nos ainda que as casas são coloridas porque era uma vila de pescadores, e estes gostavam de avistar suas casas a partir do mar.

E eu tirei uma foto daqueles limões gigantes que descobri serem cidras. Que ignorância a minha. O doce de cidra é um dos preferidos, mas não conhecia o fruto. E como na Sicília eles dão outro nome, não fiz a conexão. Mas aqui o chamam de Cidro. E o dono da barraca fez uma brincadeira divertida com um fruto. Ficou parecendo um velho italiano com seu narizão.

Saindo dali a guia falou da possibilidade de um passeio de barco, achei que seria ali, em Positano. Fiquei com muita vontade de ver a cidade a partir do mar. Mas ela nos informou que seria em Amalfi. Ainda assim me candidatei para o passeio de 12 euros.

Passamos por dentro de Praiano, e em cada cidade a guia ia contando a lenda que envolve o nome das mesmas, mas não achei isso de importância para gravar as informações, gostei do conhecimento, mas não fixei.

Praiano, segundo ela, é uma cidade dedicada à Cerâmica, e até sua igreja tem a cúpula de peças cerâmicas. Os números das casas também o são. E dali ela mostrou-nos uma Torre de Vigia, que hoje é usada como discoteca.

Aproveitou para explicar que as torres circulares têm origem romana, enquanto que as de perfil quadrado são de origem normanda.

Nosso grupo estava dividido, tinha gente que falava espanhol e outras inglês. Talvez houvesse que falasse ambos os idiomas, como a guia. Cada explicação que lea dava, o fazia nos dois idiomas.

Uma senhora, que sentava atrás de mim, perguntou sobre umas sombras que pareciam montanhas, ao longe. Seriam nuvens? Quis saber ela ao que a Martina informou ser o Golfo de Salerno.

Passamos em frente ao restaurante em que iriamos almoçar, mas não paramos. Fomos direto a Amalfi, chegando lá às 11h20. Teríamos tempo para dar uma volta na cidade, conhecer a Catedral e voltar para o passeio de barco, devendo nos apresentar no mesmo local de desembarque às 12 horas, pontualmente, para um passeio de 40 a 45 minutos.

Fui direto para a Catedral, subindo os 62 degraus para chegar até ela. E o seu exterior é um tanto exótico, mas o estilo não se mantém no interior. A não ser pelo magnífico teto. No mais é linda, mas não chega a ser diferente. Apreciei muito a Via Sacra em madeira.

Fui tomar um Macchiatto com um canolo de creme e chocolate e quando saía observei a senhora espanhola descendo a escada da Catedral. Daí que vi que viajava sozinha.

Tirei ainda umas fotos na praça principal e segui em direção ao ponto de encontro. 

Ali cheguei 5 minutos antes da hora marcada, e no caminho encontrei a espanhola perdida, preocupada. Caminhamos juntas o último trecho e quando chegamos ao local, o ônibus não estava lá. Ela achava que o horário marcado era 11h45. Mas eu lhe disse que era meio dia. Até achei tempo demais para o tamanho da cidade. Mas ainda assim estranhei, pelo horário, não ter ônibus, não ter guia, e nenhum outro passageiro.

Ainda flagrei pessoas tomando banho de mar, mas acredite-me, está bem fresco.

Ela me disse que já conferira de onde sairia o barco. E fomos até lá. Eu ouvi a guia conversando com o pessoal do barco por telefone, confirmando que seriamos dez. E o nome dele é Afonso.

Só haviam dois barcos no cais. Perguntamos quem era o Afonso. Mas não recordávamos o nome da guia. Eu ainda lembrava o do motorista, que era fácil, Paulo. Mas não ajudou. De qualquer maneira, a moça disse que o mais provável era que fosse com aquele barco mesmo.

Vi um casal chegando até o barco também, com cara de dúvida. E quando nos identificaram também ficaram mais tranquilos. Ainda assim o marido subiu para tentar achar os demais. Era muito estranho o fato de a guia não estar no lugar marcado e ainda não ter chegado.

Porém pensei que podiam estar esperando-nos. E subi.

Quando cheguei ao local marcado, vi um homem que fazia parte do grupo e me pareceu estar sendo treinado. Dirigi-me a ele e ele me disse que estavam procurando os faltantes.

_ " Já estamos no cais", disse eu.

E ele começou acenar com a mão para o resto do grupo vir. Quando a Martina chegou, tentei explicar-lhe que o carro não estava no lugar... E ela disse que ele não pode ficar parado ali. Mas ela não nos disse isso. E devia ter chegado antes do meio-dia, para aguardar o grupo. E não o fez. Mas não vou ficar dando explicação.

Até porque eu não fiz nada errado, pelo contrário, acalmei a senhora, que é de Valência, viaja sozinha desde que ficou viúva, e deve ter entre 70 e 80 anos. É difícil dizer a idade das pessoas aqui, a pele é envelhecida pelo ressecamento em função do ar seco.

Mas, resumo da ópera, a viagem começou era 12h12. Saímos para o lado direito, e eu estava sentada do lado esquerdo. E passamos pelo túnel de Santo André, pelos elefantes enamorados, pela Vila de Sophia Loren, e por outro tanto de crateras belas. E eu me conformei em não fotografar porque teríamos que voltar pelo mesmo caminho. E, de fato, assim foi, só que ele se afastou da costa e fez com velocidade muito maior, e quase não consigo registrar nada desta parte.

E depois que chegou a altura do cais, começou a explicação do lado esquerdo. E aí já fui registrando tudo, porque era o meu lado. Mas nesse retorno ele fez junto a costa e devagar, para chegar no horário previsto: 12h45. Ou seja, a acelerada foi para compensar nosso atraso. Não falo mais nada.

Dali seguimos para o restaurante, num local lindíssimo, com uma excelente vista do mar. Fui registrando mentalmente as fotos que queria fazer assim que terminasse o almoço.

Sentei-me numa mesa com o casal que já estava no cais, que descobri serem ucranianos. Um outro casal mais velho, e as três garotas que chegaram por último no ônibus. Todos falando em inglês, só conversei um pouquinho com os ucranianos, que querem muito conhecer o carnaval do Brasil, e estiveram no último carnaval em Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde eu irei passar o carnaval. Disseram-me que é muito bom.

O almoço foi de uma salada de alface lisa com cenoura ralada, e outros vegetais. E estava muito boa. O prato principal foi uma massa, com molho a sorrento, que é molho pomodoro com muçarela. E a massa eu não conhecia. Ela é como um talharine, porém bem grossa, e não tão longa. E também estava crua. E o molho era razoável apenas. De sobremesa uma torta de limão. Digamos que deixou a desejar, mas me parece que, de um modo geral, as refeições contratadas junto com passeios, tendem a não ser as melhores opções em termos de sabor. Mas foi satisfatório. E o lugar genial! Confiram as fotos.

A última parada foi em Ravelo, onde nos foi sugerido entrar numa Vila sei lá o que, de onde teríamos a melhor vista da Costa Amalfitana, pelo módico custo de 7 euros. Não fui. Achei que tivemos muitas vistas lindas, fora as que não paramos no caminho, e eram de graça. E fui caminhando para observar melhor o local. E no final do caminho eis que encontro o outro micro-ônibus da empresa. E fiquei me perguntando por que cada um parou num extremo da cidadela. E reencontrei pela terceira vez a chilena. Ela é de Valparaíso, no Chile. E está de férias. Perguntou-me:

_ " O que achou do passeio?"

_ " Gostei, mas sinto que podíamos ter parado em alguns outros lugares bem interessantes. Sinto-me um pouco engessada em excursões."

_ " Eu esperava mais. Todos falam tanto da lindíssima Costa Amalfitana..."

Eu entendo bem como ela se sente. Quando a propaganda é demais, a expectativa também. Aqui está cheio de casas de celebridades. A guia comentou que no verão o passeio demora 12 horas por causa do trânsito na estrada. Deve ser terrível. Eu não tinha expectativas, poucos comentaram sobre as belezas imperdíveis do local, e não gosto de ler muito para formar as minhas próprias impressões.

Fomos privilegiados de ter um dia de sol, sem ventos, em pleno inverno. Poder fazer o passeio de barco foi consequência destes fatores.

E ver as cidades a partir do mar realmente faz a diferença.

Despedi-me da chilena e apressei o passo porque queria tomar um sorvete e ir ao banheiro antes das 16 noras, horário marcado para o reencontro no ônibus.

Tomei um sorvete amarena que estava muito gostoso.

Enquanto eu apreciava o sorvete chegaram 4 jovens, os dois rapazes sentaram-se nos bancos externos e as garotas entraram e foram direto para o banheiro. A mulher do balcão se dirigiu a elas com um;

_" Buongiorno", que não foi respondido.

Conversou comigo que ao menos podiam ter cumprimentado. Eu acho pouco. O mínimo era cumprimentar e pedir para usar o banheiro. Mas esta não foi a única manifestação de falta de educação que vi nas viagens que tenho feito. Fato é que educação não tem relação só com onde se vive, se é país de primeiro mundo ou não. Tem relação com cultura, meio ambiente, escola, lar, visão do mundo, timidez, extroversão... Enfim, são tantos fatores e dependem exclusivamente do indivíduo. Lembrei-me do Peter.

Voltei para o ônibus e desta vez tivemos que esperar três moças que viajam juntas, até às 16h20. Isso fez com que o término de minha viagem, na Praça Garibaldi, fosse às 17h30. E foi a primeira parada. A volta é sempre de muito sono. E ainda bem que não passei mal, porque esqueci o remédio para o retorno.

Fui para o hotel, tomei banho e resolvi comer uma boa massa. E fui atrás da cantina que o moço da recepção falou. Mas estava fechada. E escolhi o E Vichiarelle. Não estou com sorte no quesito comida. Mas neste caso o que pegou foi mesmo o atendimento.

O garçom que me atendeu fez força para não me entender.

Escolhi um nhoque com molho a la Sorrento. Pedi uma carne como segundo prato. Ele me perguntou se eu queria couvert. Disse que não. Perguntou se eu queria batatinhas, não entendi e ele explicou dizendo chips, eu também disse que não. Até aí, negativas são bem fáceis de entender.

Pedi uma taça de vinho tinto seco. E uma água sem gás.

Recebi o vinho, provei e achei ácido, como azedo mesmo. Reclamei. Ele me disse que era vinho regional. E fez uma cara como quem diz, é vinho barato. Ainda emendou que era de uma garrafa qualquer, ou de garrafão. Sei lá! E não tomou nenhuma providência. Está bem, se não gostei, tenho que pagar mas não preciso beber. Daí resolvi tomar a água. E quando provei estava salgada. Deve ser minha boca, não é possível. E fui conferir o rótulo. Naturalmente com gás. O gás me dá a sensação de sal na água. Eu não gosto de bebidas com gás. Vocês que me acompanham podem notar, normalmente não há refrigerantes em minhas refeições. Tomo chá, suco, água, vinho e até cerveja, mas não refrigerantes e nem água com gás. Só quando compro por engano. Mas se a reclamação do vinho não fez efeito, não quero ter mais desgosto com o tratamento deste garçom.

E o nhoque estava delicioso. Quando terminei me foi servida a carne, acompanhada de batatas fritas e salada. Eu não queria batatas. Se não era para me atender, por que perguntar?

Deixei a batata e a salada no prato, assim como o vinho e a água sem beber. E pedi a conta. Espero que a comida, que estava tão gostosa não me faça mal. Não sou dada a contragosto. Talvez já esteja na hora de voltar para Beja. E tive uns contratempos de acontecimentos no Brasil que podem estar me desequilibrando, desarmonizando.

Pedi a conta, 26,46 euros. Na hora de pagar, não aceitam cartão. Dei exatamente 26, 50 e não cobrei o troco. E na conta estavam todos os itens, inclusive as batatas fritas, e a comissão do serviço de 15 por cento. Lógico que, assim como faço com a maior parte dos lugares que aprecio, já fiz minha crítica no TripAdvisor. Ainda levou uma nota 3. Pela comida. Se fosse só pelo serviço era 1 no máximo.

Voltei triste para o hotel. Talvez por causa do lance da expectativa. Tinha-a alta com relação às pizzas, massas e sorvetes, em Nápoles.

Mas ainda tenho um dia para tentar reverter essa má impressão. E amanhã vou visitar Pompéia.