MODELOS DE GRATIDÃO

MINHAS FILHAS

Minhas filhas representam lados diferentes de minha pessoa, porém, logicamente, elas são muito mais que isso. Enxergo em ambas aspectos físicos e comportamentais de mim mesma, porém lados bem distintos entre elas. Tive menor convivência com a mais velha, e isso faz com que não a conheça tão bem, e as afinidades fiquem prejudicadas. Mas amo-as igualmente.

Quero expressar minha gratidão pelo privilégio de ter-me tornado sua mãe, Débora Lessa S. Alcaraz. Você, sendo a primeira filha, deu-me a satisfação da maternidade.

Quero lhe dizer quanto sou grata pela filha que sempre foi, inteligente, dedicada, formosa, aplicada, determinada. Nunca me deu trabalho para nada, pelo contrário, sempre me deixou orgulhosa, satisfeita e tranquila. Seu nome significa abelha, e como ela você é laboriosa e organizada, aproveita o melhor do que a vida te oferece, e tem construído uma história de sucesso. Tem demonstrado talentos em muitas áreas como: música, gastronomia, esportes, relacionamentos, além dos já conhecidos relacionados à sua capacidade cognitiva. És um orgulho para mim.

Sou grata por ser mais fácil de entender, poderia dizer previsível, se isso não soasse pejorativo. Na verdade, tinha comportamentos mais parecidos com os meus, ou reações semelhantes às minhas. 

Sou grata por perceber o quanto independente se tornou, e isso sempre foi alvo de minhas preocupações.

Agradeço pelo cuidado e carinho com que se dedica ao seu trabalho, a sua família, aos seus animaizinhos de estimação, aos seus amigos, aos seus hobbies, e as suas causas.

Obrigada por ser essa pessoa engajada nas causas sociais e politicas. Obrigada por estar em construção e demonstrar o ser iluminado que és.

Espero ter feito a minha parte nesta construção. Deus a abençoe. Continue neste sentido que manterá sua alegria com sabedoria.


Também foi um privilegio ter me tornado sua mãe, Brenda Lessa S.Galini. 

Agradeço a você pela companhia incessável, pelo choro compartilhado, pelo grande poço de amor e paixão que é seu coração.

Agradeço também porque você tirou-me da zona de conforto, foi uma filha desafiadora em suas atitudes diante da vida desde a mais tenra infância, com aa falta de confiança que expressava em mim. A Débora estabelecia o elo, coisa que ela faz até hoje. Depois, pela forma com que lidou com os estudos, as amizades, as tatuagens, sua determinação quando deseja ardentemente algo. Foram desafiadores e fizeram-me crescer na aceitação, compreensão e tolerância.

Obrigada por ser este ser sensível e brilhante que sempre tem um ombro amigo a oferecer.

Obrigada por sua competência e responsabilidade com as coisas que julga importantes.

Obrigada por ensinar-me o desapego com tantas outras coisas.

Deus a abençoe e fortaleça, com clareza de propósitos para que alcance a felicidade almejada.



MODELOS DE GRATIDÃO

MEU MARIDO (in memorian)

Sou grata a você meu marido, Roberto Davini Junior, que se tornou a pessoa mais importante de minha vida, durante nosso convívio, por ser meu cúmplice, confidente e parceiro, aquele que estava sempre comigo e não me abandonava.

Obrigada por ter me proporcionado a sensação de ter uma família minha.

Obrigada por fazer-me sentir amada, desejada e cuidada, devolvendo-me a auto-confiança.

Obrigada pelo amor que dedicou a mim e as nossas filhas como só um verdadeiro pai poderia fazer.

essa talvez seja a certa mais difícil de escrever pois minha gratidão é enorme, não só por mim e nossas filhas, mas também por meus pais, pois a eles devolveu a honra  e demonstrou a classe de homem que era.

Obrigada por ser um Ser nobre, de elevado espírito, de grande inteligência, com muita pureza e inocência até, mas de enorme coração.

Nossa intimidade levou-me a conhecê-lo melhor que a qualquer outra pessoa até então.

Talvez eu esteja lavando a minha alma ao expressar tal gratidão, mas esperp,tê-lo feito suficientemente enquanto vivia.

Espero também ter ter demostrado minha gratidão com amor e cuidado, como você sempre fazia.

Obrigada pela felicidade que me proporcionou, garantindo minha fé nos relacionamentos homem/mulher, na instituição família e em toda a humanidade.

Obrigada pelas qualidades que enxergava em mim.

Nem tudo foi um mar de rosas, mas tenho, certamente, muito mais a agradecer do que criticar.

Deus o abençoe! És um fiel.

MODELOS DE GRATIDÃO 

MINHA MÃE

Sou grata a você minha mãe, Cleuza Lessa da Silva, por conceber-me e dar-me a luz.. Pela presença edificante e construtiva desde a minha primeira infância até os dias atuais.

Obrigada pois foi você que me ensinou todas as coisas da vida, até as mais complicadas. Ensinou-me a ser crítica e não aceitar respostas simples e convincentes. Isso proporcionou-me um salto na evolução como ser.

Obrigada por ter sido um modelo de força e decisão, que sempre me inspirou.

Sou grata por sua atenção, por seus conselhos e até por suas críticas. Elas me fizeram entender o mundo de outra maneira, compreender melhor seu jeito de ser e como lidar com isso. Você, como eu, só deseja ser amada, respeitada e acolhida. E isso eu posso fazê-lo com alegria e satisfação.

Obrigada pelas longas conversas que sempre me levam a refletir e crescer.

Obrigada pela companhia constante.

Obrigada por ter ajudado a construir nossa maravilhosa família. Obrigada pelos tios e avós que me proporcionou, e toda a família.

Obrigada pelo cuidado e atenção comigo, minha irmã, minhas filhas, meu marido e principalmente com meu pai.

Obrigada pela assistência financeira ao longo de toda a minha vida.

E ainda serão muitos obrigadas pelo restante de nossas existências.

Deus a abençoe com saúde, lucidez, autonomia e alegria. 



MODELOS DE GRATIDÃO

06/02/2019

Resolvi fazer um treinamento de gratidão para realçar os valores de minha vida, e fazer fluir mais facilmente. O programa propôs, em um de seus 28 dias, agradecer às três pessoas mais importantes em sua vida. Teria muitos para eleger e agradecer, e não consegui ficar só em três como pedia o exercício. Então, elegi os 5 principais, por ordem de nascimento.

Assim, começo com :

MEU PAI (in memorian)

Sou grata a você meu pai, Orestes Gonçalves da Silva, por ter me conduzido nos caminhos da retidão com paixão. Tenho como certo que a paixão com que me dedico as coisas em geral, herdei de você.

Agradeço os sábios e ponderados conselhos que me deu em ocasiões importantes de minha vida com o Roberto ou no trabalho.

Agradeço pelos cuidados que dispensou a mim, meus amigos, meu marido, minhas filhas e minha mãe principalmente.

Agradeço pela família em que me incluiu, sua família.

Agradeço seu esforço e dedicação ao trabalho para nos proporcionar todo o necessário financeiramente, e todo seu suporte moral e pessoal que ajudaram na construção do meu ser. E também de minha irmã.

Agradeço por ter proporcionado o equilíbrio necessário a um lar exitoso.

Agradeço por todo o amor com que nos cercou por toda a sua vida.

Se houve alguma falha, os acertos foram maiores e melhores.

Eu poderia escrever um livro sobre tudo que tenho a agradecer e ainda faltariam coisas.

Mas sua honestidade e exemplo foram determinantes. Obrigada meu pai. Você cumpriu sua missão com louvor.

Saudades! Deus o abençoe.

Cartas aos amigos

12/04/2018

Primeiramente resolvi verificar se o termo: 'Cartas" se aplica ao que vou escrever. Na Wikipédia assim está definido:


"é o termo que descreve um manuscrito, um datiloscrito ou um impresso destinado a estabelecer uma comunicação interpessoal escrita, entre pessoas e/ou organizações, de cunho particular.[1]A legislação brasileira, em sua regulamentação dos serviços postais, define carta como: "objeto de correspondência, com ou sem envoltório, sob a forma de comunicação escrita, de natureza administrativa, social, comercial, ou qualquer outra, que contenha informação de interesse específico do destinatário".[2]"

Assim esclarecido, vou abaixo transcrever cartas, comunicações pelas novas mídias, denominadas redes sociais e que sinto que precisam ser agrupadas para demonstrar um movimento, uma forma de ser e fazer, que espero, transforme, pelo menos, o mundo que me cerca.

Começo com uma citação que recebi de um de meus interlocutores, de Mahatma Gandhi:

"Ser tolerante não significa aceitar o que se tolera". 

Sim. Certamente. Iniciando a conversa, ser tolerante é algo extremamente difícil, mas o primeiro passo a ser dado antes de qualquer ação. A aceitação. Tem coisas que são intoleráveis. Diante delas você age. Mas se você atingiu o estado de tolerância ideal, aprendeu também o respeito, e está talvez bem próximo de amar. Assim, sua ação será racional, e não guiada pelas emoções do intolerante. Ou mesmo de quem foi castigado e fustigado, decepcionou-se e frustrou-se ao longo de toda uma existência. Uma ação eficaz necessita disciplina da razão aliada a um coração preparado, na fé, na esperança e no amor. 

"Aceitar não é ser passivo. É ser compassivo e não sofrer desnecessariamente. É economizar energia e aplicá-la de forma racional. É usar a mente e o coração, não os músculos, a força bruta. ACEITE que dói menos."

Eu, "tenho que vigiar minha intolerância no que diz respeito às tais rodas partidárias. Está tão difícil a convivência devido a enxurrada de manifestações partidárias. Em todos os grupos. Sinto- me atolada na lama de um pensamento comum. Tentando desesperadamente mudar o assunto, a sintonia, a vibração. Sem ter que solicitar literalmente a mudança. Permitindo, talvez, ao próximo, a clareza e a criticidade em seu próprio tempo. Mas todas as mídias informativas vão em sentido contrário. E turvam a mente tocando os corações. O que fazer para não ser omisso? E ajudar no processo com uma voz tão inaudível quanto a minha?‎


Assim que decido juntar os ditos, os lembretes, as cartas. Tudo junto pode fazer mais sentido, e gerar mais efeitos positivos, espero.


"Acalma Senhor o nosso coração para que sejamos capazes de superar nossa ignorância e entender, como, onde e porque. Sem sofrimento e nem raiva. E assim transformar: Eu, o outro e você. Sem revolta, sem guerra. Na PAZ! "

"A esperança é uma grande virtude, e fonte de grande energia. Que nossa esperança hoje esteja centrada em um único SER. O DIVINO. Em um único humano. Cada um de nós. Que sejamos capazes de não submeter a nossa esperança a nenhum outro."

‎"E eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo... Ou mesmo não parar de bater na mesma tecla. Que sejamos capazes de "sacudir a poeira e dar a volta por cima."‎

"Se desejo ser fruto, tenho que começar semeada, romper a terra, crescer, fortificar, florear. Enfrentando pragas, sol e tempestade. Até chegar o dia de frutificar."‎

"Que eu me ame o suficiente para apreciar minha própria companhia. E tenha a certeza de que Deus sempre está comigo. Mas se alguém mais quiser me acompanhar, será sempre bem vindo."‎

 "Não sou de esquerda. Nem de direita. Acredito que o poder corrompe. Que precisamos lutar sim, com exemplos. A mudança de comportamento se faz necessária. Também não ligo mais de parecer chata quando exijo meus direitos ou reclamo de atitudes oportunistas em alto e bom som. Acredito na justiça divina. Também acredito que todo aquele que for culpado deve ser condenado e punido. Fico feliz por perceber que cadeia também é pra poderoso. Mas creio que alguns passaram do amor ao ódio por um partido especificamente. Como nunca projetei minhas esperanças de um Brasil melhor em nenhum político, estes me causam asco, mas nenhuma frustração. Me preocupa se alguém acreditar que, com essas medidas, o país irá melhorar. O país só irá melhorar se deixarmos os maus sentimentos de lado e agirmos na mudança de valores do povo. Creio que o que tínhamos, e que hoje nos falta. Na época dos militares era o amor a pátria o que prevalecia. E respeito, uns pelos outros e pela Nação de brasileiros. Hoje tememos. Não acreditamos que o outro seja capaz, pelo contrário, temos a certeza de sua má atitude, má intenção. Enquanto não nos unirmos como cidadãos, trabalhando em prol do crescimento de todos, só mudarão as moscas. E esse trabalho não se faz com escárnio, ira ou mágoa. A ira contamina, e trabalha em prol do ego, do eu mesmo. Só o amor trabalha em prol do coletivo. Temos agora menos tempo do que quando o partido tomou o governo (por voto popular, é claro). Talvez não tenhamos muito mais tempo de lidar com futuras frustrações...  Minha bandeira, assim, continua a da paz. Espero oferecer bons exemplos. E ensinar. E que muitos me sigam. E que outros façam como eu. E talvez ainda possa ver a volta do respeito e o orgulho de ser brasileiro.

Ao que fui questionada:

"Quais são ou serão suas ações?‎"

 

"Estou escrevendo. Mando mensagens para todos os meus contatos. Procuro as pessoas, e ofereço minha amizade, familiares, amigos e desconhecidos. Demonstro os meus valores através de meus atos. Foi citado Gandhi. É um de meus ideais (acho que não devo ter ídolos) . Citarei Jesus:

 "Ide e evangelizai". 

"Comprovei ao longo da vida que pude influenciar muita gente com meu comportamento e modo de ver a vida. Não sou nenhum destes mestres. Mas posso ser luz pra muita gente. Você pode até não acreditar, mas muitos se perguntam: o que a Meyre faria numa situação desta (desculpem-me se pareço prepotente)... Penso que consigo trazer amor com sorrisos abertos e coração acolhedor. Parece pouco? Às vezes também me parece, mas cada dia sinto que chego mais longe. E encontro adeptos pelo caminho. Como acredito que bons pensamentos refletem em alegria. Alegria reflete em boas ações. Boas ações geram boas coisas. Ou pelo menos as pessoas alegres enxergam boas coisas em todas as facetas da vida. Creio ter um poder transformador. E pessoas que vão transformando-se, preocupam-se muito menos consigo mesmas. Querem ver também a alegria do outro. Não importa se o que tenho para comer é só um ovo. Se estou vestida, abrigada, posso me locomover, sentir, falar, ouvir, sou rica. E me sinto verdadeiramente feliz. Ainda o que me preocupa é ficar em dívida. Qualquer que seja. Compromisso para mim é coisa séria.‎

Acredita que estou fazendo algo?‎"

"Em meio a tanta mágoa, raiva ou descaso, tento ser o patinho feio, diferentão, mas conservo minhas cores da alegria. Quero ser visto e imitado. É o que sinto que posso fazer, mostrar- me, como sou, de bom astral, sorridente, e fazer meu quá- quá. Mas também creio que cada um tem uma missão diferente. Faça a sua parte da melhor forma possível, como entende fazer a diferença. Só não deixe envenenar seu coração, senão a razão ficará deturpada."


(AS CARTAS E CITAÇÕES ENCONTRAM-SE ENTRE ASPAS AO LONGO DO TEXTO)


Agentes do Bem

16/02/2018

Em minhas divagações sobre o mundo e sobre mim mesma, vou tirando conclusões que podem não ter nenhuma relação com a verdade, mais mesmo do que com a realidade, mas que vão me satisfazendo em cada etapa de minha evolução.

Nunca consegui assistir à série de filmes Matrix, porém, em sua essência, ela satisfaz uma ideia que faço do mundo, e de como somos pequenas peças de uma máquina Universal. Casualmente, me deparei com um texto que fazia referência a essa Matrix como a algo da espiritualidade. Fui pesquisar. E vejo que o filme todo foi cuidadosamente elaborado sobre crenças espirituais e sobre mitologia, conferindo a alguns personagens e lugares, curiosos nomes associados à importância de seu papel diante da essência humana. O espírito.

Mas também fala de física, de filosofia, da relatividade, da virtualidade. Encaro nosso pequeno planeta como um ponto microscópico num gigante corpo que, se quiserem, podemos chamar de Deus. Ou não. Um corpo que pode ser como o nosso, em crescimento. E o nosso planetinha tem lá as suas funções. Na vida e manutenção do corpo, do todo. Não sei dizer se ele é um órgão, ou uma célula. Se faz parte do sistema nervoso ou do circulatório. Mas se está lá, tem alguma importância.

E nós? Nós somos agentes. Divididos em Higiênicos e Patogênicos. Benéficos ou maléficos.

Podemos ser parte da ilusão criada por cada um de nós. Mas nessa ilusão criamos uma pseudo-realidade decidindo como vamos atuar no pequeno pedaço do corpo onde estamos alojados. Podemos ser o vírus, a bactéria nociva, o verme, o agente patológico, que chega sozinho, mas tem grande influência e poder de persuasão. Quando não encontra resistência, vai se multiplicando e se espalhando por toda nossa Terra, adoecendo-a. Destruindo-a. Destroçando-a. Ou, podemos ser o exército da salvação, atentos leucócitos, que se juntam para exterminar os invasores.

Talvez estejamos criando o mundo em que vivemos, e se assim for, está na hora de viver uma nova realidade (se é que existe algo real). Projetar talvez seja o termo mais adequado. Nosso corpo, numa visão microscópica do mundo, já nos ensina como agir. Glóbulos brancos. Mobilidade. União. Sistema nervoso. Comunicação.

Passemos ao mundo numa visão macroscópica, sendo nós os pequenos seres unicelulares. Agentes do bem, eu convoco, unam-se para expulsar de nosso corpo as doenças que o contaminam. Existe um ditado que diz que a união faz a força. Nossa união não é de força, mas de energia. Em física, energia é a capacidade de realizar um trabalho. A energia do bem, a energia do amor, precisam ser ativadas. E não pode ser complacente. Tem que ser convincente. Sejamos, nós, os agentes higiênicos, tão envolventes quanto os vírus, tão contaminantes quanto as bactérias, e provoquemos a mudança através de escolhas responsáveis e comprometidas. Não consigo mesmo. Não comigo. Nem com sua 'família'. E sim com o órgão do qual faz parte. E com o corpo, que é muito maior, e você nem sabe onde é mesmo que você se encaixa.

Vamos curar esse corpo que nos pertence!


Fontes

https://profeciasoapiceem2036.blogspot.com.br/2015/06/matrix-decodificada-os-significados.html

https://evoluasuaconsciencia.blogspot.com.br/2014/10/a-ilusao-de-tempo-e-espaco-matrix.html

Vivo de recordações ou recordo porque vivo

Bem sei que as pessoas são diferentes. Graças a Deus! Nada aprenderíamos se todos iguais fossemos. E em meu jeito muito peculiar de ser, e de não gostar de sofrer; e não me venha com a conversa de que ninguém gosta de sofrer; evito as recordações que me entristecem.

Preciso passar um par de anos sem muito contato com algo que perdi, perdi para o tempo, para a situação, para a vida, mas que de alguma forma afastou-se de mim. E olha que as perdas foram muitas. Até órgãos. E quando alguém pergunta, eu respondo chorando por algum tempo, mas assim que paro de falar, o esquecimento toma conta do meu ser, bem treinada que estou. É como  respirar. Simplesmente. Está lá, numa caixinha, tampada, às vezes trancada. Ouvi dizer que isso tem um nome na psicologia: compartimentação. Ponho lá e esqueço minha caixa de Pandora.

E um dia, sem mais nem menos, eu esbarro com a lembrança, e já não dói mais. Aí eu posso inferir, guardo ou descarto? Sempre guardarei, na lembrança, na memória. Mas o contato físico com a recordação, às vezes não me é mais necessário. Cada fase de nossa vida acontece para nos proporcionar algo de aprendizado e de conhecimento. Se já cumpriu sua função, não preciso mais. 

Aquele contato é por vezes prazeroso agora. Enxergo-o como uma oportunidade de vida. Que tive de viver naquele momento, com aquela pessoa, e naquela situação. Uma oportunidade de emprego, e que fui demitida, mas que me levou até onde estou hoje. Um amor perdido que me fez forte e valente, me tornou uma pessoa madura para me relacionar não só com meu parceiro, mas com filhos, e com outros seres humanos e que agora me sinto bem até comigo mesma. Uma oportunidade de ter convivido com seres tão maravilhosos, como foram minha irmã, meu pai, meu esposo... E tantos outros importantes na história da minha vida. Que ainda está sendo vivida.

E vivendo estou construindo novas recordações. E que talvez, só talvez, no livro de minha história, ao ser lido no lugar pra onde irei quando aqui terminar minha jornada ou missão, alguém me diga:

" São tantas páginas. Sem manchas de choro, e com muitas recordações."

E VIVO para ter o que recordar.


CANTANDO EM INGLÊS

Eu não sei falar em inglês. Já tentei várias vezes aprender e nunca desisto. Acho que agora até tenho me saído um pouco melhor para interpretar leituras, e tentar estabelecer uma comunicação se os interlocutores falarem o básico e bem devagar. Lamentavelmente! Mas não é o fim. Então ainda há tempo.

No entanto fiquei observando várias pessoas que também não dominam esta língua, em meu círculo de relacionamento e que, no entanto, ao iniciar uma canção, no rádio, na TV, em num show, em um baile, ou onde quer que seja, que elas gostam e decoraram a letra, se pões a cantar. Alguns imitam os sons e por vezes não estão falando nada certo. Outros no entanto, tem alguma noção, e encaixam direitinho as palavras, mas não sabem o que estão cantando.

Por que eu não consigo? Já tive que decorar algumas canções em inglês ao longo da minha vida, em função dos cursos de inglês que fiz. As que decorei quando criança, que se resumem a duas: "How deep is your love" e "Three times a ladie", que ainda sei parte da tradução e consigo cantar uma parte corretamente, ainda. Depois disso, decoro e esqueço, e não consigo nem inventar algo com sonoridade parecida para acompanhar.

Mas comecei a pensar em mim mesma. E finalmente compreendi. Sim, porque sou uma pessoa de compreensões. exatamente isso. Sou uma pessoa de compreensões. Nunca consegui decorar nada na escola. tinha que entender, compreender. Depois que compreendia, era capaz até de ensinar aos outros. Sempre fui boa aluna, Mas tinha que prestar muito a atenção. Se não entendesse, procurava ajuda, em livros, outros estudantes, outros professores, mas sem compreender não de-cor. 

Afirmam que a expressão 'de cor' é uma abreviatura para: de coração. Ou seja, aprender de coração, absorver, assumir o conhecimento, não simplesmente repetir como um papagaio. Não que veja nenhum mal nisso. é a forma como cada pessoa lida com suas necessidades. Mas eu. Eu preciso absorver, sentir, entender, compreender. Então, só me verás falando ou escrevendo sobre aquilo em que acredito. Se são verdades, não sei. O são para mim.

E, se me virem cantando em inglês, é porque aprendi me comunicar nessa língua, e já sei o que estou falando. Ou cantando.

QUE TIPO DE MULHER VOCÊ É

Eu estava assistindo, num outro dia, um vídeo de um comediante que concluía com que tipo de mulher o homem está lidando baseado na quantidade de shampoos em uso que ela tem no box do banheiro. Era para ser engraçado, tudo bem, até foi. Mas fato é que ele foi muito simplista.

Classificou dois comportamentos:

- a mulher decidida, com um único par de shampoo/condicionador. A que não perdoa. Se o homem pisar na bola, adeus meu amor.

- e a que tem vários pares de shampoo/condicionador e que espreme até a última gota sem querer jogar fora aquele que lhe é tão precioso. Neste caso o homem deve entender que ela sempre estará disposta a lhe dar mais uma chance, como se na última gota ainda tiver conserto. A possibilidade de mudar definitivamente suas madeixas para melhor.

Ao ver esta transmissão, senti que não me encaixava em nenhum dos dois perfis. Pois gosto de ter pelo menos três pares de shampoo em uso. E fiquei comparando-me às situações propostas. Eis que entendi um terceiro perfil. E tenho certeza que não será o último. Cada mulher deve tentar descobrir o seu tipo.

Sou daquelas que precisam de mais que um shampoo para deixar meus cabelos volumosos e com brilho. A atenção de um só, faz com que meus cabelos vão perdendo a beleza natural. Se um acaba, logo troco por outro. Agora, se o shampoo for muito bom mesmo, que faz bem para o meu cabelo, como tenho um, antes de acabar já compro outro igual, e deixo de prontidão, para repor assim que necessário. Esse é o meu eleito. Aquele que resolve meus problemas. Se eu ficar alguns dias sem um dos outros, não tem problemas. Desde que esse não me falte. Os outros me fazem bem ao ego. Ajudam a manter meu brilho. Mas esse me garante as formas, a essência verdadeira de meus cabelos. É aquele que não quero dispensar, até que apareça marca melhor, ou seja retirado do mercado. Aí, não tem jeito. Tenho que procurar um substituto, porque ficar sem lavar o cabelo é que não dá.

O ENGODO QUE É TRABALHAR

Passamos a maior parte de nossa vida adulta e produtiva em algum tipo de trabalho visando ganhar dinheiro para poder viver, ter as coisas, sustentar a família. E temos, ao longo deste tempo a sensação de utilidade. Fazemos algo que nos torna útil à sociedade. 

Nada poderia ser mais enganoso. Ao pararmos de trabalhar, por qualquer motivo, desemprego, doença, aposentadoria, maternidade, qualquer, passamos sentir um vazio.

Essa sensação de vazio é porque entendemos que a vida deve ter um significado, um objetivo. Não devemos estar aqui só para comer, dormir e conversar. Enquanto estamos trabalhando, o serviço nos distrai e pensamos que somos úteis. 

 Na verdade, temos tempo de trazer significado para a vida agora, que não estamos trabalhando. Fazendo-nos felizes e contagiando outras pessoas. Isso pode ocorrer na forma de um trabalho voluntário. Participando de grupos de atividades diversas que te proporcionem satisfação. Viajando e conhecendo pessoas, como fiz. Tomando café da tarde com amigas. Reunindo-se com pessoas para fazer artesanato, e doar seu trabalho e sabedoria para outros. O importante é cercar-se de gente. E fazer a diferença na vida de alguém.

O trabalho dignifica o homem só serve de base para o capitalismo selvagem.

A palavra trabalho tem sua origem latina tripallum (três - madeira), e era um instrumento de tortura para forçar os homens sem posses a pagar seus impostos. E daí para o francêns travailler que significa, sentir dor. 

Não é o trabalho que dá sentido a vida, e nem depende dele a nossa identidade. Somos mais que isso, e nossos momentos fora do trabalho nos possibilitam a criatividade, e a pratica de bondade, caridade e tantas outras idades que o tempo vai deixando para trás.

Nunca é tarde para ingenuidade.

Vivendo e aprendendo é um jargão muito utilizado. Penso que a vida não teria sentido se não fosse o aprendizado. Para que aprender é uma outra questão importante que vai de encontro aos seus valores, Principalmente religiosos.

Mas não é esta a questão aqui. Dos altos de meus vinte anos de idade, recepcionando um cliente vistoriador de qualidade de uma grande empresa, me vi olhada de cima abaixo, como uma ninfeta inexperiente. E não me via assim.

Hoje, nos meus mais de cinquenta anos, me vejo diferente. Uma pessoa que sabe bastante aprendeu observando e aplica o que decora, ou seja, aprende o que gosta, o que o coração assimila. Já me recuso a aprender algumas coisas. E me sinto incorfomada por cair em tolas armadilhas, cometer erros bobos, me sentir como uma adolescente e, por muitas vezes ainda me envergonhar.

Se não estou cometendo nenhum delito, do que me envergonho?

Por que, por mais que o tempo passe, nos sentimos jovens dentro de corpos maduros? E quando jovens, nos sentimos tão experientes?

Ainda lido com emoções latentes, vontade de amar e ser amada e com estranheza aos que se contentam com menos.

O que faz alguém submeter um tempinho, um tempão ou a vida à infelicidade?

Ou é só forma de dizer? Não é o que realmente se sente?

Não. Eu da vida quero tudo que ela possa e queira me oferecer. Que venham amigos, que venham sorrisos, que venham filhos e amores, que venham amantes. Só não quero decepções. Nem ilusões. Quero a palavra bendita. A clareza nas coisas e gestos. Não tenho mais tempo nem idade para ser enrolada. Venham-me com verdades. Aprendi a administrá-las. Isso eu aprendi a fazer!

Lidando com a melhor idade

Cheguei a conclusão de que aqui, no Brasil, somos a primeira geração que está literalmente, convivendo com os maiores de 70 anos. E descobri que isso não é muito fácil, ou talvez possa dizer que é bem difícil.

Por que essa constatação?

Por aqui eram raras as pessoas que atingiam essa idade, as doenças, acidentes e exaustão levavam à morte prematura. Poucos eram os idosos que, por via de regra, acabavam indo parar em casas de cuidados para esse grupamento.

As pessoas hoje estão envelhecendo com mais vigor físico e sanidade mental, tendo independência financeira e pessoal, às vezes ainda até sendo responsáveis pelo provimento da família.

E então nos deparamos com suas manias, seus esquecimentos, truculências e intransigências. Estamos a meio caminho da melhor idade, mas ainda sem a docilidade e paciência necessárias, se é que um dia as obteremos, para esses cuidados.

E assim, vamos observando, em cada lar, o amigo e seus pais, a prima e seu tios, você e sua mãe ou seu pai, parece que o filme se repete, às vezes até entre esposo e esposa, se houver uma diferença significativa de idade, uma dificuldade enorme, até intolerância.

Mas aquele velhinho ou velhinha de aparência tão inofensiva, tão frágil, tão bonzinho com todo mundo... Pode se transformar num cruel convivente, e você, num monstro incompreensível aos olhos de todo o mundo exterior. Onde já se viu um filho ou filha tratar assim aos pais? Vamor precisar de orientação profissional. Quem sabe com nossos comtemporâneos europeus!

E que venha o tempo para mais uma vez nos ensinar.


Por que assim?

A maior parte dos mochileiros que andei pesquisando, relatam suas experiências ao longo ou depois da viagem.

Resolvi fazê-lo durante a preparação pois não me considero uma completa inexperiente no assunto. Nunca viajei de mochila nas costas, mas fiz muitas viagens ao longo dos meus mais de 1/2 século, utilizando vários meios de transporte. Em um única viagem pela Europa, com carro de aluguel, rodei mais de 7000 km. Pelo Brasil, foram inúmeras viagens, em carro próprio, de aluguel, de avião. E aqui, rodar 2000 km é "peixe pequeno".

Mesmo o percurso que pretendo seguir neste primeiro, e notem bem quando digo: "primeiro" mochilão, parte dele já fiz de carro. Ainda não conheço o Chile nem o Paraguai, a não ser aqui na fronteira com o Brasil, em Foz do Iguaçu.

A maior parte das viagens com períodos mínimos de 15 dias, e máximo de 35 dias.

Viagens de 200 a 300 km, faço quase todo fim de semana.

Então, algumas coisas aprendi nestes muitos quilometros rodados. E é isso que venho dividir com todos.

Espero que minhas experiências sejam úteis.

Várias facetas da mesma Eu

O caderno de anotações

Meu celular é minha agenda, mas nesse projeto, a ausência de um caderno se fez notar logo no início

Insights

Conforme o projeto vem tomando corpo, me percebo, em muitos momentos, pensando na viagem. Me ocorrem coisas que não posso esquecer, muitas delas que não encontrarei em nenhuma, ou quase nenhuma outra fonte de informação, pois são bem específicas, considerando minha faixa etária, gênero e condição de saúde, por exemplo.

Meu celular não deu conta desse tipo de informação. Adotei então um caderno, espiral, pequeno, com 50 páginas, que me ajude, não estorve.

Pretendo que as páginas deste blog se tornem seu caderno de lembranças. Que, ao ler minhas postagens sintam que não falta nada, que possam seguir confiantes as informações que aqui encontrarem e não ficarão em dificuldades em suas futuras aventuras.

Ao mesmo tempo, o caderno serve para anotar meus devaneios, que serão postados aqui também, para que conheçam melhor essa que vos escreve.


Eras

Transcrevo abaixo, um dos devaneios de minha vã filosofia:

"Quem falece, era?

Era isso e aquilo. Não é mais.

É triste perceber que não é, era.

E deve ser por isso que os séculos, assim juntados, viram eras.

E todo mundo que é, ao longo dos séculos, eram.

Eras!