A cereja do bolo – A SERRA DA ESTRELA, norte de PORTUGAL.

13/03/2020

Oba! O dia mais esperado da viagem chegou. Marcamos com o guia às 9 horas na porta do hotel. O Cleyson é mineiro, de Governador Valadares, está em Portugal há pouco mais que dois anos, é geólogo e adora a Serra da Estrela. Foi indicado por minha amiga Claudia, que conhece a esposa dele. Ela me arrumou o telefone de contato dele e fizemos os acertos de data e preço no começo de janeiro.

O passeio foi feito no carro dele, era uma das minhas exigências. Não queria dirigir por lá. Estava apavorada com a possibilidade de neve.

Uns dois ou três minutos após as 9 horas ele andou uma mensagem dizendo que chegou.

Já ensinamos para ele o novo jeito de cumprimentar e lá fomos nós cumprir uma extensa programação pela Serra.

Pedi para ele se eu podia ir sentada na frente, pois gosto de ir fazendo fotos no caminho. Já tinha combinado com a Cristina sobre isso e, como o carro era grande, ela tinha um bom espaço atrás também.

As montanhas de rocha e suas incríveis formações foram os primeiros contatos que tivemos com a parte conhecida como Parque Natural da Serra da Estrela.

Depois paramos na Lagoa Comprida, um poço de água de degelo que abastece toda a região e que podemos ver de vários locais onde estivemos. O Cleyson disse que ali, no inverno, quando neva, forma uma camada de gelo. E uma placa adverte que ela é fina, para as pessoas não se aventurarem na patinação.

O dia estava lindo, ensolarado, quente, sem vento. E duas semanas antes de nossa vinda, nevou.

Ele nos avisou que, se víssemos alguma paisagem interessante, e quiséssemos tirar fotos, alertá-lo que ele pararia. Em tempo.

Passamos por outro lago de água de degelo, este pequeno, e também por um pequeno túnel escavado na pedra. Do miradouro deste lago, também podíamos ver a estrada, serpenteando pelo vale e a lagoa Comprida ao longe.

Paramos para ver uma rocha que chamam de Cântaro Magro. O Cântaro Magro ou Cóvão Cimeiro é um cabeço com 1928 metros de altura cujas rochas ao redor foram erodidas deixando-o solitário. Ele pediu para termos atenção, depois iriamos vê-lo pelo outro lado.

Outro local de interesse e peregrinação é a Nossa Senhora dos Pastores ou da Estrela, esculpida por Padre Duarte. Entre a estrada e a Santa existe um vale, que fica cheio de neve no inverno, e evitando as escadas para chegar na Santa. Ainda assim o caminho é difícil, cheio de neve fofa, demorando uns 25 minutos para fazê-lo.

Os Circos Glaciares da Serra são resultado, provavelmente, da última Glaciação que ocorreu na Terra, chamada Wurm, atingindo Portugal há 20 mil anos e sendo responsável pela ação erosiva encontrada neste maciço granítico.

E depois fomos ao local mais procurado pelos turistas e o ponto mais alto de Portugal continental: a Torre; com altitude de 1993 metros e também onde ocorrem as temperaturas mais baixas de Portugal, chegando a atingir 20 graus negativos.

Lá também encontramos um marco Geodésico, encimado por uma cruz, e que indica uma posição cartográfica exata e que forma parte de uma rede de triangulação com outros marcos do mesmo tipo, e tem formato Tronco-cônico da 2. e 3.ordem.

A terceira lagoa que vimos é também a mais profunda e ainda guardava vestígios da neve de final de fevereiro,

Muitos pinheiros nós vimos um pouco abaixo do pico, formando lindos túneis ou simplesmente enfeitando a beira da estrada. Tinha até pinheiro de pantufas...

Paramos para observar o Vale Glaciar do Zererê na Serra da Estrela, com 13 km de extensão, sendo o maior da Europa.

A próxima parada foi para conhecer o Covão da Ametade Cantaros, e ver o rio Zererê, e sua nascente, ao longe, dada a dificuldade para chegar até lá. Ele nasce a cerca de 1900 metros de altitude, junto ao Cântaro Magro. E agora podemos vê-lo pelo lado oposto, nem tão magro assim.

As fotos no rio de águas tranquilas, com toda aquela vegetação em volta, ficam mágicas como o lugar. A paz é tão grande que é quase possível tocá-la.


A outra face do Cântaro Magro onde nasce o rio Zererê.

Segundo o Clayson, este local e o próximo, o Poço do Inferno, não são muito procurados pelos turistas. A maior parte sobe para ver a Torre, ou vai até a estação de Esqui e nada mais.

A caminho do Poço do Inferno já avistamos a cidade de Mantegas, mas ela teria que nos esperar um pouco mais, e pegamos uma bifurcação na estrada passando por um dos trechos de vegetação mais bonito da região. Fiz um vídeo porque fotos não poderiam registrar todo o encanto do local. Como estávamos discutindo alguns assuntos polêmicos no carro, tinha que pedir silêncio para fazer o vídeo, mas trechos das conversas ficaram também registrados.

O Poço do Inferno é formado por uma queda d'água de 10 metros de altura da Ribeira de Leandres. Como para ver o poço propriamente dito havia uma escada de pedra, rústica, com pedaços até de rocha sem nenhum preparo, a Cris não foi, nem o Clayson, que foi atrás de um lixo, no meio do mato, que para ele tinha serventia, mas onde estava era lixo plástico.

Subi sozinha e não imaginava o que veria, um lindo poço de água verde. Eu gosto demais da água, mesmo tendo medo, ou justo por ter medo. Ela me fascina por ser forte, maleável, bela, ser espelho e vida. E toda paisagem com água, para mim, tem mais encanto.

Finalmente chegamos a Mantegas, uma vila do Distrito de Guarda com cerca de 2800 habitantes e é o coração da Serra da Estrela.

Nela passamos pela Igreja Matriz, sempre agradecendo pela viagem, pela, amizade, pelas oportunidades e pedindo pela saúde dos nossos e, neste delicado momento, também pela saúde mental e física da humanidade.

Ainda vi um muro de pedras que pensei em transformar no muro das lamentações. E árvores com flores brancas, que depois descobri serem macieiras em flor.

E lá mesmo fomos almoçar no Central Restaurante, comemos uma Feijoca a moda de Manteigas, com um feijão branco delicioso. Fartamo-nos, e com um preço maravilhoso. Super-recomendo.

Agora o destino é Belmonte, a vila mais brasileira de Portugal, já que foi lá que nasceu e viveu Pedro Álvares Cabral. Tem aproximadamente 7 mil habitantes e pertence ao Distrito de Castelo Branco. Lá existe um Castelo, e seus alcaides (governantes) pertenciam à família do navegador português desde o início do século XV, quando Dom João I confiscou o castelo do alcaide anterior. Consta que parte da ossada do descobridor do Brasil estaria na Igreja de São Tiago, em Belmonte, parte no Rio de Janeiro e parte em Santarém, onde ele morreu em 1520. Mas existe muita confusão nas informações, já que supõe-se que o túmulo em Santarém, foi violado durante as invasões francesas.

Não pudemos entrar no castelo, na Igreja, ou mesmo nas edificações do bairro judeu, porque a esta altura do campeonato, as medidas restritivas por causa do Corona vírus já encerraram as atividades em todos os espaços públicos federais. Ainda assim pudemos registrar nossa bandeira tremulando no mastro no Castelo, e no monumento à Pedro Álvares Cabral, construído com patrocínio do governo brasileiro.

Perto do monumento homenageando nosso descobridor, tomamos um café e eu aproveitei para comer uma bomba de chantilly com fios de ovos.

E para melhorar um pouco mais, o Cleyson fez uns vídeos da gente conversando perto do Castelo, com o drone, e uma visão aérea de seu interior. Nosso passeio não podia terminar melhor. Ele não fez na Serra porque, por ser área preservada, precisa de autorização para sobrevoar com o drone por lá.

Após as filmagens, que postei no Instagram e Facebook, ainda fiz umas fotos aproveitando da posição do sol e já era hora de partir.

No caminho de volta passamos por uns campos de pera e pêssegos floridos. Se eu gostei de ver quando estavam com frutos, imagine agora, maravilhosos. Lindíssimos!!!! A flor rosa é do pêssego, a branca é de pera e de maçã, não sei identificar. Quem me alertou sobre o tipo de fruta, com relação a flor, foi minha amiga Cristina.

E acabou um lindo dia de Serra. Um dos locais mais lindos de Portugal, com certeza.

P.S. Quem se interessar em fazer o passeio pela Serra com o Cleysson, seu contato é:

+351 935165603